O Amor é Lindo ... Porque sim
Fotografia: Divulgação

‘O Amor é Lindo’, o filme podia ser mais

O Amor é Lindo… Porque sim, estreia esta semana nos cinemas nacionais. A nova produção de Vicente Alves do Ó em conjunto com a Act, escola de atores, merece a nossa atenção pela originalidade da sua conceção.

O realizador de Florbela junta-se à turma de finalistas 2014/2015 da conhecida escola de representação para apresentar este projeto, uma comédia romântica bem portuguesa. Aos jovens atores juntam-se ainda nomes fortes do ‘star system’ nacional, como Maria Rueff, Silvia Rizzo, Nuno Pardal, André Nunes ou Ana Brito e Cunha.

Azar, sorte e muitos acasos

Amélia (Inês Patrício) é a protagonista deste enredo. Uma jovem lisboeta que, no dia do aniversário é abandonada pelo namorado e perde o emprego. Para ajudar à festa, a mãe, dona de casa, ganha dinheiro como vidente e a irmã é uma atriz no desemprego.

Até que um acaso muda tudo. Amélia arranja emprego numa tasca moderna e tem o azar, ou a sorte, de a patroa a ouvir cantar. No meio desta aventura de loiça e cantoria, dois rapazes apaixonam-se por Amélia: Ruben, um promissor jogador de futebol, e Rogério, forcado de Santarém e filho de boas famílias.

Para complicar ainda mais as coisas, Amélia não consegue esquecer o ex-namorado – que entretanto prepara o casamento com outra – enquanto na noite de Lisboa esbarra constantemente com alguém que escreve palavras de amor nas paredes da cidade.

Faz rir, mas é só.

O filme cumpre na sua missão de fazer rir. Não é nada difícil fazê-lo logo nos primeiros minutos de exibição e, depois disso, a cadência de gargalhadas mantem-se ritmada do início ao fim da história.

Maria Rueff é a principal responsável por esses momentos. Consegue que a sua Gigi, que facilmente poderia cair para o típico estereótipo de ‘mãe portuguesa’, não seja uma personagem caricatural. Sendo engraçada e cómica, é também verosímil e multidimensional, com uma contracena muitas vezes tocante com a filha Amélia, interpretada pela estreante Inês Patrício.

O Amor é Lindo ... Porque sim

No entanto, e apesar do filme nos fazer rir muitas vezes ao longo da sua duração, os seus pontos fortes ficam-se por aí. Não sabemos se hoje em dia encontrarmos, nos cinemas, uma comédia que nos faça rir à gargalhada, é assim tão pouco. Mas queríamos mais.

Queríamos, por exemplo, que quando são filmadas cenas em exterior não ficássemos com a nítida sensação de que houve ali amadorismo. Deteta-se facilmente excesso de exposição e imagem queimada pelo branco. A fotografia não consegue, nas cenas em exterior, fazer um bom trabalho. Chega a ser embaraçoso percebermos que não distinguimos bem as várias cores presentes na imagem.

Em algumas situações é possível ainda relatar problemas de focagem das personagens em cena, que se verificam em estúdio ou em cenas de exterior. Apesar disso, há uma discrepância grande entre as imagens de exteriores ou aquelas que foram feitas com recurso a iluminação artificial, em interior, que apresentam maior qualidade.

O elenco gigante – é uma turma inteira da Act à qual se juntam vários atores conhecidos! – não ajuda também a melhorar a qualidade da história. Várias personagens entram e saem, num rodopio de inutilidade narrativa e personagens que andam ali a meter buchas.

O Amor é Lindo ... Porque sim

Sílvia Rizzo volta a fazer de supé-tia, desta vez não de Cascais, mas de Santarém. Aparece em cena durante alguns minutos para poderem pô-la no trailer e no cartaz. André Nunes é um desempregado que depois passa a paparazzo com uma história de família conturbada, mas não percebemos bem porque é que é para ali chamado. Nuno Pardal acaba a fazer as vezes de misterioso vandalizador de paredes e interesse amoroso da protagonista – que não percebemos bem porque é que começa a gostar de alguém cujo único traço que conhecemos é o da caligrafia – que nem é bonita.

E estes são só alguns exemplos de personagens mal desenvolvidas, que nunca chegam a ganhar dimensão e que serve para nos entreter em momentos laterais de uma história que, feita sucessão de sketches, também parece nunca engrenar.

Seria suficiente para um trabalho de final de curso, e podemos olhar o filme apenas como um exercício desse tipo. Mas será manifestamente pouco se o quisermos avaliar como algo que estreia em 50 salas a nível nacional.

Ficha Técnica

Título: O Amor é Lindo… Porque sim
Realização e Argumento: Vicente Alves do Ó 
Elenco: Maria Rueff, Inês Patrício, Ana Brito e Cunha, João Maria, Carolina Serrão
Género: Comédia Romântica

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