A rose is a rose is a rose, Old Jerusalem

A Rose is a Rose is a Rose, o disco mais bonito do ano

A Rose is a Rose is a Rose é o novo disco de Old Jerusalem. Num registo profundo e acústico, o álbum desencadeia as emoções fortes de que a música é capaz. Um dos trabalhos mais bonitos deste ano.

Logo à entrada do disco somos bem recebidos. A Charm faz questão de abrir bem as portas. Somos convidados a entrar com uma voz rouca que, paradoxalmente, nos soa convidativa. O arranjo de cordas que nos espera dá brilho à música. Na verdade, estes instrumentos andam [erradamente] esquecidos na música nacional.

When the fire of sin met wildly my sin-hungry heart and soul
The fool I was took in the vows that bound him to the heat

 Airs of Probity é uma balada intensa sobre sentir a falta de alguém. Não é aconselhável a quem está a sentir falta de alguém. Porque se esse alguém que sente falta de alguém ouvir esta música, existe uma grande probabilidade de serem precisos lenços de papel. Uma música bonita, aparentemente simples mas capaz de mexer no íntimo.

Back yourself you call and say
“I know it’s late
But care for sonatas and milk?
You know, I missed you a lot
Did you not
Find the heart to miss me?”

É chegado o momento da música homónima ao disco. A Rose is a Rose is a Rose tem um tom mais triste, fundado numa sucessão de acordes mais melancólicos e firmado numa melodia mais refletiva.

The passing days suggest that something should somehow move on
But is there really time and should something be made of it?

 All the While soa-nos a Bon Iver no outro extremo vocal, rouco e grave. Nesta música continuamos a notar a composição lindamente orquestrada com que Old Jerusalem conotou este álbum.

Ahead a girl awaits you with her smiley charm
Would a daily dose of her simple view of life
Fulfill the hole you found were she to be your wife?

One For the Dusty Light encerra a primeira metade do álbum num registo folk mais desprendido melodicamente, com tonalidades mais alegres. Uma boa música para uma road trip pelas planícies do Alentejo.

“That’s two steps closer to somewhere; third would be you taking your first soon.”

Passada a metade do disco, chega o momento melancólico em que a última faixa está mais próxima da primeira. Isto é potenciado quando temos em mãos A Rose is a Rose is a Rose.

Prosseguimos a viagem. Florentine CourseSummer Storm mantêm-nos no mesmo registo acústico, meigo e delicado.

Come Down
I’ll be awake
I sleep late
And just four hours a day

Tribal JoysDayspringTwenties fecham um dos álbuns mais bonitos do ano. Old Jerusalem guiou-nos durante as dez faixas numa viagem refletiva, puramente doce e, crê-se, honesta.

Our lives grew seasoned by shadows of the olden days
We both built truths out of almost lies


You’ve been ranting about how it’s not usually like this
While I hold your head, well, don’t you worry, dear
I am here


Don’t be so sad
No living thing is all good or bad

A Rose is a Rose is a Rose é um sério candidato para álbum mais bonito do ano. Não é um dos melhores, uma vez que é um disco um pouco cansativo. O registo, por ser muito homogéneo em todas as faixas, acaba por tornar-se num ponto fraco do álbum. Contudo, as letras juntamente com a densidade das músicas e da emotividade melódica tornam-no num trabalho simplesmente bonito.

O álbum pode ser ouvido na íntegra, aqui:

Nota final: 7,5/10

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