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Foto: Plano 6

Musical ‘Eusébio – Um hino ao futebol’: a celebração da vida do Pantera Negra

A dois dias do Sport Lisboa e Benfica se sagrar tricampeão nacional, o Coliseu do Porto recebeu o musical Eusébio – Um hino ao futebol, em jeito de homenagem aquele que ainda hoje é um embaixador do clube em todo o mundo. No passado dia 13, sexta-feira, o Espalha-Factos assistiu à celebração da vida e da carreira do “Pantera Negra”, e desvenda-te agora o que aconteceu dentro do “relvado” do Coliseu.

No palco, observa-se uma bancada vermelha que parece anunciar um espetáculo restrito a adeptos das águias. E enquanto o público ocupa o seu lugar na plateia, ouvem-se cânticos alusivos à equipa encarnada. Faltam poucos minutos para as 22h, as luzes reduzem, e entram em cena os dois primeiros atores. De forma gradual, a bancada em palco enche-se com caras conhecidas do público – Diogo Amaral, Irma Dalí, Sofia Escobar e Claúdia Semedo são alguns dos exemplos. Entre cachecóis e camisolas do SLB, todos se vestem a rigor.

O apito inicial

Enquanto se simula o ambiente do Estádio da Luz, os atores cantam “Glorioso SLB” com uma coreografia acompanhada de um jogo de luzes vermelhas e brancas. Segue-se a apresentação oficial do musical e canta-se “Tu és o nosso rei, Eusébio”, numa primeira interação com o público que não resiste e acompanha o elenco.

Com a ajuda de uma tela gigante como plano de fundo, observa-se a entrada do onze benfiquista em campo. “Eles não têm os nomes deles nas camisolas, dizem todos Eusébio”, ouve-se. “É um jogo de homenagem ao Eusébio”, afirma Gonçalo, personagem interpretada por Diogo Amaral. Na bancada, anuncia-se o início do hino do Benfica numa palavra de ordem que faz os adeptos levantarem-se das suas cadeiras e colocarem os cachecóis ao alto. De seguida, os adeptos esperam pelo apito inicial do jogo, benzendo-se, tirando fotografias e conversando.

Mas eis que, numa espécie de analepse, as luzes que simulam o estádio se apagam, a bancada divide-se e esconde-se e a tela de fundo remete-nos para uma paisagem africana – terra que viu nascer Eusébio da Silva Ferreira. No palco, atores e bailarinos de raça negra representam as vendas de rua numa coreografia baseada na capoeira, ao som de uma música cheia de ritmo e sons quentes.

A bancada volta a unir-se, os holofotes acendem. De volta ao estádio, comenta-se o jogo e faz-se nova alusão ao Pantera Negra: “ninguém rematava como o Eusébio”. Entretanto, os adeptos abraçam-se. “Golo do Benfica! Marca o número 13, Eusébio!”, anuncia o speaker do estádio.

A chegada do Pantera Negra a Lisboa

Nova mudança no cenário. “Veio um branco de Lourenço Marques para falar com a mãe Elisa” e negociar a transferência de Eusébio para o Benfica. As condições do acordo consistiam no pagamento de “250 contos de reis, um salário por mês e com tudo assinado”. “O pai dele se fosse vivo estava bem orgulhoso dele”, afirma um vizinho de Elisa.

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Foto: Facebook Plano 6

Ainda nesta cena, a mãe de Eusébio recebe uma carta do filho e lê-a com grande emoção. Na carta, o Pantera Negra informa que já está instalado no lar dos jogadores em Lisboa, que o Sr.Coluna tem sido um bom amigo e queixa-se do frio físico e emocional que sente, mas deixa uma mensagem de esperança na despedida “Melhores tempos e ventos hão-de vir. Tenho fé em Deus”.

De regresso ao estádio, mas ainda numa evocação ao passado, assiste-se a um treino do Benfica orientado pelo Mister Béla Guttmann. Coluna faz flexões, enquanto o treinador observa Eusébio a fazer três séries de dez remates. No final, Guttmann garante “Eusébio chegou para revolucionar o futebol”. Dá-se um momento musical que reforça a ideia defendida pelo treinador “Cada chuto é uma obra prima que acaba em golo“, merecendo grandes aplausos.

O palco dá agora forma à rádio Emissora Nacional. Inicialmente, dá-se a transmissão das últimas notícias relativas ao futebol, onde Eusébio é destaque. De seguida, novo momento musical. Fazem-nos voltar ao estádio, onde o pequeno ator Athos Sousa, que dá vida a Eusébio em criança, brinca com uma bola. Na bancada, os mais velhos contam histórias da vida do Rei aos mais novos. Fala-se do Torneio de Paris em 1961, da Taça dos Campeões contra o Real Madrid e da Taça dos Campeões Europeus em Amesterdão e da forma como Eusébio tinha o poder de resolver jogos em tão escassos minutos. “Não era só instinto, era ciência, abstração, teorema. Despido do supérfluo rematava e não era golo, era poema”. O público aplaude.

“Por todo o lado se ouve Eusébio”

Retrata-se o seu bom carácter e o brilho no olhar. Assinala-se o dia do seu casamento e, seguidamente, viajamos até Liverpool para o jogo do Campeonato do Mundo entre a Coreia do Norte e Portugal. E é precisamente nesta altura que a ideia de que este musical foi feito a pensar nos benfiquistas cai por terra. No palco, representam-se três espaços físicos distintos: a casa de uma família comum, a casa da mãe de Eusébio, onde estão vários amigos e familiares e o estádio em Liverpool, onde a imprensa nacional e coreana emitem o relato do jogo.

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Foto: Facebook Plano 6

A Seleção Portuguesa inicia o jogo mais forte que a Coreana, mas como “quem não marca, sofre”, os coreanos foram os primeiros a faturar a triplicar. Os jornalistas da Coreia festejam um golo a seguir ao outro, numa linguagem inventada levando a plateia às gargalhadas. Na resposta, Portugal marca cinco golos, quatro deles assinados pelo homem do jogo – o menino de Mafalala. 5-3 no marcador. Um resultado que levou a Seleção Portuguesa às meias finais do Campeonato do Mundo com uma exibição que foi considerada a melhor de sempre. Em casa da mãe Elisa brinda-se a Eusébio, a Portugal e a Coluna.  Terminado o jogo, canta-se “Aos quatro ventos se ouve Eusébio, por todo o lado se ouve Eusébio“.

Mas o jogo da meia final contra a Seleção Inglesa não foi tão feliz e o golo de Eusébio aos 82′ não suficiente para a passagem de Portugal à fase seguinte que perdeu por 2-1. Na tela, vêem-se imagens do Pantera Negra a abandonar o relvado completamente desolado.

O orgulho em ser português

A imagem muda, e tal como mostra o vídeo, o retrato de Eusébio é esculpido ao som de uma versão lírica do hino nacional. Um momento arrepiante, sem dúvida, o mais alto da noite. O musical pára para ouvir a ovação do público que durante mais de 3 minutos aplaude incessantemente todo o elenco em palco.

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Enaltece-se o orgulho em ser português e a forma como esse mesmo orgulho passou a ser maior depois da exibição de Eusébio em nome de Portugal no ano de 1966.

És o mundo. Estamos prontos para te coroar. Nos pés o mundo. Na história estás para sempre. O Rei vais ser para sempre. Nos nossos corações tu vais morar

E no seguimento deste apelo ao patriotismo, as imagens na tela remetem-nos para o jogo “capaz de matar qualquer um do coração” contra Inglaterra no Euro 2004, onde o guarda-redes Ricardo foi protagonista. No final do jogo, Eusébio abraça-o de forma sentida.

Retornamos ao ponto de partida, o Estádio da Luz. O speaker anuncia novamente “Golo! Marca o número 13” e o público devolve “Eusébio!”. Dá-se o apito final.

No ecrã passam fotografias da vida de Eusébio e a voz do Rei enche o Coliseu num testemunho intimista “Nunca pensei vir a ser o que fui no futebol, o que sou como homem“. No palco está o mini-Eusébio com uma bola. Todo o elenco entra em cena e numa coreografia coordenada, seguram no menino. Canta-se “É ouro este menino. Doce e terno, de encantar. Sempre pronto a ajudar“.

De ouro foram também todos os presentes, no Coliseu do Porto, que fizeram esquecer o facto da sala estar pouco composta, e que no final do espetáculo aplaudiram de pé e de forma entusiasta os atores, músicos, bailarinos e staff da peça.

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