The Colour In Anything
Fonte: http://dayandadream.com/

“The Colour In Anything” de James Blake: Não se ouve, sente-se

A espera foi longa, mas poucos sabiam aquilo que se avizinhava. Na edição da passada quinta-feira (5) no BBC Radio ShowJames Blake anunciara que o seu próximo álbum sairia à meia noite. Sem grandes anúncios ou tempo para fazer uma contagem decrescente infindável, The Colour In Everytinhg foi lançado tal como prometido.

Poder-se-ia dizer que este álbum traz mais do mesmo. Não se estaria completamente errado, mas mesmo assim, James Blake conseguiu elevar a fasquia e trazer um disco fantástico, com música que não se fica pelos ouvidos, que percorre todo o corpo, trazendo sensações diversas.

É impossível apontar pontos fracos a este álbum. Blake fez um trabalho irrepreensível neste The Colour In Anything, pintando o disco com pinceladas de R n b e sintetizadores, numa tela de soul e eletrónica. Numa palavra, trata-se de um disco soberbo.

O álbum abre com Radio Silence, um tema que não é totalmente surpresa para os fãs, uma vez que já fora tocado em várias atuações do cantor, nomeadamente na última edição do NOS Alive. O tom delicado do piano juntamente com a rispidez eletrónica fazem deste tema um bom mote de entrada para este universo do novo projeto do artista britânico.

Se poucos viam romantismo e sensualidade na sonoridade de James Blake, é impossível não identificá-los na terceira faixa deste The Colour In Anything. Um ritmo lento, a melodia apaixonada de Blake, e um registo instrumental suave marcam a primeira parte de Love Me In Whatever Way. 2:58 minutos passam desde o início da faixa, o músico profere o título da canção, e a música eleva-se a todo um outro nível. Um arranjo de sintetizadores surge no fundo e é impossível não ficar agarrado a este momento, desejando-o para sempre.

A faixa seguinte denota uma das características deste novo projeto: Timeless. Um tom mais obscuro toma conta do ambiente, um pouco à semelhança de Digital Lion no álbum anterior. Desta vez, a carga transmitida pela sonoridade é ainda mais pesada. A certo momento, a tensão aumenta com o chamariz eletrónico. De seguida, James Blake desprende-se de todo o aparato musical e faz-se acompanhar apenas por um piano em f.o.r.e.v.e.r.. Em menos de três minutos, o artista prova que mesmo com pouco consegue produzir boa música, algo que se pode constatar ao longo do reportório do cantor. Basta ouvir DLM em OvergrownA Case of You em Enough Thunder, Give Me Back My Month no álbum de estreia. Ainda neste álbum, o tema homónimo revela também esta faceta musical simples, mas nem por isso menos tocante.

A certo momento, James Blake introduz um toque mais dreamy com um toque meio RnB com a música Put That Away And Talk To Me. Em Waves Know Shores, somos completamente embalados pelo ritmo do arranjo musical de fundo, que tem tanto de imponente como de singelo. Choose Me dá também algo ao qual não estamos habituados a ouvir no registo de James Blake: um coro de sobreposições vocais faz-se acompanhar de um beat que quase resvala para o rap. Num segundo momento da música, e a partir do terceiro minuto o ouvinte viaja ao longo de uma melodia apaixonante.

Chegamos agora a um dos momentos mais aguardados do álbum, a colaboração com Justin Vernon dos Bon Iver. Uma harmonia etérea e cerimonial abre este I Need A Forest Fire. Um ritmo calmante avança ao longo de mais de quatro minutos. Depois de Fall Creek Boys Choir, Blake e Vernon provam mais uma vez que conseguem produzir autênticas maravilhas em uníssono.

Modern Soul, o primeiro tema a ser revelado, é o hino deste The Colour In Anything. A letra é daquelas que certamente o público cantará mais facilmente nas atuações ao vivo, pois foi a ouvir Modern Soul que muitos sonharam com a data em que teriam acesso a este álbum na íntegra. É sem dúvida um marco nesta nova fase da carreira de James Blake, mais experimental, um pouco mais eletrónico, com sonoridades completamente renovadas.

Uma outra novidade vem na faixa Always. Ao estilo habitual de Blake juntam-se uns apontamentos que roçam no pop. E eis que chegamos à faixa final deste álbum, Meet You In The Maze. Uma sobreposição vocal em vários tons em acapella relembra Measurements, do primeiro álbum do cantor. Os vários versos desta música são separados por breves segundos de silêncio, conferindo um tom cerimonial e de despedida.

The Colour In Anything mostra uma clara evolução de James Blake, com momentos mais arriscados e inesperados. Ao terceiro disco, o músico soube manter o seu estilo e ao mesmo tempo renová-lo, não tornando o seu registo demasiado “batido” e gasto. Sem dúvida que este é um dos melhores álbuns do ano!

Nota Final: 10/10

Ouve já The Colour In Anything no Spotify:

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