Estreia hoje em Portugal 10 Cloverfield Lane. Quando foi anunciado o nome e o trailer deste projeto surpresa que conta com J.J Abrams como produtor, o público ficou em êxtase: estava, finalmente, a caminho uma sequela para Nome de Código: Cloverfield (2008) e parecia ser fantástica. No entanto, após visionamento, a nossa opinião não é a mais positiva para os fãs do primeiro filme.

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Realizado por Dan Trachtenberg, 10 Cloverfield Lane teve as suas origens num guião que se dirigia a um tipo de filme de orçamento extremamente baixo e intitulado de The Cellar. É talvez por esta razão que a versão final levada a cabo pela companhia Bad Robot proporcione à audiência o sentimento que se encontra a ver um filme independente. Este sentimento decorre do conceito da película e de como esta o apresenta: toda a ação desenvolve-se essencialmente num só espaço e é nesse pequeno lugar que o espectador é introduzido às personagens, observa as suas interações e o seu progresso emocional e toma conhecimento do mundo em que as mesmas habitam. Num tom de mistério, a fita estabelece também um jogo psicológico de tons sérios que, mesmo durante um eventual momento de alívio cómico, está sempre presente e permanece sempre desconfortante. Além disso, esse mesmo jogo psicológico transpõe-se de uma forma muito fluida e natural para a audiência, que dá por si a questionar o que vê da mesma forma que Emmett (John Gallagher Jr.) e Michelle (Mary Elizabeth Winstead) se interrogam perante o que Howard (John Goodman) lhes conta. Durante todo este cenário, o build-up é construído no passo certo até explodir (no sentido positivo da palavra) com o momento mais inesperado do filme.

10 Cloverfield Lane

 

No entanto, a partir do momento da detonação do enredo, todo o filme muda por completo… e para pior. Todo o jogo psicológico construído durante a peça cinematográfica é completamente descartado, apenas para ser trocado pelo típico blockbuster, o que leva a uma conclusão insatisfatória e irrealista do progresso da personagem interpretada por Mary Elizabeth Winstead. Com uma apresentação completamente diferente, percebe-se claramente que toda esta sequência final da obra foi adicionada com o intuito de integrar o filme e o guião original no franchise de Cloverfield, integração essa conseguida de uma forma dececionante e incoerente.

 

10 Cloverfield Lane acaba deste modo por ser o oposto de um filme memorável. Apesar de ter uma primeira parte excelente – que conjuga um argumento bem redigido e uma narrativa cativante com uma banda sonora de excelente qualidade composta por Bear McCreary -, o seu final à estilo de Hollywood é uma desilusão que desfaz tudo aquilo que havia sido conseguido até a altura. Torna-se assim numa peça sem coragem de cumprir o que promete durante quase toda a sua duração, numa montanha-russa que vai até ao topo, mas que, infelizmente, nunca chega a descer.

6/10

Ficha Técnica
Título: 10 Cloverfield Lane
Realizador: Dan Trachtenberg
Argumento: Josh Campbell, Matthew Stuecken, Damien Chazelle
Elenco: Mary Elizabeth Winstead, John Goodman, John Gallagher Jr.
Género: Terror, Drama, Thriller
Duração: 103 minutos