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Beatriz Nunes

Tricky na Aula em serviços mínimos

Na passada terça-feira, Tricky ofereceu um concerto um tanto ou quanto estranho. Mas isso já se esperava dele. O inesperado foi que a estranheza viesse de uma certa atitude “não quero saber”. O que nem é necessariamente mau.

Desde que lançou Maxinquaye, já lá vão mais de 21 anos, Tricky angariou um conjunto de fiéis seguidores que nunca o abandonaram no seu percurso. Por isso mesmo, foi muito o público que na terça-feira se deslocou à Aula Magna para receber o rapaz/homem conhecido pelo seu génio musical…mas também pelo seu feitio especial.

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Foi com uma sala bem composta e com o recente projeto Skilled Mechanicsacabado de lançar – tão pouco promovido como o próprio concerto, diga-se de passagem – que Tricky apareceu no palco juntamente com um guitarrista e um baterista, ao som de Vybz Kartel.

Debaixo da penumbra – nada de novo, portanto – atirou-se a You Don’t Wanna (de Blowback, 2001) mal se fazendo ouvir mas onde se notava a sua dança singular.

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Em I’m Not Going sentimos a presença de uma mulher no palco. E logo de seguida em Hero, também. Primeiro, porque estes temas de Skilled Mechanics são acompanhados, respetivamente, por Oh Land e Ann Dao; e segundo, porque Tricky nos habitou a presenças femininas em palco que sempre tornaram os seus concertos ainda mais especiais.

Mas era Tricky. Com playback por cima da sua voz, mal se ouvindo mas com a sua peculiar dança em que parece, de braços erguidos, querer subir a qualquer parte, ou quando puxa a t-shirt e quase a rasga, retira de si demónios que lhe conhecemos há mais de duas décadas.

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Num silêncio observador e atento, a plateia – maioritariamente constituída por público com idades bem para lá dos trintas – escutou, ora absorta, ora inquieta, esses novos temas cheios de energia rock (Diving Away, Here My Dear, We Begin ou Bother).

Quando soa Overcome, do velhinho Maxinquaye, há quem se levante e se agite. O aplauso estende-se mais que a própria música e invade os primeiros acordes de Parenthesis, música a meias com The Antlers e uma das melhores sequências do concerto.

50 minutos andados, Tricky sai de palco no final de Sun Down e pensamos que é batota, que não pode ter passado tão depressa, que mal ouvimos a sua voz, que mal o reconhecemos no escuro da Aula Magna, que houve demasiada gravação a substituir todas as participações com que contou em diversos momentos da sua discografia.

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Nunca saberemos se é displicência, se é “eu faço o que eu quero”, se são apenas os demónios de uma alma demasiado agitada, mas Tricky apresentou-se em serviços mínimos, aquém das expetativas para uns, uma vez mais surpreendente para outros.

Foi já no encore com Boy – tema maior do novo disco – que definitivamente percebemos que ele faz o que quer. Até nos convidou a viajar de Beijing to Berlin, ou melhor, das nossas cadeiras até ao palco para o abraçarmos, para com ele dançarmos (mas sem “a porcaria das luzes de discoteca”, pediu) e nos despedirmos, por fim rendidos, ao som de Vent de Pre-Millennium Tension.

Estava conquistado o coração de boa parte do público, apesar das reticências indicadas mas, como ouvimos no final, “valeu bem o bilhete”.

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Fotografias de Beatriz Nunes

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