Nos últimos anos muitos são os realizadores que usam como pano de fundo dos seus trabalhos a típica premissa da crise de meia idade, personificada por alguém que a todo o custo tenta superar o clima de putrefação que a sua vida tem enfrentado.  No entanto, nem todos têm a capacidade para criar algo mais que uma história banal repleta de clichés e pretensiosidade, resultando, assim, em algo que nada de memorável e de novo traz à arte do cinema. É o caso de Negócio das Arábias, o mais recente filme de Tom Tykwer, que chega hoje às salas portuguesas.

Baseado na obra de David Eggers de 2012 com o mesmo nome, Negócio das Arábias ambienta-se momentos após a grande recessão de 2008 e conta a história de Alan Clay (Tom Hanks), um homem que, após perder a sua casa e a sua mulher e a fim de evitar abrir falência, se muda para a Arábia Saudita para vender um sistema de tele-conferência holográfica ao regime árabe. Uma vez na Arábia Saudita, Alan é confrontado com toda a realidade deste país, evidenciando inúmeras dificuldades de adaptação à sua nova vida e a toda a nova cultura que o circunda. De facto, parece-nos haver uma linha narrativa vincada e definida do filme mas, ao longo do seu procedimento, dá-nos a sensação que o mesmo se foca levemente em certos aspetos, deixando-os com relativa rapidez para segundo plano.

No decorrer do filme, Alan conhece Zahara (Sarita Choudhury), uma médica árabe por quem se acaba por apaixonar. Ora, este romance vivido por ambos rapidamente se torna o centro de todo o enredo, e os negócios que catapultaram Alan para o Médio Oriente passam a ser abordados de forma extremamente desinteressada e com brevidade, o que contribui para a falta de coerência narrativa e de qualidade técnica de que este filme padece. Contudo, a forma como esta relação se desenrola e todas as vicissitudes e peripécias enfrentadas pelo casal é, sem dúvida, um dos aspetos positivos do filme, uma vez que aborda de forma pura e dinâmica uma situação que na sociedade moderna ainda é tabu em certos pontos do globo: a falta da liberdade das mulheres e, consequentemente, o seu condicionamento face às normas vigentes estabelecidas no meio em que habitam. 

Não obstante a abordagem dessa problemática, a verdade é que, em Negócio das Arábias, não se dá o tempo nem a atenção necessários para explorar as referências aos vários problemas que na era contemporânea ainda persistem. Opta-se, portanto, por tentar ser-se engraçado, forçando piadas que acabam por tirar toda a graça ao filme, tentando ligá-lo e torná-lo coeso através de uma série de planos sequência e de uma cinematografia minimamente competente, quando tudo não passa de uma verdadeira confusão e de pontas soltas.

Competente está igualmente o trabalho do seu elenco: Tom Hanks tem um desempenho formidável, como é costume, mas a verdadeira surpresa é, indubitavelmente, Sarita Choudhury, que nos presenteia com uma prestação verdadeiramente próxima e honesta do que é ser mulher na Arábia Saudita.

Em suma, Negócio das Arábias é mais uma película onde o convencional e a pretensiosidade andam de mãos dadas, culminando numa grande “salganhada” que nada de memorável traz à sétima arte. Trata-se, então, de um “negócio” que ao fim e ao cabo acaba por ser um fiasco. Poderia ter sido um negócio melhor? Sim, sem dúvida!

 4,5/10

 

Ficha Técnica

Título: A Hologram for the king

Realizador: Tom Tykwer

Argumento: Tom Tyker, David Eggers

Elenco: Tom Hanks, Sarita Choudhury, Alexander Black

Género: Comédia

Duração: 98 minutos