Bem-vindo àquela altura do mês em que revelamos tudo aquilo que nos aqueceu o coração em maio. Trocado por miúdos: a equipa de música entrou em ritual de votação e elegeu os melhores lançamentos do mês.

Como não discriminamos formatos, contamos tanto com singles como com álbuns – o que interessa é mostrar as obsessões deste mês e coisas que não podem passar ao lado. Vamos lá:

Radiohead – A Moon Shaped Pool

Como fugir a estes senhores, não é? Além de saberem fazer álbuns, ainda sabem como lançar uma boa campanha de marketing. Convenhamos que mandar cartas aos fãs, desaparecer completamente da Internet e redes sociais só para dar à luz esta Moon Shaped Pool é de se tirar o chapéu. Tudo bem que há dois tipos de pessoas em relação a Thom Yorke e companhia: ou se ama ou se odeia, ou se acha genial ou se acha enfadonho. Nós por cá adoramos – reuniu consenso entre equipa.

Embora não tenhamos feito uma votação acérrima para discutir qual o melhor tema do álbum (há limites para tudo), Burn The Witch, o primeiro single, também apareceu na votação.

James Blake – The Colour In Anything

É extenso, é complexo, é James Blake puro e duro. Depois de três anos de pausa, lança este álbum para nos fazer salivar por um concerto em terras lusas. Podes ler a review aqui ao disco. Se queres começar por uma faixa, I Need a Forest Fire, com Bon Iver, é imperdível – os quatro milhões de plays no Spotify não nos deixam mentir.

Samuel Úria – Carga de Ombro

Vamos fingir que não saiu a dia 29 de abril e aplicar uma carga de ombro ao calendário. Samuel Úria volta aos lançamentos e diz Dou-me Corda logo na primeira faixa. Há muita gente na equipa a dar bola ao músico português, que mostra que já não tem Grande medo do pequeno mundo. É um disco onde cada palavra faz sentido. É a junção perfeita, num álbum, de músicas que têm tanto de Amarante como dos tempos batistas de Cash. As mensagens presentes nas músicas têm mais significado do que à primeira vista se vê, por isso, é ficar atento.

Orelha Negra – 22:14

Coisas que esperamos na vida: ter uma lista de concertos já vistos tão extensa como a Muralha da China… e o lançamento do álbum dos Orelha Negra. Já vimos dois concertos do novo álbum, em Lisboa e no Porto, e continuamos a depositar fé que tem há ali material para ser um dos álbuns tugas do ano. No início do mês, houve uma paixão com 22:14… quase no final de maio, chegou A Sombra.

First Breath After Coma – Drifter

É um álbum muito atmosférico e bonito, com aqueles crescendos à Sigur Rós. Os dois singles foram tremendamente bem escolhidos porque representam o que o álbum é. Precisas de algo mais resumido do que isto?

ANOHNI – HOPELESSNESS

Muitos drones, muita mensagem política, muita causa e muita força. Tem a particularidade de tocar facilmente ao coração, as músicas entranham-se de forma rápida, mas com outro pormenor: uma audição mais atenta percebe que há defesas de causas e temas complexos. É para saborear com uma audição atenta, mesmo. Drone Bomb Me, 4 DEGREES, I Don’t Love You Anymore são apenas algumas das pérolas. Já dissemos que há concertos em Junho, em Lisboa e no Porto?

Isaura – 8 (eight)

É que nem foram precisas oito audições para Isaura aparecer por estes lados. A voz doce e as composições cuidadas chegam-nos ao coração, depois de Useless ou Change It.

Galgo – Skela

Skela é o regresso aos singles dos Galgo, depois de EP5, lançado o ano passado. Em três minutos e meio transformam a própria música três vezes, mutando-a e tornando-a um compêndio do rock-abana-anca português. Estão confirmados para o Indie Music Fest, se queres abanar a anca ao vivo.

Foi um bonito mês, como já se percebeu.