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‘Nuts for Papers’, produtos estacionários feitos à mão em Portugal

Mafalda Fernandes, apaixonada por design gráfico, ilustração e tipografia, criou em 2013, e em conjunto com uma amiga de longa data, a Nuts for Papers, uma linha de produtos estacionários feitos à mão. Atualmente a trabalhar sozinha, continua a construir (e a viver) a sua vida de sonho.

“Parecia-me fascinante dar vida a um texto, conceito ou ideia através do desenho.”

Licenciada em Design e com uma pós-graduação em Design e Cultura Visual no IADE, fez ainda, de forma pontual, formação na Ar.Co – Centro de Arte & Comunicação Visual na área da ilustração. “O bichinho da ilustração” é, contudo, de infância, ainda que só o tenha começado a levar a sério quando entrou no secundário. Ainda assim foi aos 13 anos que descobriu “a maravilha dos livros que ensinavam técnicas de desenhar”, embora a sua parte favorita dissesse respeito aos materiais. Nessa altura, desenhar era apenas uma paixão secreta que não tinha a certeza que se pudesse transformar na sua profissão. Foi no seu primeiro ano de faculdade que Mafalda criou o hábito de ter sempre um diário gráfico e nunca mais parou de desenhar diariamente. O seu estilo de desenho costuma ser categorizado como ilustração infantil, embora a própria considere que este se enquadre mais no segmento infanto-juvenil.

Quando inicia o processo de criar Mafalda “começa sempre pelo trabalho que não se vê.” Refere-se ao “trabalho intelectual – pesquisa e ideias.” Mafalda só passa para o papel quando está pronta para testar o conceito. “A fase de realização do desenho/ilustração ou design às vezes é rápida, outras vezes é lenta, mas depende sempre das limitações/parâmetros e objetivos do projeto.” Acrescenta que quanto mais definidos estiverem os parâmetros e os objetivos, mais direto será o processo criativo. Tudo o que a rodeia a inspira. “Quanto mais coisas vejo, leio e vivo mais inspirada fico.” 

Quanto a influências e referências na área da ilustração nomeia uma extensa lista – Marguerite Sauvage, Frannerd, Mais2, Anke Weckmann, Teagan White, Lisa Congdon, Foyaland, Iraville, Oana Befort, Gemma Corell, Ghostco, Thompson Craig, Mike Mignola, Dave Mckean, Hugo Pratt, Aubrey Beardsley – e acrescenta “entre outros”.

Quando o seu percurso académico chegou ao fim, conta que esteve uns tempos sozinha em casa sem saber que o fazer a seguir. “Tinha uma amiga que estava na mesma situação e decidi desafiá-la a fazermos algo relacionado com design, ilustração e cadernos.”

“Doidas por Papel. Tinha tudo a ver com o que queríamos fazer na altura – produtos de estacionário.”

Nuts for Papers resultou do processo de brainstorming. Os esquilos, mascotes oficiais, surgiram por causa do termo nuts, que também significa nozes. “Inicialmente com uma componente muito manual, não só os cadernos eram feitos à mão como eram pintados à mão. Com o tempo o projeto cresceu e transformou-se.” Desde 2015 que Mafalda trabalha sozinha e praticamente a tempo inteiro. Atualmente, as capas dos cadernos são impressas e existem ainda agendas e livros de receitas.

“Tenho ideia de criar algo com as personagens que criei para a Nuts for Paper –  os esquilos. Mas também gostava de fazer algo completamente diferente e colaborar com outras pessoas.” – Mafalda Fernandes, quando confrontada com a possibilidade de criar banda desenhada

Apesar de admitir que gostava que a Nuts for Papers chegasse a mais pessoas, confessa que o seu crescimento tem sido bom, a um ritmo que é capaz de acompanhar e que a permite dar sempre resposta às necessidades do cliente e do projeto. Afinal de contas, o tempo que demora a criar algo “depende muito dos produtos. Uma agenda entre a criação de conteúdos, impressão e acabamentos demora em média demora entre umas 36horas a 48horas (que na maioria das vezes não são seguidas). Um caderno, pin ou outro produto que tenha uma ilustração pode demorar umas 12h entre a conceção e a criação do produto final.”

“Tenho que ter preços justos, pois é disto que vivo.”

No que diz respeito aos preços, tenta que sejam sempre competitivos em relação ao mercado, razão pela qual já desistiu de criar certos produtos, “exatamente pelo preço final em que ficariam.” Por outro lado, a maioria dos produtos são feitos por encomenda, possuem componente manual e são quase únicos, “quando não são mesmo únicos”, daí não poderem ser vendidos “como se fossem produtos produzidos em massa.” A valorização do seu trabalho é considerada a maior dificuldade no mercado. “Ainda há muita gente que acha que são uns rabiscos e está feito. Por outro lado os ilustradores e designers precisam de se valorizar o seu trabalho e pedir o preço justo ao cliente, só assim o mercado poderá ser mais justo para todos.”

A verdade é que os produtos da Nuts for Papers já apareceram no site da Country Living Magazine, no The Kitchn, no Talented Girls, um blogue francês sobre mulheres empreendedoras, fizeram parte de uma caixa mistério sobre Portugal na Nos Curieux Voyageurs, apareceram duas vezes na Time Out Lisboa e uma vez na revista Burda Style Portugal.

“Juntamente com a Ana Luísa do Doce para o meu Doce criámos um livro de receitas extra especial!”
Caderno de Receitas Doce para o meu Doce by Nuts for Papers

Mafalda criou ainda, e na altura acompanhada pela sua parceira de negócio, duas edições limitadas e exclusivas, em parceria com bloggers nacionais: um caderno de receitas com a Ana Luísa, do Doce para o meu Doce, e cadernos de viagens com a Joana, do Viajar em Família. “Pontualmente há menções espontâneas sobre os produtos Nuts for Paper tanto em blogs internacionais como nacionais.” Mas, de qualquer forma, estas são apenas algumas das vitórias do projeto e, para o futuro, “há sempre produtos a melhorar, novas ideias a concretizar. Parar é que não!”

“Num mundo cada vez mais virtual acho que é necessário qualquer ilustrador ou designer gráfico ter um espaço virtual só seu onde possa partilhar não só o seu portfolio como os seus projetos pessoais, até o seu processo criativo e opiniões.”

É possível seguir a Mafalda através da página da Nuts for Papers ou no seu blogue, onde assina como A outra Mafalda. É “A outra Mafalda porque já existe a Mafalda do Quino.” Uma Mafalda que partilha não só o seu trabalho profissional como as suas aventuras mais pessoais através do seu diário gráfico. Para quem gosta de desenhar (ou só de admirar), há espaço para dicas sobre materiais, reportagens fotográficas a exposições, um desafio de desenho diário e muito mais.

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