Aqui Tão Longe

‘Aqui Tão Longe’. E se o terror chegasse a Portugal?

Um avião de uma companhia aérea portuguesa cai. Tudo aponta para que tenha sido um atentado. De repente, o terror que habitualmente só se vê na televisão parece estar, afinal, ao virar da esquina. Aqui Tão Longe.

A nova série da RTP1 arranca a 29 de março e vai estar no ar de terça a sexta-feira durante 32 episódios.

José Mata, um dos atores do elenco, explica que a temática do terrorismo foi uma das dificuldades da série, por “ser um tema tão delicado“, estando expectante para ver a reação do público às várias inovações trazidas por esta produção. A sua personagem, João, aluga um quarto ao suspeito Martim Azevedo (Cláudio da Silva), o que o levará a ficar “metido numa teia de circunstâncias” que o fazem confrontar-se, de perto, com a realidade de um terrorista.

As novas apostas da estação pública procuram “refletir a vida portuguesa com todos os seus parâmetros e, nesse aspeto, o terrorismo está também latente”, explicou Virgílio Castelo.

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Uma série virada para a família e que retrata uma família dos nossos tempos, que tem desemprego, que está separada, que tem um pano de fundo de um Portugal muito diferente do que era há uns anos“, é assim que Daniel Deusdado, diretor de programas, resume Aqui Tão Longe. Este responsável define ainda este como mais um momento de “investimento e o arranque de uma estratégia para consolidar passo a passo“.

Aqui Tão Longe substitui Bem-Vindos a Beirais

A nova série arranca a 29 de março e tem emissão prevista no horário nobre do canal público, substituindo Bem-Vindos a Beirais, que termina ao fim de 640 episódios.

O tom da nova produção, numa linguagem “que se aproxima do cinema” é bastante diferente do da antecessora e logo a nível técnico há diferenças, com a rodagem a ser feita em 360º graus, o que implicou “uma grande capacidade de atenção, com cenas em plano sequência em que nada podia falhar. Não havia uma boca de cena tradicional – tudo era boca de cena”, explicou Fátima Belo.

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A atriz é a protagonista desta série e defendeu que neste exercício de ficção é feito também um esforço para “mudar o mundo“. “Todos juntos, com o público, podemos conseguir pouco a pouco mudar a realidade. Contra a pobreza, a violência, contra o abuso, as troikas da vida, aquilo que se passa neste momento“.

Filipe Homem Fonseca, argumentista, relatou-nos que a realidade acabou também por invadir a ficção. “Na semana em que começaram a gravar dão-se os atentados em Paris e, na noite em que isso aconteceu, reescrevi as cenas e isso ainda entrou a tempo de modo a termos uma referência a esse acontecimento. Os últimos tempos e os trágicos momentos que temos vividos estão presentes na série”. 

Realidade invadiu a ficção

Filipa Areosa interpreta Cristina Lindo neste enredo e está confiante que esta vai ser “uma série com a qual as pessoas se identificam e uma coisa diferente, que não estejam à espera“, elogiando a aposta da RTP “em novas produções, coisas diferentes, que criem espaço para coisas novas – com atores e realizadores diferentes – dando espaço para toda a gente trabalhar“.

O trabalho dos jovens lá fora é outra das temáticas presentes. Carlos Malvarez, que dará vida a Jorge Subtil, descreveu-nos a sua personagem como alguém fora do seu contexto e que procura melhores condições de trabalho no estrangeiro, sendo por isso alguém com quem os jovens que partem se podem identificar – “são mão de obra altamente qualificada que não vê isso refletido nas suas condições de trabalho e acaba por procurar isso no estrangeiro“.

Vê aqui a fotogaleria do lançamento da série:

Sinopse do primeiro episódio

Portugal acorda em choque com a notícia da queda de um avião. Existe a possibilidade de atentado. Cristina (Filipa Areosa) chega atrasada ao aeroporto e, dessa forma, salva-se da queda do avião.

Ao ouvir a notícia, Júlia (Fátima Belo) apressa-se a chegar ao aeroporto em busca de notícias e, aliviada, encontra a filha. No aeroporto, o ambiente é de tragédia e começam a chegar os familiares das vítimas, em busca de respostas.

Cristina está desiludida por não ter partido, mesmo significando que podia ter morrido. Está em choque mas sente-se mesmo a sufocar em Lisboa com a vida que tem. Júlia e João (José Mata) olham-na com estranheza.

Os noticiários vão dando as últimas novidades sobre a queda do avião e Cristina é escoltada pela polícia à saída do aeroporto, para evitar que os meios de comunicação a incomodem. À noite, já em casa, Cristina desaba finalmente num ataque de choro, sente-se muito mal por ser a única sobrevivente.

Uns dias depois, sem dizer nada a ninguém, Cristina embarca para Londres.

Artigo de David Martins (fotografia) e Pedro Miguel Coelho (texto)

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