Sirumba dos Linda Martini é o quarto disco da banda portuguesa. Três anos depois de Turbo Lento e dez anos depois do primeiro álbum, os Linda Martini encontram o seu balanço.

Nota final: 7,5/10

Sinto-me obrigado a deixar um aviso ao leitor. Nunca fui fã de Linda Martini. Descobri-os tardiamente e, quando os descobri, não me fizeram ficar. Cheguei a comprar o Olhos de Mongol por me sentir impelido a entrar na moda. Não consegui. Tendo isto em mente, a leitura pode prosseguir.

Estávamos em  março quando o primeiro single do álbum foi lançado. Eu encontrava-me numa daquelas aulas em que o professor não quer bem saber, e os alunos ainda querem saber menos. Ainda por cima uma sala com computadores. Lembro-me de me rir do nome: Unicórnio de Sta Engrácia. Meti os auscultadores e ouvi. Os três minutos e quarenta e nove segundos da canção deixaram-me… estupefato. Na verdade, se o álbum seguisse aquela linha era desta que eu ia entrar na moda, pensava eu. Isto porque, se eu não ligo à parte Linda Martini do Hélio, sou defensor acérrimo da sua parte PAUS.

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Um mês depois, Sirumba está cá fora. Apresso-me a ouvir e encontro uma banda diferente. A essência está lá mas mais calma, menos agressiva. A atitude in your face a que nos habituaram não foi totalmente deixada de lado mas estamos agora perante uns Linda Martini que preferem poupar, pelo menos um pouco, as cordas vocais.

O pedal de distorção está menos tempo ligado. Isso é positivo. Há lugar a mais melodia. As músicas são mais fluídas e menos presas a riffs explosivos. O derradeiro exemplo disso está em O Dia Em Que A Música Morreu que, em opinião própria, é o exponente máximo de Sirumba.

A saturação que havia em Turbo Lento foi substituída por uma mística lírico-melancólica. Seria de esperar que Dentes de Mentiroso estaria munida de uma voz rasgante. Mas não. Há uma explosão musical mas, com uma calma aparente, surge uma voz paradoxal. Isto é uma regra em quase todo o álbum.

Uma coisa é certa, há muito mais voz. As letras continuam como um dos focos principais da banda. Um dos pontos positivos que dei desde que os comecei a ouvir, admito. Os trocadilhos permanecem. Os duplos significados duplicam-se. O significado é inatingível? Não, apenas se molda ao intérprete.

Nem tudo é novo. A parecença quase imediata que Unicórnio de Sta Engrácia demonstra com a sonoridade PAUSiana não vem só. Putos Bons mostra que o volume dos instrumentos ainda consegue tapar um pouco o volume da voz. Isto já são os Linda Martini que conhecemos.

Ler mais: Crítica a “Mitra” dos PAUS

Sirumba pode ser ouvido na íntegra aqui: