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Foto: Toda a Letra

8 mulheres que se fazem ouvir através da literatura

Hoje o dia é dedicado a todas as mulheres. Contudo, decidimos destacar aquelas que elevam a sua voz através da literatura. Pela palavra têm marcado o lugar da mulher no mundo. Nesta seleção relembramos o nome de oito escritoras que vincaram a sua voz através dos livros.

  • Natália Correia

Acho que não vale a pena a mulher libertar-se para imitar os padrões patristas que nos têm regido até hoje. Ou valerá a pena, no aspecto da realização pessoal, mas não é isso que vem modificar o mundo, que vem dar um novo rumo às sociedades, que vem revitalizar a vida” – 1983

natalia correia

Nasceu em 1923 nos Açores. Nome incontornável da cultura portuguesa do século XX, foi poeta, ativista social, política, deputada da Assembleia da República e autora da letra do Hino dos Açores. Marcou uma época através da sua personalidade livre de convenções sociais, por vezes polémica, que se reflete na sua escrita.

Natália Correia deixou uma obra extensa e variada. Foi poetisa, dramaturga, romancista, ensaísta, tradutora, jornalista, guionista e editora. Uma defensora acérrima dos direitos humanos, nomeadamente das mulheres. Morreu na madrugada de 16 de março de 1993.

  • Lídia Jorge

“A escrita é redentora. A escrita faz com que o autor, independentemente do reconhecimento, tenha uma história de vida magnífica” – in Diário de Notícias 06/04// 2007

(Foto por Enric Vives-Rubio/Público)
Foto: Enric Vives-Rubio/Público

Escritora portuguesa, licenciada em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e parte integrante do Conselho Geral da Universidade do Algarve, Lídia Jorge é uma autora premiada desde a primeira obra e condecorada em diversos países com as mais altas distinções da Literatura.

Os críticos apontam, em várias das suas obras, a forma profunda com que trata os diversos estratos do seu enredo, o seu estilo “manuelino” soberbo e o seu gosto pelo ser humano contemporâneo e pelo esmiuçar de todos os seus aspetos.

Em 2015 foi galardoada com mais dois prémios: o Prémio Vergílio Ferreira e o Prémio Urbano Tavares Rodrigues. Traduzida em mais de vinte línguas, continua obra após obra a marcar terreno como uma escritora de referência internacional.

  • Maria Teresa Horta

“Costumo dizer que eu sou a minha poesia, e para a prosa, para a ficção, vou poeta, levo a minha poesia toda atrás de mim” – in Notícias Magazine 01/12/2014

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Foto: Enric Vives-Rubio

Maria Teresa Horta nasceu em Lisboa em 1937 e é uma das escritoras mais interventivas quanto aos direitos das mulheres. Também jornalista, fez parte do Movimento Feminista de Portugal, juntamente com Maria Velho da Costa e Maria Isabel Barreno, ficando conhecidas pelas Três Marias. Em 1972, lançaram o livro Novas Cartas Portuguesas, tendo sido alvo de uma contestação na ditadura dirigida por Marcelo Caetano.

A escritora também fez parte da revista Poesia 61, juntamente com mais cinco autores, onde publicou Tatuagem. Dessa publicação surgiu um movimento poético com o mesmo nome.

Em 2004 recebeu do Presidente da República Portuguesa, Jorge Sampaio, o título de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique. Entre a poesia e a ficção, os últimos livros publicados foram As Luzes de Leonor (2011)Poemas para Leonor (2012) e As Meninas (2014).

  • Dulce Maria Cardoso

“O sol pode cegar-te, mas não te importes, se lhe voltas as costas a tua sombra esconde o que procuras” – in O Retorno

fotografia: Público
Foto: Público

Natural de Trás-os-Montes, viveu em Angola parte da sua infância e juventude. Há 40 anos regressou a Portugal, e admite que foi nesse momento que soube que ía ser escritora.“Tinha 11 anos. Fui a minha primeira personagem. Achei sempre: vou contar isto, vou contar isto.”, disse em entrevista ao Público.

Licenciou-se em Direito pela Universidade Clássica, mas é no papel de escritora, cuja obra já foi publicada em 15 países, que se destaca e ganha prémios. Dulce Maria Cardoso é uma das mulheres que escolhemos celebrar.

O seu romance de estreia, Campo de Sangue, publicado em 2001, venceu o Grande Prémio Acontece. Desde então publicou os romances Os Meus Sentimentos (2005), Prémio da União Europeia para a Literatura, O Chão dos Pardais (2009), Prémio Pen Club, e O Retorno (2011). Para além de romances, também escreveu argumentos para cinema, duas antologias de contos – Até Nós (2008) e Tudo São Histórias de Amor (2014), e dois livros infantis.

Em 2012, foi condecorada com as insígnias de Cavaleira da Ordem das Artes e das Letras da França.

  • Simone de Beauvoir

Não se nasce mulher: torna-se”- in Segundo Sexo

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Simone de Beauvoir foi escritora,  filósofa existencialista, ativista política e feminista. Nasceu em Paris, a 9 de janeiro de 1908, no seio de uma família tradicional. Escreveu romances, ensaios, biografias e monografias sobre filosofia, política e questões sociais.

Da obra que conta com mais de 20 publicações, destaque para o seu primeiro romance, A convidada (1943), onde explorou dilemas existencialistas da liberdade, da ação e da responsabilidade individual, e Os mandarins (1954), obra que lhe valeu o Prémio Goncourt. Não menos importante, o ensaio crítico Segundo Sexo (1949), uma análise profunda à construção social do papel da mulher.

De uma vida pessoal e profissionalmente cheia fazem ainda parte diários de viagem e uma revista política que fundou juntamente com Jean Paul Satre e Maurice Merleau-Ponty. Les Temps Modernes foi utilizada para promover seu trabalho e expor as suas ideias antes de editar livros, onde permaneceu como editora até à data da sua morte em abril de 1986.

 

  • Paula Hawkins

“Os buracos na tua vida são permanentes. Tens de crescer à volta deles, como raízes à volta do cimento; moldas-te através das frestas” – in A Rapariga no Comboio

Foto por The Times
Foto: The Times

Natural do Zimbabwe, mas a morar em Londres desde os dezassete anos, Paula Hawkins começou a sua carreira na escrita de ficção sob o pseudónimo de Amy Silver. Até agora já escreveu quatro livros de comédia romântica. Foi apenas em 2015 que, após seis meses de escrita intensiva, perseguida pela sua precária condição económica, publicou A Rapariga no Comboio.

A Rapariga no Comboio foi um fenómeno de sucesso em 2015, estando no top dos best sellers no Reino Unido durante mais de 20 semanas seguidas, e tendo vendido mais de oito milhões de cópias em todo o mundo. Em janeiro de 2016, Paula Hawkins cimentou a sua posição no panorama literário ao ser considerada pela USA Today como a escritora do ano de 2015.

  • Gillian Flynn

“As pessoas adoram falar, e eu nunca fui muito faladora. Mantenho comigo própria um monólogo interior, mas as palavras raramente alcançam os meus lábios” – in Em Parte Incerta

Foto por Flavorwire
Foto: Flavorwire

Escritora norte-americana e crítica televisiva na Entertainment Weekly, Gillian Flynn já solidificara a sua posição de escritora com as suas três obras: Na Própria Carne, Lugares Escuros e Em Parte Incerta. Em Parte Incerta, publicado em Portugal em 2013 e adaptado para filme em 2014, continuou em 2015 na esfera literária ao constar no top 10 de livros mais comprados na Kobo.

Também em 2015, a autora lançou a sua novela The Grownups, uma obra de 96 páginas sobre uma jovem prostituta e vidente, que se depara com o verdadeiro sobrenatural. Esta história já havia sido publicada na coletânea Rogues editada por George R. R. Martin com o nome de What Do You Do?, com a qual ganhou, também o ano passado, o Prémio Edgar Allan Poe.

  • Svetlana Aleksievich

“A realidade sempre me atraiu como um íman, torturando-me e hipnotizando-me, e eu queria capturá-la no papel” – in Vozes de Chernobyl

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Foto: Ulf Andersen/Getty

O prémio Nobel da Literatura foi para a bielorrussa Svetlana Aleksievich. Atualmente faz parte das 14 mulheres que receberam esta distinção. A Academia Sueca argumentou a atribuição do prémio à autora pela “pela sua escrita polifónica, um monumento ao sofrimento e à coragem no nosso tempo”.

Também jornalista, Svetlana Aleksievich escreve sobre a União Soviética e a identidade russa. Em português, é possível ler O Fim do Mundo Soviético e As Vozes de Chernobyl.

Escrito por Mariana Ramos, Matilde Ferreira e Teresa Serafim

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