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Rock in Rio: a festa de família

28 de maio, dia de feira popular no Rock in Rio 2016. Não são necessários números oficiais, basta olhar e perceber rapidamente que é neste dia que se verifica a maior enchente da edição deste ano. Fila para o café, fila para o sofá, fila para a tinta na cara, fila para o tabaco, fila para a casa de banho, fila para comer, fila para se fazer fila. Uma das grandes particularidades do Rock in Rio é a sua capacidade para, de dia para dia, mudar consideravelmente o público do seu recinto. Desta vez, tivemos as pessoas da faixa etária entre os 15 e os 18, maioritariamente do sexo feminino. Afinal de contas o fim da noite é de Adam Levine e os seus Maroon 5.

Mighty Sands

O primeiro concerto de uma tarde novamente ventosa fica a cargo dos Mighty Sands. Banda portuguesa que aproveitou o voto de confiança da Vodafone FM para se mostrarem a um público mais abrangente. Num concerto curto mas capaz, contaram ainda com a presença de El Salvador, também baterista dos senhores que seguiriam, os Capitão Fausto.

Capitão Fausto

Depois da atuação de 2012 neste mesmo palco Vodafone a banda de Amanhã Tou Melhor foi a segunda a atuar e terá sido, também, uma enorme desilusão. Depois de dois concertos de apresentação esgotadíssimos e bastante competentes no Lux, os Capitão Fausto voltaram a tocar em Lisboa conseguindo a proeza de provocar a maior enchente deste ano na plateia do palco secundário. No entanto o resultado esteve longe de ser o melhor. Com um Tomás Wallenstein perfeitamente embriagado (e isso não tem problema desde que, pá, consigas aguentar o teu álcool) o que nos foi oferecido foi uma coisa estranha e com metade do brilho que poderia realmente ter. Com uma setlist jeitosa que teve pontos altos na primeira Santa Ana, Amanhã Tou Melhor e Verdade e ainda com um público claramente devoto os Capitão Fausto não foram capazes de oferecer a competência a que nos últimos tempos nos habituaram.

Real Estate

Com os Real Estate veio também a chuva em quantidades muito razoáveis. E se é verdade que foi ela, em parte, a responsável por que houvesse muito menos gente a ver o concerto, também é verdade que umas centenas de fieis resistiram e ficaram para os ver. Os Real Estate, que desde o início se pautaram pela simpatia com que se apresentaram – agradeceram várias vezes aos resistentes por continuarem ali – não vacilaram e deram o concerto possível com as condições que S. Pedro lhes deu. Entre as canções dos seus três álbuns, as novas, as constantes batalhas pelos “impermeáveis” que a organização ia atirando ao público e o problema quase crónico que as bandas internacionais têm tido com o baixo no palco Vodafone, o momento de natural destaque foi a canção It’s Real, capaz de animar até os mais deprimidos. No fim, numa tirada de mestre, o baixista Alex Bleeker despede-se prometendo que os Real Estate haviam de voltar para tocar num “club show” e agradece a todos aqueles que vieram vê-los no dia de festival dos Maroon 5.

DAMA

Entretanto já os D.A.M.A. tinham aberto o palco Mundo. Não somos capazes de falar do concerto porque fomos jantar. Mas é importante dizer uma coisa e deixar uma questão para posterior reflexão. A coisa: pensávamos que o recinto tinha esvaziado significativamente por causa da chuva mas quando passámos pelo palco Mundo percebemos onde estava a totalidade da tal faixa etária de que anteriormente falámos. A questão para posterior reflexão: independentemente do gosto musical de cada um e de ser altamente dubitável que aquilo que o Rock in Rio nos esteja a oferecer este ano seja rock, a verdade é que por aqui já passaram nos últimos anos alguns nomes de elevado gabarito e de provas dadas no universo musical. Naquele momento, este mesmo palco Mundo está a ser pisado por estes meninos com cara de presidente da associação de estudantes de uma escola secundária e que tem tanto de música como eu tenho de rapariga. E, acreditem, eu tenho todas as provas biológicas necessárias para provar que sou um rapaz.

Ivete Sangalo

Tal como os Xutos & Pontapés, também Ivete Sangalo é uma espécie de David Guetta do Rock in Rio. A diferença é que a segunda está a conseguir evitar com muito sucesso a barriguinha que se apoderou de Tim. Com a chuva a fustigar continuamente as dezenas de milhares de pessoas que se vão juntando à volta do palco principal, o furacão da Baía fez jus à sua alcunha e levantou a moral a todos aqueles que ali estavam. Com 44 anos completados recentemente, Ivete correu, saltou, gritou, cantou e dançou. E o único cuidado que teve foi garantir que a animação era geral.

Não interessa que canções cantou Ivete, interessa que lá para o meio até Could You Be Loved se ouviu e que, no fim, se levantou toda a poeira que a chuva tentou assentar. E quem disser que Ivete não presta é um perfeito mentiroso.

Maroon 5

Para o fim ficou o grande motivo da enchente de 28, os Maroon 5. Perante um público maioritariamente feminino e sobretudo familiar, Adam Levine e colegas apresentaram-se com menos fulgor que aquilo que seria de esperar. O concerto começou com Animals, um dos vários hits que foram sendo tocados. Na verdade, para o comum desconhecedor qualquer uma das canções passaria por hit, tal era efusividade com que a esmagadora maioria das mais de 80 mil pessoas recebia cada início.

Maroon 5

Depois de algumas canções como Stereo Hearts, Wake Up Call ou Maps, o segundo grande momento da noite chega quando This Love (primeiro momento de fama dos Maroon 5), Sunday Morning (segundo momento de fama dos Maroon 5) e Payphone foram tocadas de rajada com direito a solo de guitarra do próprio vocalista, apresentação dos músicos e a perceção de que o poder vocal de Adam Levine deixa um bocadinho a desejar, mas os fãs incondicionais não pareciam importar-se muito com isso.

Daqui caminhou-se rapidamente para um sumário encore onde se cantou She Will Be Loved (terceiro momento de fama dos Maroon 5), uma Moves Like Jagger a puxar para o frouxo e uma Sugar de celebração.

Maroon 5

Os Maroon 5 estão longe de ser uma grande banda. Serão sobretudo uns bons entertainers. Mas no fim de contas, e mesmo que a generalidade das suas canções seja um tanto ou quando desenxabida e pouco atraente, a verdade é que estavam ali 85 mil pessoas a dançar e a cantar com um homem sexy. No fim é isso que se regista.

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