Espalha-Factos participou numa experiência de Treino de Mar, a bordo da Caravela Vera Cruz, propriedade da APORVELA – Associação Portuguesa de Treino de Vela e aberta ao público desde novembro de 2014. 

O embarque estava programado para as 9h00. Meia hora mais cedo pareceu suficiente para procurar o ponto de encontro na Doca do Espanhol, em Alcântara. Uma volta inteira e nada. Afinal tínhamos passado pela Caravela Vera Cruz, ao lado do River Cruise Sightseing da Confeitaria Nacional.

A caravela portuguesa foi inventada e utilizada durante o período dos Descobrimentos nos séculos XV e XVI. Era uma embarcação rápida, de fácil manobra, apta para a bolina, de proporções modestas e que, em caso de necessidade, podia ser movida a remos. Foi numa caravela que, em 1488, Bartolomeu Dias dobrou o Cabo da Boa Esperança.

Caravela Vera Cruz, réplica exata das antigas caravelas portuguesas, foi construída em 2000 num estaleiro naval de Vila do Conde, no âmbito da comemoração dos 500 anos do Descobrimento do Brasil. Tripulada pelos sócios da APORVELA – Associação Portuguesa de Treino de Vela, destina-se a possibilitar o treino de vela e experiências de mar, sobretudo a jovens. O Instituto de História Contemporânea (IHC), centro de investigação da FCSH/NOVA, é o responsável pelo programa educativo e cultural, assim como pela dinamização das atividades a bordo.

Pouco depois das 9h30, os participantes subiam curiosos uma rampa de madeira, que oscila e range, e à medida que se encontravam a bordo tentavam abarcar com o olhar a imensidão de mastros, balizas e vergas. O Treino de Mar começou com uma introdução acerca do trabalho da APORVELA, fundada em 1980 com o objetivo de estreitar a ligação dos portugueses com o mar, mantendo viva a tradição do nosso património marítimo.

A associação sem fins lucrativos promoveu, além da construção da Caravela Vera Cruz, a de mais duas réplicas: a Caravela Bartolomeu Dias, que ficou integrada no Bartolomeu Dias Museum Complex, no Museu Marítimo de Mossel Bay, na África do Sul, e a Caravela Boa Esperança, que se encontra na ribeira de Bensafrim, em Lagos.

Caravela Vera Cruz tem 23,8m de comprimento, 6,5m de boca e um mastro grande com 18m de altura. Com capacidade para 22 tripulantes, recebe muitos jovens ao abrigo dos programas de embarque e educação da APORVELA, que promove intercâmbios em tall ships, viagens a bordo do NTM Creoula e atividades de promoção da literacia dos oceanos junto de escolas de todo o país. Contribui, por isso, para a formação náutica e sensibiliza para as questões do mar, do ambiente marinho e da sua economia.

No início do Treino de Mar, procedeu-se a algumas atividades necessárias à navegação, começando por descer a vela, tarefa que não é tão fácil quanto possa parecer e exige muitas mãos, e garantir que os cabos, que devem ser presos com um nó de oito, estão separados, não emaranhados uns nos outros nem presos a qualquer outro objeto.

Durante o passeio pelo rio Tejo, os participantes aproveitaram para explorar as casas de banho, claustrofóbicas, a cozinha totalmente equipada, os beliches e o convento, que antigamente era exclusivo às poucas mulheres permitidas a bordo. Conversou-se muito e desvendaram-se segredos, como o facto das vergas serem de fibra de carbono, em virtude de uma vez, quando ainda eram de madeira, se terem partido, não causando uma tragédia por um triz.

Até ao 12h00, e com direito a brunch, foi possível apreciar a paisagem e a serenidade do rio Tejo, ainda mais bonita vista do castelo, a parte de cima da caravela, apesar do vento se sentir aí de forma mais intensa. A equipa da APORVELA, sempre disponível para esclarecer quaisquer dúvidas, explicou ainda como é ser tripulante de um navio, as regras a seguir e como é que, no geral, os jovens se comportam e sentem ao passar pela experiência.

“Numa viagem não há dia ou noite, o barco segue caminho dia após dia, e a tripulação organizada em turnos, chamados de “quartos”, trabalha incansavelmente para fazer o barco chegar a bom porto.
E é naqueles momentos especiais em que pode ouvir-se o vento nas velas, ou ver o sol nascer no horizonte longínquo do Mar, que se agradece por fazer parte duma experiência tão única e maravilhosa.” – APORVELA 

O programa de embarque em grandes veleiros, criado para jovens a partir dos 15 anos, trata-se de uma experiência única de Treino de Mar, que proporciona a aprendizagem da arte da marinharia e navegação, valoriza o trabalho em equipa e permite, sobretudo, uma viagem de autodescoberta.  É possível fazer a inscrição online.

APORVELA também estabeleceu uma parceria com a Escola Náutica Infante D. Henrique para promover o embarque de jovens tripulantes e pretendem bater o recorde de 500 portugueses a navegar durante a regata Antuérpia – Lisboa – Cádiz – Corunha. Lisboa volta a fazer parte da escala, recebendo os maiores veleiros do mundo e outras embarcações à vela no Terminal de Cruzeiros entre Santa Apolónia e o Terreiro do Paço.

Este ano, a regata The Tall Ships Races Lisboa 2016, a maior aventura dos sete mares, realiza-se entre 22 e 25 de julho e conta com 12 navios com bandeira azul, assumindo o compromisso com a preservação do mar e das espécies marinhas. Destacam-se duas embarcações portuguesas, a Santa Maria Manuelina e a própria Caravela Vera Cruz.

Espalha-Factos sugere que te mantenhas atualizado através da página oficial de Facebook da APORVELA – Associação Portuguesa de Treino de Vela.