Se no início de janeiro, quando voltou a ser editado o manifesto de Adolf Hitler, a procura já ultrapassava por quatro vezes a oferta, não é de estranhar que esta edição, de quase duas mil páginas, lidere a lista de livros de não-ficção mais populares na Alemanha. A lista é avançada pela revista semanal alemã Der Spiegel, publicação de referência e de grande circulação.

Dividida em dois volumes, a obra foi organizada por uma equipa de investigadores, encabeçada por Christina Hartmann, e publicada pelo Instituto de História Contemporânea de Munique. É a primeira edição autorizada pelo governo da Baviera, que possui os direitos da obra desde a morte de Hitler, no fim da Segunda Grande Guerra.

Apesar do receio de que uma maior circulação da obra pudesse alimentar os movimentos neonazis, a venda nunca foi proibida, sendo possível encontrá-la em alfarrabistas e online. Desde a sua primeira edição em 1925 até à capitulação do III Reich, em 1945, foram impressos mais de 12 milhões de exemplares, segundo o diário espanhol ABC.

Fonte: Deutsche Welle

Fonte: Deutsche Welle

Setenta anos após a morte do autor, os direitos do manifesto caducaram no final de 2015, de acordo com a lei alemã, e a procura pelo livro persiste. Segundo o diário El País, 24 mil cópias foram vendidas nas primeiras semanas. O diretor do Instituto de História Contemporânea confessou à Der Spiegel estar “absolutamente surpreendido com o interesse que o livro suscitou” mas garante que quem compra os dois volumes são “académicos e leitores interessados em história. O livro não é divertido para neonazis”.

Considerando que muitas livrarias alemãs se recusaram a apresentar esta edição crítica ou qualquer informação da mesma por iniciativa própria, só a vendendo a clientes que a solicitassem, o sucesso desta edição é ainda mais surpreendente. Um pouco por toda a Europa, edições do manifesto começaram a surgir após a prescrição dos direitos de autor – Em Portugal, a da E-Primatur tem uma introdução do politólogo António Costa Pinto.

O manifesto começou a ser escrito por Hitler em 1924 enquanto cumpria pena em Landsberg, e foi concluído na sua residência na Baviera. Na Alemanha, é ainda alimentado o debate entre aqueles que defendem que a obra deve ser estudada nas escolas, como alerta para os perigos do extremismo político, e aqueles que defendem que jovem algum deve estar exposto ao pensamento de Hitler.