A segunda temporada de Outlander estreou sábado, dia 9 de abril, no canal Starz e o Espalha-Factos traz-te a review do primeiro episódio. Claire e Jamie estão prestes a embrenhar-se nas políticas e no glamour da corte francesa do século XVIII. Mas, primeiro, as linhas temporais começam a misturar-se e regressamos a 1948.

Apanhando desde logo o espetador de surpresa, o episódio começa com Claire (Caitriona Balfe) involuntariamente de volta ao século XX. Quando encontra um automobilista na estrada, apressa-se a perguntar, desesperada, em que ano estão e quem ganhou a batalha de Culloden. Ao saber da derrota inevitável dos escoceses, Claire cai ao chão desolada e em lágrimas.

Ficamos então a saber que se passaram dois anos desde que Claire viajou no tempo para a Escócia de 1743 e a reunião com o marido, Frank Randall (Tobias Menzies), espera-se cheia de complicações.

Outlander

Por um lado, enquanto estava no século XVIII, Claire conheceu e casou com um bonito e corajoso jovem escocês, Jamie Fraser (Sam Heughan). Por outro, juntos, Claire e Jamie mal escaparam das garras do cruel capitão Jack Randall (também Tobias Menzies), um antepassado de Frank, assustadoramente parecido com ele. Pior do que isso, Claire encontra-se grávida – com o bebé de Jamie.

A enfermeira inglesa luta para se habituar de novo ao barulho e à vida do século XX, mas, principalmente, para se habituar a um mundo sem Jamie que, ao que tudo indica, ficou para trás, decidido a tomar parte na Batalha de Culloden, entre o exército inglês e os rebeldes escoceses. Claire parece dar como certa a morte de Jamie e fica obcecada em encontrar nos livros de história algo que o confirme. Depois, há o facto de que, cada vez que o marido se aproxima dela, Claire se lembra das maldades que Jack Randall lhe infligiu.

Frank tenta perceber tudo o que sucedeu à mulher nos dois anos em que esta esteve desaparecida. Tudo isto conduz a uma triste, mas excelente cena entre o casal, em que Claire revela que viajou no tempo, esteve com outro homem e, por fim, que está grávida dele. Por um momento, Frank parece tomado por uma fúria mais próprio do seu antepassado, mas acaba por se acalmar.

De facto, ainda mais desolador é o momento em que Frank aceita criar a criança da mulher como se fosse sua, na condição de que Claire não fique presa em pensamentos sobre Jamie. Em lágrimas, ela acaba por concordar, afirmando que o próprio Jamie lhe pediu que o deixasse para trás e tentasse ser feliz.

Outlander Season 2 2016

Claire e Frank rumam, assim, aos Estados Unidos da América, em busca de um recomeço para o seu casamento. É então que, finalmente, voltamos ao passado, via flashback. Aqui, Claire viajava com Jamie e Murtagah (Duncan Lacroix), e os três acabaram de chegar à costa francesa.

As sequelas do violento encontro com Jack Randall no final da primeira temporada estão bem visíveis, principalmente em Jamie que, para além da mão aleijada e das costas cheias de cicatrizes, vive ainda com feridas psicológicas. O espírito do escocês fica ainda mais atormentado quando Claire propõe que, a partir da corte francesa, tentem destruir os esforços da rebelião escocesa contra os ingleses. Embora saiba que a derrota é certa, Jamie não consegue deixar de sentir que deveria estar a ajudar os rebeldes e não a impedi-los.

De qualquer modo, Jamie acaba por aceder ao pedido de Claire e os dois encontram-se com um primo de Jamie, Jared Fraser (Robert Cavanah), que está envolvido na tentativa de revolta. Depois de algumas dúvidas em relação à lealdade de Jamie, rapidamente saciadas ao ver o estado das suas costas, Jared concorda em apresentar os protagonistas aos responsáveis pela mesma. A partir daí, Jamie quer, secretamente, infiltrar a rebelião e desviar os fundos que o rei e a corte francesa estão a oferecer. 

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Entretanto, os protagonistas não demoram muito a fazer um novo inimigo – afinal qualquer boa história precisa de um vilão. Desta feita, trata-se de Comte St. Germain (Stanley Weber), cujo navio é destruído após Claire revelar que os passageiros a bordo sofriam de varíola. Nas palavras do próprio Jamie: “Another country, another enemy. Life with you is certainly never dull, Sassenach.

A primeira temporada foi aclamada pelos críticos e transformou tanto Caitriona Balfe como Sam Heughan em estrelas em ascensão em Hollywood. As interpretações dos dois atores, bem como a notável química que partilham, continuam irrepreensíveis neste primeiro episódio – se bem que é provável que os fãs mais devotos reclamem da falta de cenas mais quentes entre Jamie e Claire – mas, conhecendo a série, haverá certamente tempo para tal em episódios futuros.

Balfe, em particular, parte-nos o coração na primeira metade do episódio. Tanto que nem sequer há reclamações a fazer por ter de esperar até mais de metade do episódio para que Jamie volte a aparecer no ecrã. Muito também se deve à prestação de Tobias Menzies no papel de Frank, que faz um contraste avassalador com a sua interpretação de Jack Randall na temporada anterior – de vilão sádico a marido ansioso por rever a esposa.

Outlander tem um cada vez um maior e mais ambicioso trabalho pela frente à medida que adapta a coleção de livros do mesmo nome, escrita por Diana Gabaldon. Trata-se, ao mesmo tempo, de um romance histórico e de um conto feminista, com viagens no tempo à mistura, para complicar as coisas. Mas, pelo menos até agora, a série tem tido sucesso na sua missão, auxiliada por um excelente design de produção, com especial destaque para o guarda-roupa. 

Para além de acertar em cheio no emoção, o que esta season premiere faz de melhor é deixar o espectador com sede de saber mais. Impõem-se várias perguntas: como é que Claire regressou ao século XX? Será que Jamie morreu mesmo na Batalha de Culloden? Ou irão os dois voltar a encontrar-se? Este episódio promete uma temporada tão ou mais viciante do que a anterior. Resta saber se Outlander irá continuar a atingir as elevadas expectativas dos fãs. 

NOTA: 9/10