Num mês abalado por dias de sol e chuva, nada como ir ao teatro para passar o tempo ou admirar a arquitetura de um lugar. Neste Lisboa vs Porto apresentamos alguns dos teatros que continuam a ser marcos de história quer na Cidade das Sete Colinas, quer na cidade Invicta. As luzes da ribalta ainda atraem vários públicos em Portugal. Apesar da urbanização em Lisboa e no Porto, as metrópoles continuam a ter vários espectadores que continuam a gostar de ver as emoções nuas e cruas de uma peça num palco ao vivo e a cores.

Muitos dos teatros acabam por se tornar num marco histórico de uma região, polvilhados por inúmeras presenças ilustres de atores, cineastas e variadas audiências. Lisboa e Porto também têm os seus palcos e nesta rubrica damos-te a conhecer alguns deles.

Lisboa

Teatro São Luiz

13162168_1123426037709420_1827711895_n Foi no final do século XIX que Guilherme Silvéria, ator e empresário emigrado no Brasil, chegou a Portugal com o desejo de investir aquilo que tinha amealhado nos últimos anos fora do país. Juntando-se a vários outros empresários, entre os quais o Visconde São Luiz de Braga, construiu-se o teatro batizado então de D. Amélia, junto à rua que hoje dá pelo nome de António Maria Cardoso (Chiado). Inaugurado em 1894, o teatro ardeu quase totalmente em 1914 e, após pertencer a várias famílias, é batizado com o nome de hoje: Teatro São Luiz, em homenagem ao visconde. 13152878_1123426031042754_666161036_n Durante toda a sua história o teatro foi precursor em Portugal, tanto com a chegada do cinema como do “sonoro”. Em 1971 foi adquirido pela Câmara Municipal de Lisboa na mudança de século sofreu uma grande intervenção de restauro, tendo sido até 2013 a residência permanente da Companhia Nacional de Teatro. 13115594_1123426034376087_1092316782_n Além da sala principal e da sala-estúdio Mário Viegas, o São Luiz Teatro Municipal conta ainda com o palco Jardim de Inverno, em que podem ser realizados espetáculos de música, teatro, tertúlias, conferências ou até jantares. 13128885_1123426041042753_1857763388_o Os amantes de gastronomia também não ficam desapontados. O chefe José Avillez abriu no teatro o seu primeiro bar gastronómico, que além de cocktails, cervejas artesanais e vinhos, oferece ainda os mais variados menus de degustação, ao som de playlists preparadas pelo DJ Ramboiage. Podes fazer uma visita guiada virtual aqui.

Teatro Maria Matos

13184772_10153857885953248_260338901_o O Teatro Maria Matos localiza-se em pleno coração de Lisboa, na Avenida Frei Miguel Contreiras, mesmo em frente à estação de comboios de Roma-Areeiro. A sua inauguração ocorreu a 22 de outubro de 1969, depois de 6 anos de construção do edifício onde se encontra situado (um edifício projetado para acolher também um cinema e um hotel). A inauguração ficou a cargo da peça Tombo no Inferno de Aquilino Ribeiro. Depois da compra pela Câmara Municipal de Lisboa, o teatro deixa de ter uma companhia residente, como tinha sido realidade até então e passa a acolher vários projetos independentes de menos dimensão. Esteve fechado no período entre 2004 e 2006 para obras de requalificação que lhe deram o aspeto moderno que tem hoje. Desde 2008 que a direção artística está a cargo de Mark Deputter o que significou uma mudança em relação às peças que acolhe: a aposta agora está nos criadores nacionais, no experimentalismo e na contemporaneidade performativa. 13181085_10153857884253248_333465822_n Acolhe projetos de teatro, dança e música especialmente vocacionados para crianças e jovens. Os temas preferidos são os da atualidade, que promovem debates e intervenções no espaço público – o Teatro Maria Matos tenta promover sobretudo um teatro social e politicamente ativo. Nesse sentido, encontra-se inserido em várias redes europeias que promovem isso mesmo, como a Imagine 20 20 e a House on Fire. 13161053_10153857885303248_2029209396_o Hoje em dia, funciona, no mesmo espaço, o café que está aberto ao público em geral e que serve cocktails, sumos de fruta e comida biológica.

Porto

Teatro Rivoli

Teatro-Rivoli.137 Inaugurado em 1913, na altura com o nome de Teatro Nacional este estabelecimento foi idealizado pelo arquiteto Júlio José de Brito e foi construído na Praça D. João I no coração da cidade. Nos anos 20 o teatro foi alvo de várias remodelações devido às mudanças que se notavam no centro urbano na altura. Foi em 1923 que o Teatro Nacional passou a ser conhecido como Teatro Rivoli e, durante os anos que se seguiram, o estabelecimento começou a exibir teatro, cinema mudo, ópera e concertos. Contudo, o Teatro Rivoli passou por vários momentos atribulados ao longo dos anos. Durante a década de 70 ocorreu uma má situação financeira que afetou seriamente a imagem do teatro: o edifício começou a ficar degradado, não tinha equipamentos atualizados e não conseguia ter programa de espetáculos regular, muito menos manter um público regular. Felizmente, a Câmara do Porto avançou com a compra do Teatro Rivoli com o objetivo de proceder à recuperação do estabelecimento. Porto_Teatro_Rivoli_4 Em 1992 o arquiteto Pedro Ramalho avançou com um novo projeto de arquitetura que visava remodelar o Rivoli. Essa iniciativa resultou em novas adições (de entre as quais se pode referir um auditório secundário, um café-concerto, uma sala de ensaios e um Foyer para artistas), assim como um alargar do espaço de 6000 metros quadrados para 11000. Cinco anos depois o Teatro Rivoli abriu com uma imagem renovada. Teatro_Rivoli_Porto_3295 Em 2006 surgiu uma nova atribulação quando a Câmara do Porto resolveu proceder à privatização do teatro, uma decisão que desagradou a vários portuenses. Após a gestão ter passado por quatro anos para o encenador Filipe La Féria, o Rivoli passou para as mãos da Cultura da Câmara Municipal do Porto.

Atualmente o teatro continua a ser um palco para o género de eventos que sempre apresentou no seu programa, embora também existam iniciativas ligadas à literatura, workshops, exposições de artes, marionetas, entre outras variedades.

Teatro Sá da Bandeira

13153317_1040533986011745_1761215010_n O Teatro Sá da Bandeira, no coração da cidade Invicta, surgiu pela primeira vez a 4 de agosto de 1855, com o nome de Teatro Circo, e construído em madeira por D. José Toudon Ferrer Catalon para a sua companhia equestre. O edifício durou ainda doze anos, antes de ter sido completamente demolido e reconstruído desta vez em pedra e cal em 1867, mantendo-se até aos dias de hoje. Em finais dos anos 70, quando a abertura da Rua de Sá da Bandeira permitiu um acesso mais facilitado ao teatro, o nome foi mudado para Teatro-Circo do Príncipe Real.

Rapidamente, esta casa de espetáculos apresentou alguns dos mais conceituados artistas do teatro e do cinema. A famosa atriz francesa Sarah Bernhardt apresentou-se nos palcos do Teatro-Circo do Príncipe Real em novembro de 1895 com as peças A Dama das Camélias e Fedora, assim como alguns dos primeiros trabalhos cinematográficos foram apresentados. A 17 de julho de 1896, o Animatógrafo fez lá a sua primeira apresentação (do eletricista Sr. Rousby) e o cineasta Aurélio da Paz dos Reis apresentou também os primeiros trabalhos cinematográficos portugueses. Em 1910, após a Implantação da República, o teatro voltou a mudar de nome para Sá da Bandeira, designação que o acompanha até aos dias de hoje. Após a morte do empresário Afonso Taveiro, durante os ensaios da revista O dia de Juízo, o seu mentor Arnaldo Moreira da Rocha Brito tornou-se no novo gerente, fazendo com que, em 1916, o teatro fosse completamente remodelado, tornando-se “um dos melhores e mais ostentosos do norte”, segundo a imprensa da época. 13149882_1040533996011744_531873263_n Desde então, o Teatro Sá da Bandeira tem apresentado inúmeros espetáculos, não apenas teatro e cinema, mas também circo, ópera, opereta, revista e concertos de música clássica. Aos domingos de manhã era comum a orquestra do Norte da Emissora Nacional dar concertos aos estudantes, em sessões de entrada livre, dirigidas pelo maestro Silva Pereira. Pelo teatro passaram também nomes ilustres como Vasco Santana, Beatriz Costa, Raul Solnado e Eunice Muñoz. Texto da autoria das Alfacinhas Inês Chaíça e  Serenela Moreira e dos Tripeiros Sara Sampaio e Tiago Costa