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Foto: Catarina Veiga

Steve McCurry esteve em Lisboa e trouxe consigo a “India”

Steve McCurry passou pela Barbado Gallery, em Lisboa, para inaugurar a sua primeira exposição individual em Portugal. Dezenas de pessoas estiveram presentes na apresentação no passado dia 9 de abril. 

A hora marcada para abertura da exposição era às 21h. Mas por volta das 20h30 já a montra da galeria se encontrava repleta de olhares curiosos. As cortinas foram retiradas e já se podiam espreitar as fotografias da exposição India nas paredes. Steve McCurry entrou na Barbado Gallery a horas certas e logo que as portas da galeria se abriram, de imediato, a sala ficou cheia.

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Minutos antes do começo da apresentação. Foto: Catarina Veiga

Pela primeira vez com uma exposição individual em Portugal

Steve McCurry era o foco da noite. O fotógrafo iniciou o seu percurso num jornal local nos EUA, viajou por seis continentes e trouxe ao mundo ocidental o rosto do conflito no Afeganistão. A Rapariga Afegã exposta na capa da National Geographic, em 1984, foi um dos pontos chave do seu trabalho.

A Barbado Gallery, dedicada à mostra de fotografia de autores contemporâneos, já expôs mais trabalhos do fotógrafo desde a sua inauguração no ano passado. Mas esta foi a primeira vez que Steve McCurry apresentou uma exposição individual em Portugal, que ao Espalha-Factos, mesmo na agitação, confessou ser um país “do melhor” para se fotografar.

Nesta noite o indicador geográfico apontava a Índia. O país asiático é conhecido como uma das suas paixões. O fascínio pela diversidade cultural fez com que viajasse mais de 80 vezes para lá, tendo cerca de 15.000 fotografias em arquivo. Da primeira vez, apenas levava um saco com roupa e outro com película, percorrendo o país. É dessa paixão que se compôs a Barbado Gallery na noite passada, com 20 fotografias de 1983 a 2010.

Holi Man. Foto: Catarina Veiga
Holi Man. Foto: Catarina Veiga

A sessão de autógrafos não parou durante toda a apresentação

Era difícil chegar ao icónico fotógrafo. McCurry rodeou-se, durante as duas horas em que esteve na galeria, de apaixonados pela sua obra, numa sessão de autógrafos com catálogos da exposição ou com revistas da National Geographic, em que suas fotografias foram capa.

A sala foi também captada pelas máquinas de muitos fotógrafos que quiseram registar o momento de uma das referências da fotografia. Quer para portefólios pessoais ou para divulgação, a lente nesta noite foi apontada para Steve McCurry.

“A Índia é como um labirinto para a nossa percepção”

Foi difícil a quem quisesse assumir o papel de apreciador da sua obra. A sala não parou de receber visitantes e olhar de perto o mestre da fotografia na atualidade tornou-se uma missão quase impossível. E, de facto, é de olhares que se faz esta exposição. Desde o olhar direto de Rabari Tribal Elder (2010) ou de um olhar atravessado por uma janela de vidro em Mother and Child at Car Window (1993), as fotografias de Steve McCurry revestem-se de um colorido e um jogo de olhares que estimulam a exploração de pormenores.

“É aquela foto da capa”, diziam alguns sobre Man with Sewing Machine (1983). Outros  visitantes apontavam certos detalhes na luz  que entra em Men Praying in Mosque (1998) de ou na ação das figuras de Dust Storm (1983).  E ainda houve quem na agitação conseguisse apreciar o azul e o reflexo do Taj Mahal em Man and Taj Reflection (1999).

 

As fotografias da exposição India têm uma beleza contraditória. Se a paleta intensa de cores as torna- nas num elemento estético e suscitam a descoberta, muitas das situações que as acompanham fazem delas um mistério.

Rajasthan Stepwell (2002) e Bicycles on Side of Train (1983) são exemplos dessa dualidade entre forma e conteúdo. Se na primeira as escadas, que duas mulheres atravessam, são um autêntico labirinto na segunda os olhares dos passageiros no comboio representam um elemento urbano essencial na Índia: o comboio é utilizado por cerca de 20 milhões de pessoas.

Como refere Gonçalo Cadilhe no prefácio do catálogo da exposição: “A Índia é como um labirinto para a nossa percepção – Steve McCurry não nos mostra este labirinto visto de cima mas as suas fotos são como setas que nos indicam o caminho para a saída.”

As fotografias também estão disponíveis no livro India, da Phaidon Press. A exposição tem entrada livre e está patente até ao dia 9 de junho, de terça a sábado, das 11h às 20h.

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