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Foto: Visualhunt

Dia Mundial do Teatro: as mensagens de quem pisa o palco

É Dia Mundial do Teatro e quem melhor para falar sobre ele senão aqueles que estão em cima do palco ou os que nos proporcionam o prazer de ver um espetáculo pelo invisível trabalho dos bastidores? Do teatro mais profissional ao mais amador, o Espalha-Factos recolheu mensagens de quem, de alguma forma, faz desta arte a sua vida.

Elmano Sancho, ator, encenador e dramaturgo

Em 'O Regresso a casa'. Foto: Jorge Gonçalves
Em ‘O Regresso a casa’. Foto: Jorge Gonçalves

“Nos últimos anos, no Dia Mundial do Teatro, felizmente, estive em cena. Digo felizmente porque tem sido, para mim, a melhor maneira de participar e dar o meu contributo. Este ano não será assim. Domingo serei espectador. Vou diluir-me na massa e falar com as pessoas. Vou discutir ideias, não só com os fazedores de Teatro mas também com o público em geral e com desconhecidos. Vou tentar perder a noção do tempo e dedicar-me mais ao que caracterizou uma época e se tem vindo a perder : tertúlias à volta de uma mesa, para falar de Teatro sem as correrias impostas pela vida moderna. Porque esse é também o lugar do Teatro.”

Francisco Pereira de Almeida, ator

Francisco Pereira de Almeida em palco | Foto: Facebook Francisco Pereira de Almeida
Francisco Pereira de Almeida em palco | Foto: Facebook Francisco Pereira de Almeida

“Na nossa vida, estamos repletos de salas, quartos, cozinhas, paredes e mais paredes. No teatro, existe uma sala mágica onde podes ter salas, quartos, cozinhas e paredes. Ou então podes não ter nada disso, existe uma sala e uma vontade. Mas também pode não existir sala, sentes-te em casa na mesma. Uma luz, não é só uma luz, uma palavra não é só uma palavra e o silêncio. É-me difícil falar do teatro, parece que tudo o que possa dizer se torna clichê. Acabar de dizer isto parece-me clichê. O teatro está acima disso tudo, a imparcialidade torna-se complicada para todos nós. O teatro não é um clichê, a nossa falta de imparcialidade não é um defeito é um contágio. A palavra magia é a melhor definição que arranjo para o teatro, seja lá o que isso for para cada um.”

Luís Palma Gomes, autor e ator

Luís Palma Gomes em 'A Moura', da sua autoria, no Teatro Passagem de Nível
Luís Palma Gomes como Conde em ‘A Moura’, peça da sua autoria, no Teatro Passagem de Nível. | Foto: Duarte Belo

“Há 15.500 atrás, à luz da fogueira, um caçador conta aos outros membros da tribo, com palavras e gestos, as peripécias da última caçada. Desta forma simples, permite que todos os outros experimentem aqueles acontecimentos por ele vividos ou imaginados. Este hipotético espetáculo revela-nos a natureza vital e primordial do teatro. Ele abriga-se na cultura e nos genes dos sobreviventes – aqueles que tiveram o arrojo de contar uma história e os que tiveram a humildade da presenciar. O teatro é uma arte tão permanente quanto a espécie humana.”

Siobhan Fernandes, assistente de encenação e estudante de artes do espetáculo-interpretação

Siobhan Fernandes, assistente de encenação no TPN, como Tamora em Actos i(n)mundos
Siobhan Fernandes como Tamora em ‘Actos i(n)mundos’, com encenação de Vítor Sezinando, no âmbito do curso de Artes do Espetáculo-interpretação na Escola Secundária D. Pedro V | Foto: São Ludovino

“O teatro são os órgãos, os desejos e vontades. Um espelho sem reflexo e uma luz ofuscante que queima mas ao mesmo tempo congela. É a palavra gritada e sussurrada, que é sentida e desdobrada. O teatro é o oceano e nós somos os peixes.” 

Tânia Catarino, atriz amadora com formação pela Escola de Teatro Raul Solnado

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Tânia Catarino nos bastidores em Esmoriz | Foto: Raquel Dias da Silva

“O teatro é um estado de alma que reflecte todas as emoções e sensações que guardo no meu interior. Pisar o palco, como atriz que sou de um grupo de teatro amador, faz-me sentir mais completa. É um sentimento que me preenche e que todos os dias me ensina a ser mais generosa, a saber ouvir os outros, a ver a vida a partir de outras perspectivas e a dar mais de mim por uma causa tão nobre. Por isso recomendo vivamente que se apoie esta arte, que tanto tem para nos ensinar como para nos entreter, e que as pessoas vão mais vezes ao teatro!”

André Tenente, ator e diretor de comunicação no Teatro Passagem de Nível

André Tenente em palco, ao centro-esquerda, como Pagem em 'A Moura', de Luís Palma Gomes
André Tenente em palco, ao centro-esquerda, como Pagem em ‘A Moura’, de Luís Palma Gomes | Foto: Duarte Belo

“Festejem, soltem os balões e preguem as tábuas; saltem, riam, pulem; chorem, sintam. Movam-se, imersos, para o eco das cortinas que se abrem. Sentem-se, larguem a ditadura tecnológica. Sintam-se e aproveitem o espectáculo a começar!”

Mauro Gomes, estudante universitário e membro do Grupo de Teatro da Nova

Uma das personagens mais desafiantes interpretadas em PANICA de Alejandro Jordorowsky apresentada o ano passado pelo GTN - Grupo de Teatro da NOVA, com a encenação de Marina Albuquerque
Uma das personagens mais desafiantes interpretadas em ‘PANICA’ de Alejandro Jordorowsky apresentada o ano passado pelo GTN – Grupo de Teatro da NOVA, com a encenação de Marina Albuquerque. Foto: FATELA – Grupo de Teatro Miguel Torga

“Se eu pudesse definir o Teatro numa só palavra seria: apaixonante. E porquê? Porque o teatro é das artes mais belas e desafiadoras de sempre! Um universo autêntico composto pelos planetas Representação, Encenação, Produção, Criatividade e por tantos outros unidos por uma estrela que os faz brilhar chamada Entrega. Sem entrega, o Teatro não existe. Apesar de estar a viver uma autêntica tortura por ter abdicado um ano dele, uma parte de mim já é o Teatro. Mas mais do que isso, não o podemos deixar desvanecer. E por essa razão, mais do que ler ou apoiar, vá ao TEATRO! Não se vai arrepender.”

Daniel Silva, membro do grupo de teatro da Escola Secundária Dr. Jorge Correia (Tavira)

Daniel Silva em palco no Cineteatro de Tavira
Daniel Silva em palco no Cineteatro de Tavira

“Teatro é arte ao vivo. Uma peça é preparada e ensaiada mil vezes para que possa acontecer. Não existem cortes ou paragens para corrigir erros, por isso tudo o que acontece no momento fica no momento. Mas é essa a graça de representar, o que fazemos em cima do palco não é apagado, tudo fica marcado, tanto em nós como em quem nos assiste.”

Marta Correia, atriz no Grupo de Teatro da Nova

Marta Correia, em destaque, num ensaio do GTN | Foto: Diogo Vale

“Quem procura fazer teatro, fá-lo por paixão! Quem procura integrar um grupo de teatro universitário vem ver o teatro na sua plenitude. Ser e fazer os outros felizes! Hoje em dia, o teatro, tal como a maioria das formas de cultura, ultrapassa uma fase difícil! Não há investimento e a falta de apoios acarreta muitas dificuldades, principalmente para os grupos pequenos. Quem vive esta experiência dá muito de si – os atores são também figurinistas, produtores, cenógrafos, técnicos de som e de luz, investidores… No final, tudo compensa se tivermos o lucro esperado: o reconhecimento do nosso esforço – muitos aplausos e boas críticas!”

Recolha realizada por Raquel Dias da Silva e Rita Mata-Seta Pereira

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