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Reportagem: David Fonseca na Casa da Música

Numa iniciativa da Associação Cais, o evento + Música + Ajuda levou David Fonseca à Sala 2 da Casa da Música para uma atuação inigualavelmente intimista.

Enquanto o público aguardava pelo concerto do multifacetado artista português ao som de uma seleção musical que contou inclusive com Country House, dos Blur, os diálogos interpessoais pareciam intermináveis até ao momento em que, pelas 22h07, as luzes se apagaram e o silêncio imperou no edifício.

Perante sala lotada, David cumprimentou a plateia e rapidamente afirmou “Hoje vamos fazer um espetáculo um bocadinho diferente, com uma músicas minhas e outras… nem tanto”. E assim foi.

Com efeitos de luzes azuladas e na companhia da sua banda, começou com Rocket Man, cover de Elton John presente no seu disco Dreams in Colour, e a empatia criada com músico surgiu com naturalidade, manifestando-se através de gritos eufóricos e duradouras salvas de palmas. Seguiu-se uma excelente versão de Everybody’s Got to Learn Sometime, dos The Korgis, com o seu próprio toque pessoal, A Cry for Love e a deliciosa Two, de Ryan Adams, admitindo que o admirava profundamente e que vibrou histericamente com a passagem deste, há cinco anos, pela Aula Magna.

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Num concerto onde a troca de guitarras foi constante, intercalando temas originais e versões de outros artistas, David Fonseca não fugiu dos seus clássicos e tocou Kiss Me, Oh Kiss Me, acompanhada fielmente com cantorias e com aplausos em sintonia com o ritmo da canção. Tal como seria expectável, o artista interagiu frequentemente com a plateia e reconheceu que foi um enorme desafio selecionar os temas para interpretar naquela noite, tendo escolhido cerca de 150 músicas que influenciaram o seu percurso musical. Momentos depois, “de 1964 para 2016”, trouxe-nos All Day and All of the Night de uns senhores chamados The Kinks, chegando mesmo a invadir a plateia e, com uma pequena passagem por Riders on the Storm, dos The Doors, pediu ao público para estalar os dedos.

Revisitando o seu quarto trabalho de originais, Between Waves, tocou Stop 4 a Minute, aproveitou para apresentar o seu recente single Futuro Eu e prestou homenagem a David Bowie com Let’s Dance.

Divertido e sorridente, descreveu Lithium, dos Nirvana e sentenciou “O Kurt está a ouvir-vos algures” enquanto o público saltitava e entoava o refrão, disfrutando do tema.

Seguidamente, Let’s Get Together, de Bryan Ferry, e I’m On Fire, de Bruce Springsteen (“Uma das primeiras músicas que eu gostei dele”), antecederam temas como Chama-me Que Eu Vou e Hoje Eu Não Sou, que soam melhor ao vivo do que em estúdio.

Voltando aos covers, houve tempo para uma curta passagem por Love Will Tear Us Apart, dos Joy Division e Video Kill the Radio Star, dos The Buggles, com a colaboração particularmente engraçada de um telefone vintage.

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“Ainda acordados, Porto?” questionou, antes de The 80’s. Enviou um paraquedas para a plateia durante What Life Is For e anunciou “Temos mais uma canção. Depois temos de ir embora. É uma canção comprida”, para consolo daqueles que previam o desenlace do concerto. Era a vez do êxito de Philip Oakey e Giorgio Moroder, Together in Electric Dreams, perfeitamente interpretado. Recordando os Silence 4, houve ainda A Little Respect, recebida carinhosamente. Antes de se desligarem as luzes, David Fonseca apresentou formalmente os elementos da sua banda e agradeceu a todos os presentes.

Já no encore, ouviu-se uma belíssima versão de Once In A Lifetime, dos Talking Heads e o artista despediu-se com um “Até à próxima, aqui ou noutro sítio qualquer!”.

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