A Primavera está à porta e com ela chega o verde da natureza após um Inverno longo. Por forma a redescobrires alguns espaços naturais para passear, neste Lisboa vs Porto resolvemos referir alguns jardins que ainda existem pela cidade das Sete Colinas e na cidade Invicta.

Apesar de serem espaços maioritariamente urbanos tanto Lisboa como Porto ainda conseguiram preservar alguns dos seus espaços verdes. Estes locais são frequentemente referidos pelos cidadãos de ambas as metrópoles como locais verdes que permitem escapar um pouco ao ambiente citadino. Neste artigo vamos falar um pouco de alguns desses jardins. No caso de Lisboa referiremos a Estufa Fria e o Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian e para o Porto serão mencionados os Jardins do Palácio de Cristal e o Jardim Botânico.

Lisboa

Estufa Fria

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Este jardim situa-se ao lado do Parque Eduardo VII, no coração de Lisboa e foi inaugurado em 1912, depois de desativada uma pedreira que aí funcionava.

Foi inaugurado enquanto zona de abrigo para plantas exóticas que deveriam, posteriormente, servir para cumprir o plano urbanístico destinado à Avenida da Liberdade. Mas com o estalar da Primeira Guerra Mundial, o plano foi atrasado e as plantas permaneceram no mesmo lugar. Em 1933 é oficialmente inaugurada a Estufa Fria, pela mão do arquiteto e pintor Raul Carapinha. Mais tarde, em 1975, foram também abertas a Estufa Quente e a Estufa Doce para exposição de plantas tropicais e equatoriais.

A Estufa tem várias espécies de plantas desde plantas chinesas a brasileiras, lagos, cascatas e estátuas. O facto de não ser aquecida, torna-se perfeita para passeios na primavera e no verão. A entrada tem o custo de 3.10€ e de 1.55€ para estudantes.

Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian

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Quem já visitou o jardim da Fundação Calouste Gulbenkian sabe que além de ser um dos mais bonitos da capital é também um dos mais românticos. O local, que mais parece saído de um conto, cheio de cantos e cantinhos, árvores, muita vegetação e água, torna-se num lugar para passeios familiares ou com a cara-metade.

O jardim, que se situa na Avenida de Berna, perto da Praça de Espanha, existe desde a década de 60 e foi projetado pelos arquitetos António Viana Barreto e Gonçalo Ribeiro Telles. Aquilo que podemos encontrar são sucessivas “micropaisagens”, marcadas por arbustos, bambus ou trepadeiras, um grande lago e várias espécies de animais, sobretudo aves. Não são raras as vezes em que se veem patos bebés a passear no jardim, ou crianças a alimentar os pombos. Os mais atentos conseguirão identificar, além dos patos-reais, galinhas-d’água, carriças, melros, pardais, periquitos-de-colar ou verdilhões.

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Existe ainda um anfiteatro ao ar livre, onde ocasionalmente decorrem eventos, como concertos e espetáculos. É neste anfiteatro que tem lugar, todos os anos, o Jazz em agosto.

A entrada é livre e o jardim está aberto do nascer ao por do sol. Nas imediações encontram-se os edifícios da Fundação Calouste Gulbenkian (sede, museu e auditório), o Centro de Arte Moderna, Serviços Educativos, esplanada e restaurante.

Porto

Jardins do Palácio de Cristal2009-07-08_09-54-24_0033_resize

Localizado na junta de Massarelos no Porto, os jardins e o próprio Palácio de Cristal foram projetados no ano durante a década de 1860 pelo paisagista Émilie David. Apesar do Palácio de Cristal ter sido substituído em 1950 pelo Pavilhão Rosa Mota em 1950, os jardins mantêm o seu encanto, sendo um dos locais de referência para quem visita a cidade Invicta, especialmente durante a Primavera.

Originalmente o Palácio de Cristal foi construído e inaugurado em 1865 sob a ordem do rei D. Luís. O design do edifício foi inspirado pelo Crystal Palace em Londres. Durante vários anos o edifício acolheu várias exposições, nomeadamente a Exposição Internacional do Porto, assim como vários eventos culturais, especificamente concertos musicais. No ano de 1933 o Palácio e os seus jardins foram adquiridos pela Câmara do Porto e em 1951 o Palácio foi demolido por forma a dar lugar ao Pavilhão dos Desportos apesar da contestação dos portuenses em volta da medida tomada. O Pavilhão, detentor de uma forma verdadeiramente distinta, foi concebido pelo arquitecto José Carlos Loureiro e pelo engenheiro António dos Santos Soares. Devido à polémica popular mencionada anteriormente, o nome Palácio de Cristal ainda é associado a este local.

Nos Jardins do Palácio de Cristal encontrarás vários jardins geométricos assim como espaços de beleza natural. O espaço tem vários jardins à sua disposição: o Jardim das Plantas Aromáticas, o Jardim das Medicinais, Jardim do Roseiral e o Jardim dos Sentimentos decorado com uma estátua de António Teixeira Lopes.

Aqui também se encontram a Biblioteca Municipal Almeida Garrett, o Museu Romântico da Quinta da Macieirinha, o Solar do Vinho do Porto e a Capela de Carlos Alberto da Sardenha. Aqui poderás ter uma das melhores vistas sobre o Rio Douro, passear por vários recantos e ainda fotografar patos e pavões que habitam este lugar. Caso te desperte o apetite encontrarás um restaurante e uma esplanada, embora os jardins tenham vários espaços convidativos à realização de um piquenique.

Além disso, os Jardins do Palácio de Cristal são palco de vários eventos culturais, tendo dois dos mais recentes sido a última Feira do Livro do Porto (anteriormente na Avenida dos Aliados) e as Noites Ritual. Nos restantes dias a entrada é gratuita estão abertos das 8h às 21h durante o Verão (de abril a outubro) e das 8h às 19h durante o Inverno (novembro a março).

Jardim Botânico

O Jardim Botânico do Porto é um espaço que está ligado à Universidade do Porto, sendo gerido pela Faculdade de Ciências. Foi inaugurado em 1951, situando-se nos jardins da Quinta do Campo Alegre ou a Casa dos Andresen.12834562_1000042133394264_1008972016_n

Com pouco mais de 4 hectares (depois de 8 dos 12 hectares terem sido perdidos com a construção da Via de Cintura Interna), o Jardim apresenta uma beleza e um encanto que deixa os seus visitantes maravilhados. A Casa Andresen invoca dois muito prestigiados nomes da literatura portuguesa do Séc. XX: Sophia de Mello Breyner Andresen e Ruben A., membros de uma família burguesa e parentes de João Henrique Andresen, quem adquiriu a Quinta do Campo Alegre em 1895 e recuperou os jardins, impondo o estilo romântico da época.

No interior da Quinta, três belos jardins históricos marcam lugar: o Jardim dos Jota, dedicado a dois dos antigos proprietários da quinta, cujas iniciais se entrelaçam no buxo; o Roseiral encontra-se nas traseiras da Casa dos Andresen e foi desenhado à imagem de um tapete que se encontrava no salão do baile; por fim, o Jardim do Peixe teve o seu nome atribuído devido ao desenho no seu canteiro central.

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Para além destes três jardins, ainda temos o Jardim do Xisto, criado nos anos 50 pela mão de Franz Koepp e responsável pela conversão da quinta num jardim botânico. A criação de um espaço mais moderno, com plantas aquáticas, enriqueceu todo o jardim com uma maior variedade de espécies. Para além disso, outros espaços foram sendo desenvolvidos nas épocas vindouras, com a criação de uma área de bosque, um lago, estufas e até mesmo um viveiro.

Para quem gosta de visitar espaços verdes e estar em contacto com história e literatura portuguesa, o Jardim Botânico do Porto é uma opção que garante uma tarde muito bem passada. A entrada é totalmente livre, tanto nos dias úteis como nos fins de semana. No entanto, é possível também ter visitas guiadas, atribuidas pela Universidade do Porto.

Artigo elaborado pelas alfacinhas Inês Chaíça e Serenela Moreira e pelos tripeiros Sara Sampaio e Tiago Costa.