A 14.ª edição do Festival Internacional de Tango de Lisboa realizou-se de um a cinco de junho, na Voz do OperárioShows, milongasworkshops e a reunião de 40 artistas na capital portuguesa. 

O Tango (com ritmo sincopado e passo binário) nasceu nos subúrbios de Buenos Aires, na Argentina, no final do século XIX. Trata-se de uma dança dramática, apaixonada, sensual, agressiva e triste, na qual a mulher é sempre submissa.

Património oral e imaterial da humanidade

Festival Internacional de Tango de Lisboa, que promete sempre uma atmosfera envolvente e intensa, estreou no mês de junho, das 21h às 22h30, com um espetáculo de Tango e Fado, numa homenagem dupla à Argentina e a Portugal. Canções ligadas aos portos, à expressão de sentimentos, emoções e cultura, ora cantada, ora dançada, neste caso por dois pares de bailarinos argentinos.

Com a presença do cantor argentino Caio Rodriguez e o fadista português (fadistas, fadistas, só mesmo portugueses) Pedro Moutinho, e ainda com a companhia ao vivo da orquestra La de Juan D’Arienzo, a mítica Voz do Operário celebrou património oral e imaterial da humanidade ao mesmo tempo que uniu países e, claro, muitas pessoas.

Os workshops, lecionados por pares de professores argentinos, começaram, no dia seguinte, das 15h às 18h15, com uma aula para todos os níveis. Até às 16h30, Claudio Helena ensinaram a valsa cruzada ou valsa argentina (uma variante da valsa vienense), enquanto Osky Tajana se ocuparam dos fundamentos de dançar num abraço apertado, ato que representa muito da essência do próprio Tango. A partir das 16h45, três pares de professores apresentaram os rebotes (passos trocados), os princípios elementares de andar e de nos conectarmos com o nosso par e ainda movimentos circulares e a dissociação (posição em que o torso e as ancas não estão alinhados). Entre os dias dois e cinco, com seis pares de professores, ocorreram cerca de 34 workshops.

Carlos Teixeira, dos Urban Sketchers Portugal, esteve presente numa das aulas do festival e transpôs para o papel, numa série de cinco desenhos, a elegância e a sensibilidade do tango.

As Milongas decorreram todos os dias do festival, a partir das 23h, e das 15h às 20h, no sábado e domingo. Duas tardes e cinco noites de performances dos bailarinos convidados, orquestras ao vivo e momentos de inserção cultural. Se a pista começa por estar vazia, talvez por vergonha, a verdade é que acaba por encher. Tradicionalmente dança-se o tango, a valsa cruzada e a milonga. Contudo, é possível encontrar outros ritmos, como a chacarera e a zamba.

Puro Tango, a arte de montar um espetáculo

De todos os momentos fabulosos que a 14.ª edição do Festival Internacional de Tango de Lisboa proporcionou, destaca-se o Show Puro Tango’16. No dia três de junho, às 20h30, a entrada para o salão já estava claustrofóbica e eram muitas as línguas que se ouviam no meio de uma salada de figuras, com predominância do francês.

As portas abriram-se pouco depois da hora programada para o início do espetáculo. Não existia espaço vazio até ao palco, apenas uma imensidão de mesas, decoradas a vermelho, a cor da paixão, que ofereciam aos seus ocupantes dois leques e uma garrafa de espumante Terras do Demo. Os balcões também estavam cheios.

Com duração de 1h45, o Show Puro Tango’16 revelou-se um espetáculo não só de dança como de música. Com a companhia da orquestra La de Juan D’Arienzo e o cantor Caio Rodriguez, desfilaram pelo palco, à vez, os pares de bailarinos argentinos convidados: Sebastian Achaval e Roxana Suarez, Sebastian Jiminez e Nadia Johnson, Claudio Villagra e Helena Fernandez, Adrian Ferreyra e Dana Frigoli, Mariano Otero e Alejandra Heredia.

Numa sala mística e com um ambiente único, assistiu-se ao melhor do Tango e, sobretudo, à maravilha que é montar um verdadeiro espetáculo, muito enriquecido pelo excelente trabalho de luzes. Um sucesso que se tem vindo a repetir há 14 anos – e percebe-se facilmente porquê, não são só os figurinos brilhantes nem as piruetas e outras acrobacias, mas toda uma conjugação de elementos que proporcionam realmente ver, ouvir e sentir o puro tango.

O Festival Internacional de Tango de Lisboa recebe todos os anos cerca de 600 tangueros, de 30 países diferentes e de cinco continentes, que visitam Lisboa exclusivamente para o festival. É possível seguir a organização a partir da sua página oficial de Facebook.