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Fotografia: Raquel Dias da Silva

Sequin, a miúda do electro pop, transformou o Musicbox no jardim de Eden

[Nota: fotogalerias em atualização.]

Sequin apresentou o seu EP Eden dia um de abril, no Musicbox. Com o duo Sr. Inominável a iniciar a noite e o DJ Set de Xinobi a terminar, preveu-se uma casa cheia e, sobretudo, um público ansioso por experienciar as melodias doces e os sons delicados da miúda do electro pop.

O evento está marcado para as 22:30, mas o Musicbox enche-se sem pressas, com o público a aflorar próximo ao palco, Gorillaz a intercetar as conversas sussurradas e as luzes azuis e vermelhas a refletirem caleidoscópios violetas no chão negro.

“A magia reside nas letras, em bom português, de Pedro Rio-Tinto e Ricardo Lemos.”

Quando não um mas dois Sr. Inominável aparecem em palco, os fotógrafos lançam-se no desafio de registar a fotografia mais carimástica. Mas a magia reside nas letras, em bom português, de Pedro Rio-Tinto e Ricardo Lemos. Diretamente de Viana do Castelo, ambos com camisa ao xadrez, encantam com o seu pop-rock ao estilo de Salto ou, se recuarmos um pouco mais, Heróis do Mar.

D’Estalo é o disco de estreia, em que o amor é não só o ponto de partida como o de chegada, e nota-se, claro, alguma familiaridade do público com os temas, sobretudo com os que nos convidam para àquele irrecusável pézinho de dança. Destaca-se, contudo, Foi por Ela, a única versão da noite, uma canção de Fausto Bordalo Dias, presente na Coletânea Atrás dos Tempos Vêm Tempos (1996).

Entre o som das guitarras, das portentosas linhas de baixo e de baterias orgânicas, a noite começa feliz e o Sr. Inominável despede-se com Corre por Aí, a canção que diz que faz os pés levitar. Por alguma razão é o single de anunciação do álbum e, “o coração não mente”, percebe-se porquê.

Está na hora de Sequin. Para os mais desatentos, o facto de não se conseguir ir até à outra ponta do espaço sem ser espremido é sinal que chegue. Ana Miró é o seu nome de batismo. Nasceu em Évora e lançou o seu álbum de estreia, que se distingue sobretudo por um imaginário oriental, em abril de 2014.

A melancolia corrente no seu primeiro trabalho encontra-se também, e fortemente, presente em Eden, o EP que agora apresenta e que é constituído por algumas músicas compostas ainda antes de Penelope.  O single Ellipse é o exemplo perfeito do saudosismo que lhe é característico e, em particular, símbolo de uma evolução que assenta num “exercício de regresso a esse jardim onde começou, inocente, crua e quase despida de artíficios”.

Embora se note o amadurecimento, já esperado, no seu registo de canções pop eletrónicas, marcadas por uma dinâmica rítmica e um sentido melódico evidentes, o público não resiste aos beats mais dançáveis, como Physical (um cover da música da Olivia Newton-John) ou Flamingo (do álbum Penelope), que não é nada difícil de sentir ao contrário do que diz a letra.

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“Sobressai num género predominantemente masculino, não por ser mulher mas por ser talentosa.”

Eden, por sua vez, remete a um tempo mais simples. Nota-se uma maior vulnerabilidade e as músicas sentem-se menos alegres, embora com a mesma capacidade de nos embalar, em virtude da voz quente e envolvente da ousada Miró – que se sobressai num género predominantemente masculino, não por ser mulher mas por ser talentosa.

Destaca-se ainda a presença das bailarinas, Sara Ferraz e Carla Madalena, que brilham ao lado de Sequin e contribuem para um espetáculo com uma dimensão performativa hipnotizadora. A coreografia de Beijing é a grande vencedora e a canção parece ser a preferida, não fosse o disco pedido para a tradicional “mais uma” após o anunciado final. “Oh but Beijing, this party is over/ And I wanna go/ I wanna go”, diz a letra enquanto o público deseja é ficar mais um bocadinho. De qualquer forma, a dose repetir-se-à dia 8 de abril, no Praxis Club, em Évora, o berço de Miró.

“Ainda há tempo suficiente para abanar o capacete – e ainda bem.”

É a vez, finalmente dizem algumas vozes, de Xinobi, o alterego de Bruno Cardoso. Conhecido internacionalmente pelas suas remisturas, é criador de sons que reavivam o groove da disco e do funk, sem deixar de lado o house e a música eletrónica. O seu DJ Set é sinal de que a noite está perto do fim mas há tempo suficiente para abanar o capacete – e ainda bem.

Fotografias por Raquel Dias da Silva

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