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Lemoskine chega do Brasil, com amor

O Espalha-Factos esteve à conversa com Lemoskine. A conversa passou por temas como o mais recente álbum, Pangea I Palace II, os concertos em Portugal que se avizinham, e um pouco daquilo que suporta este projeto musical.

Rodrigo Lemos, o nome por trás de Lemoskine, não é propriamente um novato do mundo da música. Antigo membro de grupos como Poléxia A Banda Mais Bonita da Cidade, o músico e produtor já recebeu o prémio de Aposta MTV nos MTV Video Music Brasil 2012.

EF – Com um EP e dois álbuns lançados enquanto Lemoskine, quais são os maiores desafios de trabalhar a solo?

Lemoskine (L) – Há uma certa contradição no processo, pois não implica em fazê-lo sozinho. O grande desafio tem sido dedicar-me também à função de produtor. Em meu dia a dia (sobretudo agora, passando por este momento de autogestão) estou sempre criando e mantendo contato com diferentes profissionais de diversas áreas. Tem a distribuidora, tem a associação de direitos, tem a imprensa, tem o contratante de show e tem os meus amigos músicos, Lauro Ribeiro (trombone), João Marcelo (baixo acústico), Rodrigo Chavez (baixo e piano) e João Taborda (bateria, a substituir Luís Bourscheidt), que me acompanham nos palcos! É bastante esclarecedor, compreender como cada um contribui para o trabalho.

EF – Nota-se uma certa mudança no seu registo musical após o lançamento de “Pangea I Palace II”. Como descreve essa nova sonoridade?

L – Está mesmo diferente do que apresentei no primeiro disco… Posso afirmar que sinto maior liberdade quanto à sonoridade actual; focada em ritmos sobrepostos, texturas graves e uma tendência ao “extended mix” (ao vivo, gostamos de psicodelizar, prolongando algumas músicas). As canções intimistas de acordes ao violão foram ficando para trás, naturalmente; até porque há anos mal pego num violão para compor.

EF – Qual foi a sua maior inspiração na hora de compor o último álbum?

L – Eu desconfio que, em algum momento dos últimos quatro anos, comecei a questionar mais incisivamente sobre o legado que nós, seres humanos, estaríamos construindo… A partir daí, todo impulso em falar na primeira pessoa foi dando vazão a um sentimento mais coletivo. O “Pangea I Palace II” nasceu desta vontade de diminuir meu protagonismo; de imaginar outra realidade, outro tempo. Atrás e à frente.

EF – Já alguma vez atuou em Portugal?

L – Sim! Estive duas vezes, a me apresentar com A Banda Mais Bonita da Cidade. Primeiro em 2011, escalados para o Vodafone Mexefest (Lisboa), também passamos por Braga e Estarreja. No ano seguinte, retornamos para único concerto no já extinto TMN ao Vivo (Cais do Sodré, Lisboa).

EF – Quais são as expectativas para os concertos que vão decorrer em Portugal no mês de maio?

L – Eu tenho carinho imenso por Portugal. Estou sentindo aquele “nervoso bom”, sabe? Espero que os concertos me tragam a chance de compartilhar esse momento feliz com bastante gente.

EF – É fã de música portuguesa? Quais são os seus artistas/grupos portugueses favoritos?

L – Conheço menos do que gostaria, mas já fui logo me apresentando às vozes novas do fado: Ana Moura e Carminho. Acabo de rodar a A1 ouvindo um álbum de cada… Vão muito bem com a estrada. Também pude assistir artistas incríveis como Paus, por exemplo. Os vi tocando dentro do metro Avenida, na ocasião do Mexefest. Um concerto memorável. Outros dos quais sou fã, mas não tive a oportunidade de assistir: Ornatos e Clã.

EF – Com que artista(s) gostaria de colaborar no futuro?

L – Não é o tipo de questão que me ocorre com freqüência… De tempos em tempos, tenho a sorte de cruzar gente muito gira em meu caminho!

Uma colaboração com a Fernanda Takai (Pato Fu) está prestes a acontecer, nos palcos, no segundo semestre. Foi o John (guitarrista, compositor do Pato Fu e co-produtor de meu primeiro álbum) quem me apresentou ao som dos Clã, por sinal.

Também tenho essas “faíscas de colaboração” com artistas de minha cidade como a Lio (Simonami), o Thiago Ramalho (da Trombone de Frutas, e que me substituiu na Mais Bonita…), o Du Gomide, Bernardo Bravo e Fernando Lobo (que fará uma participação no concerto do Porto, onde passa uma temporada).

Lemoskine vai passar por Portugal nas seguintes datas:

18.05 | Musicbox, Lisboa

20.05 | Convento do Carmo, Braga

21.05 | Meu Mercedes, Porto

Nota: respostas do entrevistado em Português do Brasil, para fiabilidade em relação ao discurso.