Ida

‘Ida’ transmitido com alterações gera polémica na Polónia

12 minutos introdutórios onde se acusou o filme de ser ‘anti-polaco’ e falsificação antes dos créditos finais marcaram a transmissão de Ida na TVP, televisão pública da Polónia. 

A Academia de Cinema Europeu (EFA) já reagiu com apreensão ao tratamento dado pelo canal de televisão polaco a Ida, o aclamado filme de Paweł Pawlikowski. Em causa está um debate inicial de 12 minutos (acrescentado à exibição televisiva da longa-metragem) que, segundo a EFA, questionou a precisão histórica da obra de Pawlikowski e defendeu que esta apenas venceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2014 devido à sua posição pró-judaica.

A contestada discussão que precedeu a emissão de Ida, e que muitos dizem ter sido facciosa e enviesada, teve as contribuições do historiador Piotr Gursztyn, do crítico de cinema Krzysztof Kłopotowski e de Maciej Świrski, um membro da Associação contra a Difamação que chegou mesmo a afirmar que “o filme é um insulto ao povo polaco”.

Todavia, a polémica não se fica por aqui. Ida, que foi transmitido ininterruptamente, a seguir à “tertúlia” acima referida, terminou com um texto que, tendo sido incluído de modo a que parecesse fazer parte do próprio filme, enaltecia a solidariedade dos muitos polacos que, durante a Segunda Guerra Mundial, ajudaram judeus a escapar à perseguição nazi. Este falso final tentava, assim, contrariar a visão mais negativa dos eventos que está presente no filme.

Vários cineastas polacos, entre os quais se destacam Małgorzata Szumowska, Andrzej Wajda e o próprio Paweł Pawlikowski, assinaram uma carta aberta ao presidente da TVP, Jacek Kurski, onde condenam o formato escolhido para a transmissão de Ida. Os autores dizem que esta emissão se tratou de um ato de “propaganda manipuladora”, e acusam o canal de televisão de ter desrespeitado “a sensibilidade e inteligência” dos seus telespectadores ao incluir uma “interpretação ideológica” do conteúdo artístico a exibir.

Vale a pena recordar que os anteriores diretores dos canais TVP1 e TVP2 se demitiram após a aprovação pelo parlamento polaco, a 31 de dezembro de 2015, de uma lei que colocava os media públicos sob controlo do Governo, agora dirigido pelo partido Lei e Justiça, da direita ultraconservadora.

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