webPDL2016_gregory_batardon_50A8420
Foto: Gregory Batardon

Margarida Trigueiros, a dançar de Macau, pelo Algarve, até Zurique

No início de fevereiro, Margarida Trigueiros participou numa das mais prestigiadas competições para jovens bailarinos: o Prix de Lausanne. Neste momento, está a terminar os estudos em Zurique. Aproveitamos para fazer uma passagem pelo percurso da bailarina, enquanto decorre um dos concursos em que já participou em Faro: o Dançarte

No caminho da dança

Nasceu em Macau, em 1997, e três anos depois os pais inscrevem-na nas aulas de dança. Nem a mudança para o Algarve a fez parar. Aos cinco anos, Margarida Trigueiros entra na escola da Companhia de Dança do Algarve. Desses tempos recorda o professor Evgeniy Belyaev, a professora Natalia Abramova e todos os espetáculos que apresentou. Mas aos 12 anos, o que era um hobbie passou a ser um percurso profissional. “Aos 12 eu disse aos meus pais que queria seguir uma carreira profissional, então nós começamos à procura de uma escola mais profissional”, conta.

A escola selecionada foi a Tanz Akademie Zurich, na Suíça. Margarida tinha um amigo que conheceu no Algarve, estudou em Zurique e lhe aconselhou a escola. Fez audições e entrou. Estando neste momento no último ano, já pode dizer: “É uma escola que nos prepara muito bem para a vida profissional e também nos prepara a nível da mente.”

Neste caminho pela preparação profissional, o dia de Margarida começa bem cedo. Por volta das 7h da manhã chega à escola, onde começa a aquecer para as aulas práticas das 9h. “Preciso de muito tempo para aquecer”, brinca com a sua rotina. Entre as lições de pontas, pas de deux (duetos), moderno ou improvisação, tem também aulas mais teóricas. Num dia normal termina às 17h. “Mas só no primeiro semestre é que os dias são normais, porque depois começamos a ter ensaios e preparação para concursos e ensaios extra, então acabamos sempre mais tarde, por volta das 19h”, esclarece.

Fussspuren XI (Julho 2015). Foto: Bettina Stöss

Esforço esse que que tem valido a pena, pois foi uma das selecionadas para o Prix de Lausanne 2016.

Uma passagem por Lausanne

“Tinha esperanças de ser selecionada, mas eu sou muito negativa”, começa por contar-nos sobre o Prix de Lausanne. “Eu sou muito perfecionista e daí não me achar boa o suficiente para fazer certas coisas”, acrescenta. E foi nesta tentativa de encontrar a ‘perfeição’ que Margarida viu na competição algo positivo. “Não fui para ganhar. Fui para ganhar experiência e para conhecer novos professores, novas pessoas importantes no mundo da dança e a esse nível consegui o que estava à espera”, afirma.

webPDL2016_photo_gregory_batardon_50A45601
Na inscrição do Prix de Lausanne. Foto: Gregory Batardon

Sobre o nervosismo associado a um evento como este, a jovem bailarina revela-nos que estava à espera que os nervos fossem mais. “Devo dizer que estava mais nervosa por causa do palco, que é inclinado, mas acabei por me adaptar bem.” Palco esse onde dançou Lead variation, Ato II de Paquita e em contemporâneo A Sagração da Primavera de Richard Wherlock. Quanto a essa competição, Margarida afirma que não existiam sentimentos de rivalidade nos bastidores. “Estávamos todos super felizes por lá estarmos”, recorda.

No ensaio de clássico do Prix de Lausanne. Foto: Gregory Batardon

De Lausanne trouxe recomendações do júri: “Geralmente eu sou muito tímida a dançar e o júri disse-me no final que me tinha de abrir mais”. Também do concurso trouxe uma proposta de bolsa para a companhia jovem do Royal Ballet Flandres. Ainda em ponderação, revela que as condições da companhia não são muito atrativas: “Gostava de arranjar um contrato mais fixo.”

Uma procura pelo futuro

Este é o último ano na escola e a procura por um contrato intensifica-se. Nessa busca importa que a companhia se adapte ao seu estilo e que ofereça condições de trabalho. “Por exemplo, eu gosto de contemporâneo, mas eu nunca iria para uma companhia que seja só de contemporâneo”, afirma dizendo preferir o clássico. Devido a esta procura tem sido difícil ter tempos livres. Com a maioria das audições ao domingo e depois com o Prix de Lausanne tem sido “um bocado puxado”, como destaca.

12642928_10153912698657264_1741035125619288054_n
Na aula de clássico no Prix de Lausanne. Foto: Gregory Batardon

Mas é este o caminho que quer seguir. Em palco, gosta de agradar a quem está a ver e ajudar no distanciamento e esvaziamento de inquietações que muitos espetadores procuram no ballet. “Eu gosto de dançar para o público também, mas se não houvesse público também me sinto bem porque é uma coisa que eu gosto de fazer”, afirma. Em estúdio, sente-se inspirada pela sua professora de clássico, Anna Grabka. “É uma pessoa que tem amor por todos os seus estudantes. Nunca tinha visto ninguém assim”, conta-nos revelando ser uma professora que se importa com o físico e o emocional.

Margarida TrigueirosBettina Stöss
Fussspuren X (Julho 2014). Foto: Bettina Stöss

Durante esta semana decorre um dos concursos em que já participou, o Dançarte, e que revela ter sido uma boa preparação para atualmente reagir melhor ao stress. Também partilhou este palco com Alexandre Mateus, quando dançava na Companhia de Dança do Algarve, e que encontrou no Prix de Lausanne. “Foi muito estranho porque ele era muito pequenino quando eu dancei com ele, tinha para aí menos meio metro menos que eu”, relembra. Agora destaca a sua evolução enquanto bailarino: “Foi engraçado ver como ele cresceu e evoluiu.”

Zeen is a next generation WordPress theme. It’s powerful, beautifully designed and comes with everything you need to engage your visitors and increase conversions.

Mais Artigos
Modern Family
‘Modern Family’ despede-se com documentário