A SIC Radical celebrou, a 13 de maio, o seu 15.º aniversário com o seu primeiro Roast, no Cinema São Jorge. Com Rui Sinel de Cordes como anfitrião e uma grelha de convidados tão distintos quanto interessantes, o evento prometeu homenagear a marca num espetáculo de comédia em formato inovador em Portugal.

A ideia de celebrar os 15 anos da SIC Radical com um roast partiu de Pedro Boucherie Mendes, o diretor dos canais temáticos da SIC. O formato, com origem nos EUA, surgiu nas rádios, na década de 40, como um espetáculo de comédia para homenagear um indivíduo, neste caso uma marca, que é alvo de piadas, insultos e elogios por parte de um grupo de pessoas.

Roast à SIC Radical: insultos e elogios numa celebração arrojada

O início do programa estava marcado para as 22h, mas ocorreu um ligeiro atraso, que permitiu ao público encher a sala com calma e aproveitar o DJ set de Rita Mendes, antiga apresentadora dos marcantes programas televisivos Portugal Radical Curto Circuito. Com a chegada de Rui Sinel de Cordes, o tão esperado roast master, a ausência de alguns convidados, inclusive Carolina TorresJosé de Pina Kiko is Hot, foi anunciada. Ao palco subiu Carlos Coutinho Vilhena, Ana Garcia Martins (d’A Pipoca Mais Doce), Salvador Martinha, Dário Guerreiro, Guilherme Fonseca, Luísa Barbosa, Hugo Sousa e Jel.

“O Dário é tão cigano que fez cópias do DVD do Hugo Sousa.” – Carlos Coutinho Vilhena in Roast à SIC Radical

Após uma breve introdução por parte de Rui Sinel de Cordes, que aproveitou para fazer algumas piadas sobre Vilhena, o membro dos Bumerangue (grupo de comédia que realiza sketches curtos e que está presente na SIC Radical desde outubro) estreou o microfone e ousou chamar “cavaleiro verde-caqui” ao roast master. Apesar do nervosismo inicial, provou que o humor não escolhe idades. 

“Tinha um pai homossexual. Calma, que não aconteceu o pior, ele não voltou para casa. […] Ele morreu, está tudo bem.” – Rui Sinel de Cordes sobre Guilherme Fonseca in Roast à SIC Radical

Guilherme Fonseca, atual membro da equipa de apresentadores do CC All Stars, mostrou-se bastante bem-disposto apesar dos comentários mais duros que lhe antecederam. A verdade é que os insultos que preparou para os colegas não ficaram atrás. Desde piadas de cariz sexual com Luísa Barbosa a insinuações sobre a orientação sexual do marido d’A Pipoca Mais Doce, o seu repertório conseguiu arrancar muitas e estridentes gargalhadas, sem se esquecer de mencionar o “olho para o negócio” do Pedro Boucherie e de viajar pela programação, antiga e atual, da SIC Radical, a quem agradece os recibos verdes.

Luísa Barbosa foi a primeira mulher a atuar e provou, sem hesitações, que é muito mais do que apenas uma das apresentadoras do Fama Show. Com à vontade e carisma, talento e inteligência, orgulhou o género e deixou, certamente, muitos homens de olhos em bico. Ainda assim, após as atuações de Ana Garcia Martins e Rita Mendes, foi fácil concluir que não teria sido difícil brilhar. A Pipoca Mais Doce é bem-humorada e até fez piadas sobre si mesma, mas falta-lhe a prática, embora seja importante referir que teve alguns momentos merecedores de grandes salvas de palmas. A  DJ, no entanto, devia ter continuado junto “aos pratos”.

“Eu não tenho medo que gozem com a minha cara, tenho medo da falta de sentido de humor e, contra a falta de sentido de humor, podem sempre contar com a minha cara.” – Salvador Martinha in Roast à SIC Radical

Salvador Martinha, com a sua “voz de menino”, correspondeu às expetativas e relembrou ao Espalha-Factos porque é que o seu espetáculo a solo Na Ponta da Língua foi um sucesso. Por sua vez, o youtuber e humorista Dário Guerreiro, mais conhecido por Môce dum Cabreste, encantou com o seu sotaque portimonense, os bués e os palavrões atirados ao ar.

Hugo Sousa, humorista do norte e licenciado em Desporto (em “educação física” como disse Rui Sinel de Cordes), demonstrou que não é à toa que participou inúmeras vezes no programa Levanta-te e Ri da SIC, trazendo um leque de piadas variado. Quanto ao Jel, o líder dos Homens da Luta, que foi muito gozado por já se ter candidatado à Câmara Municipal de Cascais, mostrou mais uma vez irreverência, provando porque é que é um agitador nato.

Defesa da SIC Radical

Entre piadas nuas e cruas, um rabo pixelizado e as mamas de Ana Garcia Martins, as surpresas foram muitas. Para a defesa da SIC Radical, Pedro Boucherie subiu ao palco e com humor (e amor) declarou orgulhar-se da marca, que ocupa um espaço único no panorama audiovisual português e que tem seguido sempre caminhos alternativos, premiando novos talentos.

SIC Radical foi o terceiro canal temático da SIC a ser transmitido, em 2001, tendo-se sagrado desde o seu nascimento como um canal alternativo. Desenvolvido para cabo, sempre teve como público-alvo não só os adolescentes como os jovens adultos, apresentando uma programação centrada em séries de ficção científica, animesitcomsbritcoms, música, talk-shows e programas eróticos e amadores.

A SIC Radical é uma das maiores fábricas de talentos em Portugal – estando associadas à marca nomes como Rui UnasFernando AlvimGatos Fedorento – e o roast de celebração do seu 15.º aniversário, para quem não conseguiu estar presente, foi gravado para posterior transmissão na televisão.

[Artigo em atualização.]