Zapping, o novo trabalho do grupo Commedia a La Carte, esteve no palco do Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria, no passado dia 26 de maio. O Espalha-Factos assistiu a este novo conceito de espetáculo, numa sala com lotação esgotada, e que teve novos jogos e, acima de tudo, muita interatividade com o público.

Antes da hora marcada para o início do espetáculo, a maré de gente que esperava para ver os tão aclamados Commedia a La Carte, parecia não parar de chegar. Sentia-se no ar a alegria e a ânsia por receber o grupo e, pouco passava da hora quando Carlos M.Cunha, Ricardo Peres e César Mourão sobem ao palco, fazendo imediatamente adivinhar uma noite repleta de surpresas e muitas gargalhadas.

Antes de mais, o grupo agradece ao público a casa cheia, os bilhetes esgotados em menos de nada. “Vocês nem deixaram a máquina dos bilhetes aquecer. Nós também esgotamos outras salas, mas com mais calma”, diz-nos César Mourão. De seguida, fazem a apresentação do que é o Zapping, e percebe-se desde logo a dedicação do espetáculo ao fantástico mundo que é a televisão. Falam connosco, sentimo-nos entre amigos, e percebemos que é esta a magia nos espetáculos dos Commedia.

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Foto: Márcio Menino

As diretrizes do público

Após um pequeno aquecimento de improviso, começa então o primeiro jogo da noite, “Programa de Entrevistas”, e é nesta altura que começa a buscar por um elemento da plateia para se juntar ao grupo. De realçar que todos os jogos tiveram sempre como ponto de partida uma pessoa do público, como já é hábito nos espetáculos dos Commedia a La Carte. O objetivo neste primeiro jogo é precisamente improvisar uma entrevista, em que César Mourão é o entrevistado e vai desenvolvendo o seu discurso a partir do que Sara, a escolhida para subir ao palco, lhe pede.

“Dobrado, sentado e em pé”, o jogo que se segue, é uma estreia nesta temporada de espetáculos. O grupo avisa-nos para a confusão que vamos ver, para nos esforçarmos em não perder o fio à meada, mas é difícil. Este jogo, passado numa sauna gay, local obviamente escolhido pelo público, é absolutamente brilhante, mas frenético. No meio da confusão para seguirmos o que estava dobrado, o sentado, e em pé (posições que alteravam praticamente a cada segundo), sentimos a energia positiva. Constatamos que o humor é contagiante, a energia deles passa para nós, e rimos com aquilo que vemos, e que praticamente não percebemos.

Inês é a próxima escolhida por Carlos M.Cunha e prepara-se para dirigir o próximo jogo, “Telezapping”. Muito semelhante ao jogo do ABC a que já nos habituaram, é nestas alturas que se percebe a inteligência dos três elementos em palco e entreajuda que existe.

Antes de passarmos à parte final do espetáculo, tempo ainda para “Fast Forward”, um jogo que resulta numa confusão e, para nosso espanto, pouco original. A originalidade estava limitada, uma vez que nesta altura era Helena, elemento do público, quem dava as directrizes deste jogo. E, por fim, presenteiam-nos com o musical. O Musical é outro conceito de espetáculo do grupo, que teve um grande sucesso em todos os palcos que pisou. Para este momento final, escolhem Pedro, que sobe ao palco e fala da sua vida, da sua mulher, da história de amor, do trabalho, e até de defeitos e qualidades. A seguir, vemos César Mourão, Ricardo Peres e Carlos M.Cunha a fazerem o que de melhor sabem fazer, improvisar. Destaque para César Mourão, que provou mais uma vez ter talento para cantar.

Zapping foi uma agradável surpresa. Durante as mais de duas horas de espetáculo, os Commedia a La Carte estiveram numa conversa com o seu público. Riram e fizeram rir, e Leiria agradeceu pelo momento. Nesta noite a comédia e o improviso foram reis, coroados pelos maiores génios da área.