O Espalha-Factos fez questão de estar presente no espetáculo que marcou o regresso dos Stomp a Lisboa. Depois de terem espalhado o seu ritmo pela Figueira da Foz e pelo Porto, foi a vez do público do Centro Cultural de Belém (CCB) assistir a esta performance.

De dia 12 a 17 de abril, o grupo britânico esteve em Lisboa, enchendo o Grande Auditório do CCB logo na estreia. À semelhança da primeira vez em Portugal, os Stomp trouxeram consigo o ritmo, a coordenação e o talento que lhes é conhecido, não tivessem claro o sucesso gigantesco que têm por todo o Mundo.

Um pouco apreensivos, mas muito curiosos, marcámos presença na plateia e logo aquele cenário nos impressionou. Durante quase duas horas de espetáculo, bem junto do palco e sem nunca desviar o olhar, mantivemo-nos atentos a cada passo e batida dos oito artistas.

Foto: Divulgação

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Começa o espetáculo…

A um e um, com vassouras em punho e varrendo o chão de forma sincronizada, os artistas vão entrando, criando uma cadência que nos deixa logo com vontade de saltar também para cima do palco. Com todos em cena, pode começar o espetáculo. Ao ritmo junta-se dança, as expressões corporais e uma dose generosa de humor que apela à interação com o público.

Sucedem-se várias cenas, todas elas com um fio condutor e sempre com elementos surpresa. Nunca se sabe qual será o próximo objeto que nos vai dar música, mas é o humor a ligação que leva a que nunca nos percamos. Aí a expectativa aumenta, cada vez mais, à medida que vamos sendo surpreendidos.

Apenas com expressões e pequenos sons universais, é incrível a forma como o grupo interage com a plateia, a leva à gargalhada e ainda a torna parte da performance através das suas palmas.

Excelentes exemplos são dois números onde recorrem a lava-loiças e a jornais, provavelmente os momentos mais hilariantes de todo o espetáculo. E sem recurso a qualquer palavra.

Através destes vídeos, disponíveis em várias redes sociais, podemos constatar que, apesar do alinhamento dos espetáculos ser sempre muito idêntico, as atuações dos Stomp variam especialmente nestes momentos com mais humor. A forma como os vários artistas (outros nestes vídeos) vão interagindo com o público e, claro, a forma como esse vai reagindo aos incentivos, leva-nos a crer que o improviso é outro forte deste grupo.

Além do humor, o espetáculo visual

Por outro lado, há outros números que se tornam visualmente fabulosos, como é o caso da orquestra de luzes, onde isqueiros acendem e apagam. Um jogo de luzes e sons que exige uma sincronia e coordenação perfeitas, algo em que os Stomp não falham.

Entre cenas mais calmas e harmoniosas, surgem claro os instrumentos mais barulhentos, onde o ritmo aumenta. Todos dançam e usufruem o momento e alguns apresentam inclusive solos de percussão e acrobacias. Do palco emana uma enorme alegria e satisfação, sentimentos que a própria plateia acaba por experimentar e que, em termos visuais, se torna também muito interessante e diferente.

Entre vassouras, isqueiros, sacos, carrinhos de compras, caixotes, jornais, tubos, bidões, areia, chapas e outros elementos metálicos, a tudo se recorre naquele espetáculo de percussão que transporta o público para um estaleiro de obras. Toda e qualquer ferramenta ou objeto comum torna-se, inesperadamente, num instrumento de música e dança, cativando sempre pela originalidade.

A ideia surgiu em 1991, em Brighton, no Reino Unido. Luke Cresswell e Steve McNicholas estrearam o espetáculo no Festival Fringe de Edimburgo.

Mesmo após 25 anos de existência, os Stomp provaram-nos que o seu trabalho continua e continuará sempre a ser único e a ser capaz de nos surpreender! Um grupo com um talento sublime que transformou esta mistura de concerto de percussão e de teatro de rua numa forma de arte e entretenimento universal.