Eu, Tu e a Terapeuta, de Eduarda Laia, estreou dia 7 de abril, às 21h45, e permanecerá em cena até dia 24, no Teatro da Trindade INATEL. Para maiores de 16 anos, um retrato tão dramático quanto humorístico do que podem ser as relações amorosas.

Com encenação de Hugo Franco, Joana Bastos e Miguel Dias dão vida a Cecília e Henrique, um casal a atravessar a chamada crise dos sete anos. Isabel Ribas interpreta a terapeuta a que Cecília decide recorrer, apesar da relutância do marido. Somos convidados a assistir à primeira sessão,  no ambiente íntimo que, sem qualquer esforço, a Sala Estúdio proporciona: não existe palco, partilha-se o mesmo chão e as cadeiras destinadas ao público formam um círculo, cujo centro é ocupado pelos atores.

Photo by: Rui Raposo (www.ruiraposo.weebly.com)

Fotografia: Rui Raposo 

Quais as razões que levam um casal a precisar de terapia?

Feitas as apresentações e colocada a questão primordial, Henrique faz questão de deixar claro o seu desinteresse e ceticismo em relação aos problemas que, segundo a sua mulher, os levaram a marcar uma sessão de terapia de casal. A partir desse momento, inaugura-se o campo de batalha, no qual a terapeuta tentará funcionar como mediadora, oferecendo-lhes a oportunidade de relembrarem o momento em que, pela primeira vez, se imaginaram juntos para o resto das suas vidas.

No entanto, a história começou com uma mentira e, ao longo da sessão, será fácil perceber que não foi a única. Ainda assim, a terapeuta tentará ensinar-lhes do que é feita uma relação. Não será fácil perante as provocações de Henrique, que incluem um gaja-comando, e a dramaticidade de Cecília, que chora sempre que lhe parece conveniente. De qualquer forma, manter uma relação saudável é uma tarefa árdua que exige tempo e dedicação.

“Eu nunca tive um orgasmo” – Cecília (Joana Bastos) em Eu, Tu e a Terapeuta

Conversa-se sobre a obrigação de decorar datas comemorativas, da qualidade e frequência das relações sexuais do casal, das mulheres que falam em código e do atraso cognitivo dos homens. Discute-se sobre a necessidade de ver jogos à hora do jantar e a importância de comprar os legumes certos.  Mas, à medida que o tempo passa, os factos e os sentimentos partilhados dão origem a discussões tão desastrosas que a terapeuta desiste de os ajudar.

Photo by: Rui Raposo (www.ruiraposo.weebly.com)

Fotografia: Rui Raposo 

Cecília e Henrique são, efetivamente, um caso perdido. Por outro lado, algumas situações são tão familiares – ou porque já as vivemos ou porque as observámos – que é impossível não criar empatia com as personagens, tal como acontece quando a terapeuta, num monólogo comovente, nos confidencia que o seu casamento falhou e que não percebe como é que aquela “tansa” [da Cecília] a apanhou.

Eu, Tu e a Terapeuta não é apenas uma sessão de terapia de casal, mas de grupo, da qual o público também poderá beneficiar. Até dia 24 de abril, no Teatro da Trindade INATEL, é possível adquirir bilhete (10€) através da Ticketline.