Judaica 2016: filmes proibidos e comédia negra

Judaica 2016: filmes proibidos e comédia negra

O segundo dia da Judaica – Mostra de Cinema e Cultura continuou a demonstrar o porquê de este ser um dos festivais mais interessantes e importantes da agenda cultural lisboeta. Num dia que começou com uma sessão escolar e que terminou com uma comédia negra israelita, não faltaram motivos para o público vir ao Cinema São Jorge ver o que de melhor o certame teve para oferecer.

FILMES PROIBÍDOS

Nos anos 30 e 40, foram inúmeros os filmes de propaganda nazi produzidos na Alemanha. Atualmente, ainda 40 são totalmente proibidos e muitos outros raramente são passados e dados a conhecer ao público. Filmes Proibidos é o documentário que se aventura pelos arquivos interditos onde se encontram algumas dessas fitas e que vai recolhendo vários testemunhos de espetadores que têm acesso às mesmas.

Rico nos excertos que utiliza para mostrar como eram as obras de propaganda e vasto nas entrevistas e recolha de opiniões por parte do público, Filmes Proibidos é um interessantíssimo registo que aprofunda muito bem o tema que quer abordar, nunca fechando as portas ao debate. O documentário revela a influência e popularidade que os filmes tiveram na altura em que foram lançados (alguns chegaram a estrear em festivais de grande prestígio), mas leva também o público a refletir sobre a seguinte questão: quais as consequências que certos títulos poderão ter nos dias de hoje?

A pergunta foi discutida após a sessão com a presença do realizador Felix Moeller. Várias foram as pessoas presentes na sala que se mostraram interessados em participar no debate e a dar a sua opinião relativamente ao tema, culminando numa discussão civilizada e bastante enriquecedora. Se não houvesse um filme a passar dali a meia hora, provavelmente a conversa entre o cineasta e a audiência ter-se-ia prolongado por mais alguns minutos…

7/10

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PÁSSAROS DE FOGO

Quando o corpo esfaqueado de um octogenário é encontrado no rio com um número tatuado no braço, cabe a um polícia, filho de sobreviventes do Holocausto, investigar o caso e descobrir o culpado. É este o ponto de partida para uma comédia negra israelita que não tem medo de tocar em alguns tabus.

Com uma estrutura e um sentido de humor próximos das comédias comerciais francesas, Pássaros de Fogo é um título divertido e despreocupado, capaz de animar uma plateia não muito exigente. Apesar de se estender demais (não justifica ultrapassar a hora e meia de duração), a narrativa encontra sempre novos caminhos para nos prender ao ecrã e as personagens estilizadas ajudam a um mais rápido relacionamento com a história de cada uma delas, mesmo que sejam rapidamente esquecíveis depois de rolarem os créditos. E, quando há que pender para o lado mais dramático e sentimental, o filme fá-lo com sensibilidade e naturalidade, havendo sempre muita fluidez aquando das mudanças de tom da história.

Com um elenco competente e um bom trabalho visual, Pássaros de Fogo (que talvez merecesse até distribuição comercial em Portugal) mostra que de Israel também podem vir obras de puro entretenimento sem medo de brincar com temas mais sensíveis como o Holocausto, sem nunca perder o respeito para com aqueles que tanto sofreram com ele. Sem dúvida, uma boa forma de encerrar o segundo dia da Judaica.

6/10

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