Apesar de todos os argumentos que poderiam ser usados contra, Batman v Super-Homem: O Despertar da Justiça era, de todos os filmes do seu tipo agendados para 2016, o mais antecipado do ano. Ao prometer um confronto épico entre Batman e Super-Homem, a introdução da Mulher-Maravilha, uma batalha épica contra Doomsday e um muito diferente Lex Luthor, esta é uma peça cinematográfica que faz com que o público, antes de entrar na sala de cinema, reze para que seja tão boa como soa. E não fiquem alarmados: o filme realizado por Zack Snyder é excelente… mas apenas se for visto sob o prisma de ser uma fita de super-heróis, pois de outro modo é “apenas” bom.

A maior falha de Batman v Super-Homem: O Despertar da Justiça é, sem dúvida alguma, o seu argumento. Não se pode dizer que existe uma história concreta, mas sim uma linha que se rege apenas pela finalidade de que “o Batman e o Super-Homem têm de lutar” e em que Lex Luthor funciona como a fita-cola que apenas existe para embrulhar toda a história e tentar dar sentido à mesma (apesar de nem as suas motivações serem propriamente esclarecidas). Além disto, todo o filme transmite uma sensação de ser apenas um setup para muitos mais capítulos, repleto de novas personagens e mostrando de forma óbvia em várias cenas que apenas se preocupou em estabelecer bases para um universo interligado de filmes à imagem da Marvel. Esta demasiada quantidade de conteúdo a expor, apresentar e justificar acaba assim por ser o lado negro do argumento redigido por Chris Terrio e David S. Goyer.

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No entanto, o acima escrito são pormenores apenas aplicáveis àquilo que é um filme “normal”, o que não é o caso de um filme de super-heróis. Neste caso, não interessa ao apreciador comum de cinema se o argumento faz total sentido, se todas as motivações das personagens são bem explicadas ou se a fita se preocupa mais em preparar terreno para futuras sequelas – interessa, sim, a sensação que se tem ao sair da sala de cinema, e em Batman v Super-Homem: O Despertar da Justiça essa sensação é uma de total satisfação.

Como é típico de Snyder, o filme tem um tom sério ao introduzir elementos políticos e até mesmo filosóficos (por exemplo, se a vinda de alguém que possa ser equiparado a Deus é algo que a Humanidade realmente quer) de uma forma fluída e inteligente, ao contrário do que aconteceu em Homem de Aço (2013). Aliás, esta não é a única melhoria em relação aos anteriores títulos das personagens principais: corrigem-se problemas como a cor da imagem que, apesar de ter uma tonalidade escura, em nada se assemelha à fotografia de Homem de Aço e também as coreografias de luta, que são muito mais percetíveis (e, em geral, melhores) do que as existentes na trilogia Batman de Christopher Nolan. As interpretações são elas também merecedoras de destaque, particularmente Jesse Einseberg – que dá uma nova dimensão a Lex Luthor de forma genial -, Ben Affleck – que interpreta um muito mais agressivo Batman de uma forma brilhante, respondendo aos seus críticos da melhor forma ao fazer esquecer as anteriores perfomances de Christian Bale – e Gal Gadot – que assenta como Mulher-Maravilha que nem uma luva.  A batalha que dá título ao filme, apesar de substancialmente curta, é tudo aquilo que os fãs esperavam e a luta contra Doomsday, que representa toda a última parte da obra, é ela também excelente, mesmo que repleta do CGI que já se encontra inerente a este género.

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Apesar das suas falhas de execução, Batman v Super-Homem: O Despertar da Justiça é sem dúvida um grande filme do seu género, não merecendo de modo algum a completa aniquilação que está a receber por grande maioria dos críticos de cinema (especialmente americanos). Arrisco mesmo a dizer que é capaz de ser um dos melhores filmes de super-heróis em comparação a todos os outros do seu registo que têm vindo a ser abundantemente produzidos, constituindo assim um sério aviso da DC e ficando, deste modo, o público a ganhar: agora, e de forma definitiva, o reino dos comic book movies não pertence só à Marvel.

7/10

Ficha Técnica
Título: Batman v Superman: Dawn of Justice
Realizador: Zach Snyder
Argumento: Chris Terrio e David S. Goyer
Com: Ben Affleck, Henry Cavill, Jesse Eisenber, Amy Adams, Gal Gadot
Género: Ação, Aventura
Duração: 151 minutos