Les Plages Electroniques é um festival de música eletrónica importado de França que se decorre este ano, pela primeira vez, em solo português, nos dias 3, 4 e 5 de junho. Como não podia deixar de ser, à semelhança da versão francesa que se realiza em Cannes, este festival acontece à beira-mar, na Praia do Rei, na Costa da Caparica, num espaço que pertence à concessão do bar Hula Hula. O Espalha-Factos foi ao primeiro dia e conta-te o que se passou.

Estava previsto que as portas abrissem às 19h, no entanto, os mais pontuais tiveram de esperar quase uma hora até poderem entrar no recinto. A razão? O espaço ainda não estava completamente montado. A equipa desdobrava-se em inúmeras tarefas que ainda precisavam de ser feitas. Às 20h, quando as portas finalmente abriram e os primeiros festivaleiros, maioritariamente ingleses e franceses, começaram a chegar, o recinto está longe de estar 100% funcional. Mas isso não os abalou: de chinelo no pé e calções de praia, tornava-se fácil adivinhar que não estão habituados ao clima bipolar da costa portuguesa – toda a gente sabe que, ainda que faça calor durante o dia, à noite está sempre vento e frio…

Para o primeiro dia, o alinhamento contava com nomes como Yall, Bondax, Magazino, Villanova, Danny Daze, Jimmy Edgar e Glove b2b Trigger.

O primeiro set começou e quase nem se deu por ele. Tratava-se de Yall, um trio de Barcelona que tocavam pela primeira vez em Portugal. Apesar do desinteresse óbvio por parte do público, Yall entregou um set completo e apelativo. A música era altamente dançável, os samples foram escolhidos a dedo e a música foi, no geral, o acompanhamento ideal para o pôr-do-sol na Praia do Rei. Joan Sala, também conhecido por Nighty Max, é um dos integrantes do projeto Yall esteve à conversa com o Espalha-Factos. Explicou que era a primeira vez em Portugal e que infelizmente não vai poder aproveitar muito porque dia 4 tem um concerto na Suíça. “Mas é sempre muito bom tocar na praia, as pessoas estão bronzeadas, o sol está a brilhar, é ótimo”, confessa sorridente.

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Conta que não tirou muito do público português: “Estou a fazer o warm-up, portanto normalmente as pessoas estão mais calmas, mas vejo uma data de raparigas a dançar por isso é bom”. Não quer fazer comparações entre o público português e o espanhol porque “os espanhóis são loucos, especialmente depois da meia-noite!”, afirma, entre risos. “Aqui não sei dizer, porque só toquei uma hora e não é assim tão tarde”, avalia.

Conta-nos que começou em discotecas pequenas em Barcelona e que o ambiente dos clubes underground lhe agrada porque “está escuro e as pessoas vão lá só pela música”. Mas que tocar num festival grande também tem os seus prós: “quando droppas o beat é uma reação enorme, a maneira como as pessoas reagem nem é comparável”, explica. E por falar em grandes festivais, já têm datas marcadas para 7 grandes festivais em Espanha. Depois da entrevista, planeia andar pelo recinto e aproveitar “os bons djs do alinhamento”.

Lá fora Bondax já se fazia ouvir. A dupla inglesa entrou e vincou bem a sua posição: a batida é mais forte, rápida e apoiam-se menos nos vocals e isso chamou as pessoas que se começaram a aglomerar em frente ao palco. Já o segundo nome do alinhamento ia quase a meio da sua atuação e o palco ainda não estava completamente montado – faltava colocar as letras que diziam “Les Plages Electroniques”.

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Mas Bondax não se importaram com isso, puxavam cada vez mais pela plateia que já começava a aquecer. Para além de Giving it All (uma das músicas mais conhecidas), tocaram arranjos novos com samples em português. Todo o recinto conseguiu ouvir “Me sinto feliz, me sinto contente” ainda que durante essa música tivessem de competir com um grupo de ingleses embriagados que se fazia ouvir (quase mais do que as colunas de som).

 

Magazino veio representar a Nação neste primeiro dia de festival. Entrou às 22:30 e provou desde logo que já não é um novato nestas andanças. Mostra que sabe entreter e as pessoas começam a dançar descontraídas e alegres. A música serve também como pano de fundo para as várias conversas que estão a decorrer em simultâneo, em inglês, francês, português ou uma mistura de tudo. Apesar de tudo, o recinto ainda estava longe de estar cheio.

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Infelizmente, o Espalha-Factos não pode ficar até ao final deste primeiro dia de festival. Por conhecer ficaram Villanova, Danny Daze, Jimmy Edgar e Glove b2b Trigger, numa festa que se previa que continuasse até às 4h00 da manhã.

 

Imagens: Inês Chaíça