Em Hollywood há centenas de projetos em desenvolvimento, mas muitos deles nem avançam. Razões para tal incluem a falta de financiamento ou a perda de interesse por parte do realizador. Por vezes, até há ideias que parecem ter tanto potencial que temos de nos questionar se não poderiam ter resultado em grandes filmes.

Desta vez, o 5 pretende compilar uma lista dos filmes com maior potencial que não passaram da fase de pré-produção. Alguns dos conceitos recusados são muito estranhos, e até se compreende a razão dos estúdios não terem querido arriscar. Mas não é a arriscar que surgem algumas das melhores ideias?

Liga da Justiça: Mortal – George Miller

Justice League

Antes de Zack Snyder, houve outro filme da Liga da Justiça em desenvolvimento. O realizador teria sido George Miller (Mad Max: Estrada da Fúria) e pelos designs que foram revelados, teria tido um aspeto visual mais colorido do que o que Snyder está a tomar em Batman v Super-Homem: O Despertar da Justiça.

O argumento apresenta uma Liga da Justiça que já está reunida e que combate o crime diariamente, não sendo uma “história de origem”. Os super-heróis serviam aqui de paralelo aos antigos deuses gregos e estariam numa fase das suas carreiras em que o planeta já estava quase completamente em paz.

No entanto, o ano era 2008, e o filme teria interferido com os do Batman que estavam na altura a ser feitos por Christopher Nolan. A dificultar ainda mais estava o orçamento de cerca de 200 milhões de dólares. Se tivesse sido lançado, poderia ter precedido Os Vingadores (2012).

The Tourist

Ao contrário dos outros nomes nesta lista, The Tourist não surgiu de um realizador ou escritor de renome. Veio da cabeça de Clair Noto, uma escritora com uma carreira pouco extensiva, mas que escreveu um argumento que iria ficar para sempre na “lista de espera” de Hollywood.

O filme seria de ficção cientifica e focar-se-ia numa comunidade secreta de alienígenas que foram exilados na terra. Teria sido existencialista e tido algum conteúdo sexual entre as várias espécies de extra-terrestres.

Prometia ser um filme diferente do habitual nos anos 80, mas alguns elementos de The Tourist começaram a ser usados noutras fitas. O principal destes foi MIB – Homens de Negro (1997), que também envolveu alienígenas que viviam escondidos dos humanos na terra. De qualquer maneira, o argumento foi passando de estúdio a estúdio e H. R. Giger, o criador do design dos Xenomophs na saga Alien, até desenvolveu algumas das criaturas.

Megapolis – Francis Ford Coppola

Megapolis

Com Apocalypse Now! (1979) e a trilogia O Padrinho (1972-1990), Coppola é um dos realizadores americanos mais conceituados de sempre, e pelo que parece, há ainda uma “obra-prima” que ele poderia ter dado ao cinema.

Este é Megapolis, uma história futurista na qual um arquiteto tem a tarefa de redesenhar a cidade de Nova Iorque após esta ter sido parcialmente destruída. O filme demonstraria a forma como o mundo em que se vai viver está  a ser presentemente negociado, uma abordagem que até foi comparada aos livros de Ayn Rand (Atlas Shrugged).

Coppola até afirmou que a razão de ter aceitado realizar Drácula de Bram Stoker (1992), Jack (1996) e O Poder da Justiça (1997) se deveu à sua procura de financiamento para Megapolis. No entanto, o projeto foi cancelado após os atentados de 11 de setembro, devido à semelhança que o filme tinha com a realidade de Nova Iorque da altura.

Napoleão – Stanley Kubrick

Napoleon

Stanley Kubrick teve várias obsessões, e uma delas foi Napoleão Bonaparte. Escreveu um guião que esteve durante vários anos a ponderar adaptar, mas que acabou por cancelar devido à falta de orçamento.

Teria sido um épico histórico que englobaria a infância de Napoleão, os seus sucessos enquanto militar, e culminaria com os fracassos que o levaram a ser exilado. Em contraste com o talento de Bonaparte na coordenação de exércitos, estariam os seus fracassos nas relações inter-pessoais. O seu primeiro foi a tentar conquistar o coração de Josefina de Beauharnais, que se casou com ele mas nunca o chegou a amar. O segundo foi com Alexandre I, o Imperador da Rússia da altura, que inicialmente foi aliado da França, mas cuja mudança de lado mais tarde levou à derrota de Napoleão.

Steven Spielberg anunciou recentemente que está a desenvolver uma adaptação do argumento de Kubrick no formato de mini-série. Apesar de ser melhor do que nada, é difícil não sentir desapontamento pelo realizador não poder ter adaptado o seu projeto pessoalmente.

Dune – Alejandro Jodorowsky

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Talvez o mais popular de todos os filmes que não avançaram da pré-produção. A adaptação do livro de ficção científica de Frank Herbert por parte do realizador de culto Alejandro Jodorowsky (El Topo) prometia ser uma obra sem precedentes.

Passado cerca de mil anos no futuro, Dune foca-se na guerra entre duas famílias de nobres, à medida que estas entram em conflito pelo controlo do planeta Arrakis. Este é um território desértico onde habitam minhocas gigantes e onde se pode encontrar Melange, uma droga que aumenta as habilidades físicas e a longevidade do ser humano. O filme teria culminado com a humanidade a tornar-se numa entidade única.

O projeto levou Jodorowsky a reunir uma equipa de elite: Para a música teria tido Pynk Floyd e Magma; o elenco envolvia nomes como Orson Welles, Salvador Dali e Gloria Swanson; e arte de produção por H. R. Giger (já acima mencionado pelo seu envolvimento em The Tourist), Jean Giraud e Chris Foss. Alguns dos artistas até acabaram por permanecer em Hollywood.

Infelizmente, a escala do que Jodorowsky pedia era enorme. Para além de precisar de efeitos que estavam para além do seu tempo, ele também queria que o filme tivesse cerca de 9 horas. O projeto precedeu o lançamento do Star Wars original (1977), por isso, quem sabe, se tudo tivesse corrido como ele planeava, a ficção cientifica no cinema poderia ter-se desenvolvido de forma muito diferente.