Regra geral, a primeira temporada de uma série é a mais surpreendente e cativante. Quando chegamos à terceira temporada, já pouco nos pode apanhar desprevenidos e passamos a acompanhar a história das personagens que nos prenderam ao ecrã. The Good Wife não foi assim. É seguro dizer que de temporada para temporada os escritores conseguiram dar-nos voltas e reviravoltas que nos faziam ansiar pelo próximo episódio.

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A obra de arte terá sido mesmo a quinta temporada, pois não só teve um enredo magnífico como conseguiu superar algo que muitas vezes dita o fim de uma série: a despedida de uma das personagens principais. Sim, na quinta temporada, os fãs puderam ver um virar na relação de Will e Alicia, tendo Josh Charles chegado mesmo a abandonar a série (por vontade própria, mas mesmo assim…).

Seja pelos atores, pelo enredo ou até pelos casos de advocacia que fomos conhecendo, enumeramos vários motivos pelos quais The Good Wife foi um marco na televisão.

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As personagens principais
É seguro dizer que, para uma mulher, é mais difícil desvincular-se de um grande papel em televisão do que para um homem. Fazendo até a ponte com esta série, se George Clooney se destacou em vários papéis depois de E.R., Julianna Margulies não teve a mesma sorte. Sim, a atriz teve algumas participações em séries, mas nenhuma lhe trouxe o reconhecimento que The Good Wife conseguiu.

Margulies dá vida à brilhante Alicia Florrick, uma personagem que amadurece e muda aos nossos olhos, de dia para dia. Se Alicia começou como uma dona de casa suburbana (sem ofensa às senhoras de Wisteria Lane), depressa se tornou num dos nomes mais admirados e poderosos de Chicago. Como uma personagem não se faz sozinha, teve um elenco de luxo a apoiá-la. Mr. Big passou de ser conhecido como o príncipe de uma comédia romântica para dar vida ao (pouco escrupuloso) Peter Florrick, num desempenho também notável de Chris Noth.

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Uma série de advogados não pode estar completa sem se falar nos pesos pesados da firma. Christine Baranksi, a impecável Diane Lockhart, e Matt Czuchry (que tantos suspiros trouxe de Gilmore Girls) no papel de Cary Agos fazem, juntamente com Alicia, o trio que todos queremos que nos defenda em tribunal.

 

As personagens secundárias

Alan Cumming. Este nome poderia talvez descrever tudo o que uma personagem secundária deve e pode ser. Eli Gold reúne em si o dilema entre o mundo da política e o sentido de moralismo que rege a sociedade. E a catarse da personagem nesta última temporada, admitindo para com Alicia o segredo que podia destruir a sua relação, provou mais uma vez o porquê de Cumming ser um dos atores que prova que ainda vale a pena ver séries.

Archie Panjabi, a saudosa Kalinda, cativou-nos com a sua relação com Alicia e com a sua própria maneira de ser e dualidade na lealdade. A cena do elevador (e é incrível a quantidade de séries que têm momentos-chave nos elevadores) vai ser sempre a melhor cena de Kalinda. Pena que o mundo dos bastidores façam com que muitas vezes os atores queiram sair das séries. Mas num mundo ideal, Kalinda e Alicia vão ser sempre o power duo da firma.

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As personagens recorrentes

Criar personagens principais fortes não é fácil. Criar personagens secundárias que as sustentem ao mesmo tempo que brilham menos ainda. Criar personagens recorrentes que nos entusiasmam e que queremos ver de volta, é inqualificável. Destaque para Zach Grenier, o  calculista David Lee que, mesmo sendo o que aparenta ter menos escrúpulos, nos prende ao ecrã (um pouco como o antagonista T-Bag, que ganhava todas as cenas em que entrava em Prison Break).

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Do lado dos “bandidos”, o trio Lemond Bishop (Mike Colter), Colin Sweeney (Dylan Baker) e Neil Gross (John Benjamin Hickey) ganha todos os momentos e acompanhou-nos verdadeiramente ao longo destes sete anos.

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Os advogados

Will e Diane são os manda-chuva lá do sítio. Com Alicia e Cary, acompanhamos o duro trajeto de um advogado à procura do seu lugar num mundo extremamente competitivo. Mas os advogados que foram participando na série, rivalizam e muito na barra dos tribunais. Nomes como Michael J. FoxChush Jumbo e Anna Camp abrilhantaram a série, mas quem roubou verdadeiramente o ecrã foi Mammie Gummer, dando vida à “ingénua” Nancy Crozier, e as divas Carrie Preston e Martha Plimpton.

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Se Elsbeth Tascioni é possivelmente a mais brilhante e excêntrica advogada de sempre, com uma mente indecifrável, Patti Nyholm rouba todas as cenas em que entra (e tem um Emmy pela participação em The Good Wife que o comprova)

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Os juízes

Is that in your opinion?” A dona desta frase é nada mais nada menos do que Patrice Lessner, interpretada por Ana Gasteyer, uma das juízas mais fora do comum da série. Como o  mundo de advogados só ficaria completo, naturalmente, com um conjunto de juízes à altura, e na memória ficam certamente o indecifrável Charles Abernathy (Denis O’Hare – na foto em baixo), o durão Peter Dunaway (Kurt Fuller) e a militar Leora Kuhn (Linda Emond), que quase nos levou dos tribunais de The Good Wife aos tribunais de JAG.

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Os momentos

Foram tantos e tão bons que seria uma traição à memória enumerá-los todos. O amadurecimento de Alicia, a sua relação com Will, a morte de Will, as falcatruas de Peter, as perícias de balística, os investigadores, os diálogos acesos na barra dos tribunais, o mundo da advocacia em Chicago, os altos e baixos que acompanharam todas as personagens, os clientes mais ou menos honestos, as conspirações mais ou menos bem conseguidas. Esta série, que tanto nos agarrou ao ecrã e que por tanto passou (a morte de Tony Scott foi seguramente um golpe duro), conseguiu conquistar fãs e prémios ao longo destes sete anos. E se o que é bom depressa acaba, The Good Wife chega ao fim desta jornada na altura certa, sem nunca engonhar ou descurar da escrita e do desenvolvimento das personagens. Cheers!

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