Capitão Fausto Têm Os Dias Contados

A mocidade nunca mais vai servir aos Capitão Fausto

Capitão Fausto Têm Os Dias Contados é o terceiro álbum de uma banda que diz adeus à mocidade. Depois do rock de Gazela e do psicadelismo de Pesar o Sol, os Capitão Fausto regressam mais adultos.

Nota final: 9/10

Quando em 2011 os Capitão Fausto pregavam que a Verdade era que “o mundo tem que mudar“, não pensavam que, passados cinco anos, o mundo continuaria o mesmo mas que quem mudaria seriam eles. Os estudos acabaram. É chegada a fase de fazer vida própria, sair de casa da mãe. Mais perto de serem pais do que filhos.

Capitão Fausto Têm Os Dias Contados é um desses discos que só nasce a cada dez anos. Há quem diga que é o melhor desde o último dos Ornatos Violeta, mas as comparações não podem ser feitas. No entanto, pode dizer-se que é o melhor álbum nacional desde há alguns anos. Dois Mil e Dezasseis tem sido generoso. Não está a ser mau mas já pode chegar ao fim porque vamos de barriga cheia.

O T5 de Alvalade que os rapazes habitam deixou as malas da juventude à porta. Os tempos em que a burguesia de Lisboa fazia letras por diversão acabou, pois “a mocidade nunca mais nos vai servir”. Não precisamos de ir muito fundo no disco para o perceber. A sonoridade de Morro na Praia, faixa de abertura, tem a maturidade do oitavo álbum dos Beatles, sendo que Semana em Semana parece extraído do mesmo.

Amanhã Tou Melhor contou com algum ceticismo em relação a ser um bom single. Rapidamente se desmascarou o melhor single possível. A guitarra abre lugar às teclas que sempre lá estiveram, mas só agora cresceram. Surgem flautas, trompetes, violoncelos. Os refrões têm mais harmonias, estão mais melodiosamente belos. Todo o disco está assustadoramente belo. Assustadoramente, porque nos agarra demasiado.

As inquietações de um ser adulto, as questões de uma juventude passada, o fisco que bate à porta. Se eu não crescer, eu vou morrer debaixo das saias da mãe onde eu ’tou tão bem.”  O futuro não é um lugar de brincadeiras, e eles perceberam-no a tempo. “Nunca esquecer que a mocidade para nós chegou ao fim”. Levantamo-nos das nossas cadeiras, metemos a mão ao peito e gritamos em uníssono “Oh captain, my captain!“, enquanto vemos a mocidade despedir-se dos Capitão Fausto.

O álbum pode ser ouvido na íntegra aqui:

Depois do concerto de ontem na Casa da Música, os Capitão Fausto rumam dia 23 de abril ao Party Sleep Repeat, em São João da Madeira, e dias 28 e 29 ao Lux, em Lisboa.

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