Filho da Mãe, o programa de humor e sátira em estilo de documentário, regressou ao Canal Q, na estreia da segunda temporada. O primeiro episódio continuou a história da temporada anterior sem deixar de reunir todos os amigos do Rui.

Presunçoso, autoconfiante e snob. É assim que Rui Maria Pêgo se interpreta. Para quem não sabe, Filho da Mãe é o projeto onde Rui Pêgo aborda a própria vida e todas as idiossincrasias de ser filho de Júlia Pinheiro, de forma irónica.

A primeira temporada acabou num êxtase inocente: Rui mostrava-se consolado por ter alcançado um lugar de destaque na imprensa portuguesa derivado de um atropelamento. Ao que tudo indica, a segunda temporada vai abordar as consequências do cliffhanger que o levou à prisão.

filho de mãe

Fotografia: Divulgação.

No primeiro episódio, nota-se que o estilo de Filho da Mãe se mantém. Com um look renovado, Rui aparece cheio de first world problems e outros dilemas ocos, como na temporada anterior.

O capítulo foca-se no quotidiano do protagonista na prisão e nas visitas de VIPs, amigos de Rui. Desta forma, que considero estratégica, reuniram-se imensos atores e personalidades para aumentar o interesse no episódio e recuperar o enredo. Júlia Pinheiro aparece em Filho da Mãe pela primeira (e última?) vez, por exemplo, para declarar o espanto e desilusão que sente por Rui.

Além de Gabriela Canavilhas, Jessica Athayde e Carolina Torres, que se autocriticam comicamente, indo ao encontro do conceito do programa, destaco a participação de Maria Botelho Moniz. A talentosa atriz faz o papel da amiga chique e superficial de Rui e sobressai na sua execução, tal como na primeira temporada.

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Fotografia: Divulgação

Estas convidadas aparecem no seguimento da projeção mediática da hashtag #prisonlife. Na série, este é um dos trending topics do momento, motivando as visitas dos famosos e levando Rui à ribalta.

Outro aspeto interessante acerca de Filho da Mãe é a quebra da fourth wall. Por outras palavras, há uma interpelação recorrente dos operadores de câmara e da audiência. Neste episódio, por exemplo, abordou-se o problema do financiamento do próprio documentário.

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Fotografia: Divulgação

Filho da Mãe é um programa estranho. Reúne características de documentário e de reality-show, mas, na verdade, não passa de um programa de ficção. Esta dinâmica particular limita muito a sua perceção e o seu público-alvo.

O primeiro episódio manteve a alma do programa, retomando o enredo e as personagens. Todavia, as suas singularidades serão apenas percebidas por pessoas que acompanhem a cultura pop e notícias da sociedade .

Com efeito, Filho da Mãe não deixa de ter interesse para outros tipos de telespectadores. As ironias que escondem meias verdades estão presentes em cada cena, assim como referências à atualidade. Dificilmente se assistirá a um episódio sem achar piada a uma delas.

O glamour forçado e sarcástico pode não agradar a todos durante os 20 minutos da emissão do programa, mas, tendo em conta a audiência do Canal Q, apostar num formato diferente e irreverente faz todo o sentido. Filho da Mãe está trending e mal posso esperar por saber mais sobre a #prisonlife.