Parece que as grande parte das pessoas dedicadas à atividade artística e literária têm hábitos excêntricos, superstições e manias peculiares. E ainda que estas estranhas rotinas apenas façam sentido para a pessoa que as cria, é sempre interessante ver quais os métodos de alguns dos escritores mais conhecidos. Dos mais saudáveis aos mais destrutivos, dos práticos aos supersticiosos, aqui ficam algumas das manias e hábitos dos escritores.

Os que fazem exercício

Fonte: TED Talks

Fonte: TED Talks

De entre os escritores de bestsellers, existem os adeptos da “mente sã, corpo são”, que combinam a escrita com o exercício físico. A. J. Jacobs, jornalista imersivo e autor de Drop Dead Healthy, escreve enquanto anda numa passadeira. Maira Kalman, prolífica escritora de And the Pursuit of Happiness e The Principles of Uncertainty, sublinha que andar não só a ajuda a estar ativa fisicamente, como também lhe proporciona estímulos com os quais escreve os seus livros, segundo reportagem do Brain Pickings.

Mas há quem leve o hábito do exercício um pouco mais além: Haruki Murakami, das Crónicas do Pássaro de Corda e 1Q84, adotou uma rotina de correr dez quilómetros e/ou nadar 1500 metros todos os dias. Kurt Vonnegut, escritor de Pequeno-Almoço dos Campeões, também corria e nadava, além de fazer flexões e abdominais todos os dias.

…e os que escrevem deitados

Fonte: The Self Actual

Fonte: The Self Actual

Em contraste, há escritores que encontram a sua inspiração quando estão deitados. George Orwell, Mark Twain, Woody Allen e Marcel Proust são alguns dos que constam na lista dos adeptos do sofá ou cama . Truman Capote era conhecido por afirmar não conseguir pensar a não ser que estivesse deitado.

Meios peculiares

Fonte: Telegraph

Fonte: Telegraph

Em 1951, após ter passado anos a planear a sua obra On the Road, Jack Kerouac escreveu o livro de uma só vez num rolo de papel composto por várias folhas coladas umas às outras – um formato que, apesar de ter considerado adequado, visto conseguir ser rápido, sem pausas para recarregar a máquina de escrever, causou grandes complicações entre ele e o seu editor.

James Joyce, além de outro dos adeptos de escrever deitado, escrevia ainda com lápis de cor grossos e enquanto vestia um casaco branco. Isto, porém, mais que apenas uma excentricidade, era aparentemente uma necessidade: o escritor de Ulisses sofria de problemas graves de visão, pelo que o casaco branco o ajudava a refletir a luz e os lápis grossos, a ver o que escrevia.

Os supersticiosos

Fonte: Wikimedia Commons

Fonte: Wikimedia Commons

Isabel Allende, autora de O Caderno de Maya, começa a escrever todos os seus romances a 8 de janeiro. A escritora começou o seu primeiro romance de 1982, A Casa dos Espíritos, nessa data, e continuou a fazê-lo por superstição. Porém, atualmente já não se trata de uma superstição, segundo contou ao Havard Business Review, mas sim de uma questão de “hábito e disciplina“, visto que, devido ao facto de ter uma vida tão ocupada, “ter uma data fixa para começar a escrever é bom para si e para toda a gente à sua volta“.

Mas era Truman Capote quem tinha mais que se lhe diga: além do seu hábito de escrever deitado, o escritor não começava ou acabava o seu trabalho em sextas-feiras, trocava de quarto de hotel se o número de telefone do quarto tivesse 13, e nunca tinha mais que três beatas no cinzeiro.

Sob o efeito de drogas

Fonte: Dazed

Fonte: Dazed

Não pretendemos com isto associar talento literário ao consumo de estupefacientes; mas não é segredo que muitos escritores hoje aclamados admitem escrever sob o efeito de substâncias. Esta associação terá ganho força na beat generation, e conseguiu propagar-se até aos dias de hoje em determinados círculos.

William S. Burroughs, escritor prolífico natural dos EUA, escreveu dezenas de obras, entre as quais Refeição Nua e Junkie, e foi pioneiro da literatura experimental na época da beat generation. Apesar de também ser conhecido por ter morto a esposa quando balançou um copo na cabeça dela, declarou que o iria acertar com um tiro e errou, acertando-a mortalmente (facto ao qual atribui o início da sua carreira literária). Muita escrita de Burroughs era resultado do consumo de drogas, especificamente heroína. Hunter S. Thompson, escritor também norte-americano, e autor de Medo e Delírio em Las Vegas, incluía o consumo de drogas, de entre as quais cocaína em grandes quantidades, na sua rotina diária.

Até Stephen King admitiu, segundo a sua biografia, que passou grande parte dos anos oitenta sob o efeito de tanta cocaína e álcool que “nem se lembrava de ter escrito” durante essa altura. Em On Writing, porém, ao reviver o seu passado, King rejeita esta associação e afirma:

“A ideia de que a atividade criativa e as substâncias psicoativas estão relacionadas é um dos mitos pop-intelectuais do nosso tempo.