A Bright Lisbon Agency chegou. Feita exclusivamente por alunos da Escola Superior de Comunicação Social, a BLA é a primeira júnior empresa especializada em comunicação do país. O Espalha-Factos esteve na apresentação desta agência e conta-te quem são os iluminados que fizeram nascer a ideia. No final, ainda houve direito a piza grátis.

Durante algumas semanas, frases como “achas que sabes como mudar uma lâmpada?” ou “vem aprender a mudar uma lâmpada” inundaram as redes sociais.

O ambiente cá fora estava agitado e os preparativos a serem ultimados, minutos antes de começar. “Vai correr tudo bem”. “Testem o som outra vez”. “Tu tens que dizer ao gajo que ele tem de entregar a piza em mãos!”. “Atenção, pessoal!”. “Quanto tempo para mandar entrar?”. 3 minutos. Faltavam três minutos para que a lâmpada finalmente se acendesse. Aliás, a lâmpada já estava acesa. Melhor: não uma, mas várias. “Pessoal, divirtam-se.” Assim começava a apresentação da Bright Lisbon Agency, a primeira júnior empresa especializada em comunicação em Portugal.

“Eu sou apenas uma pessoa que teve uma ideia a comer piza”

Constituída só por estudantes da Escola Superior de Comunicação Social, a Bright Lisbon Agency quer prestar serviços de comunicação: cobertura de eventos, trabalhos de representação de marcas, planeamento de redes sociais, serviços de web design, entre outros tantos. Por enquanto, é a BLA que vai à procura de potenciais interessados no trabalho que fazem. “Era bom que fosse o cliente a vir ter connosco, mas sabemos que ainda não temos tamanho suficiente para que isso aconteça”, explica André Albuquerque, presidente da agência.

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André Albuquerque, presidente da BLA

“A primeira vez em que eu tive esta ideia foi quando o Brasil levou sete a um da Alemanha”. Estávamos em 2014. Até arranjar “uma boa estrutura”, a Bright Lisbon Agency demorou um ano a ser construída, conta André. “A ideia era garantir que isto ficava para a posteridade”. Mas o aluno de Publicidade e Marketing deixa bem claro: “eu sou apenas uma pessoa que teve uma ideia a comer piza”. Já Ana Carolina Batista, a vice-presidente da BLA, define-se dentro do projeto como a que tem os pés assentes na terra. “O André é que aparece com as ideias malucas. Ele chega ao pé de mim e diz ‘Carolina, vamos fazer isto’”, afirmou.

O projeto, que nasceu da necessidade de ter na escola algo virado para os alunos do curso de Publicidade e Marketing e de Relações Públicas, esteve quase para não acontecer, conta a equipa e o presidente da ESCS. “A resposta mais fácil é sempre dizer ‘não’. Mas nós decidimos avançar”, diz Jorge Veríssimo.  A escola, que diz valorizar o espírito empreendedor, defende que é este tipo de projetos “que criam no estudante o conjunto de soft skills necessárias no mercado de trabalho”.

Por agora, a Bright Lisbon Agency tem 25 membros, que integram os 4 departamentos (comercial, design e imagem, estratégico e de recursos humanos), mas querem alargar a equipa. Trabalham lado a lado com um conselho consultivo de 15 professores da instituição.

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A equipa “Bright”

“Think big. Think right. Think bright.”

Mas o que é isso de júnior empresa? Calma, nós explicamos tudo. Uma júnior empresa, tal como a Bright Lisbon Agency, é uma associação sem fins lucrativos, não política, feita por estudantes universitários. Sob o mote learning by doing (aprender fazendo) desenvolvem projetos onde tenham a oportunidade de melhorar as competências que acreditam que podem fazer a diferença no mercado de trabalho. Normalmente, as júnior empresas estão sediadas em pólos universitários, como acontece com a BLA. É em reuniões descontraídas, muitas vezes em salas da ESCS – e com muita piza à mistura, certamente -, que o projeto vai crescendo.

Começa antes de estares preparado

A Bright Lisbon Agency não é caso único no mundo das júnior empresas em Portugal. A ISCTE Junior Consulting foi eleita, em 2015, a Júnior Empresa do Ano pela JADE Portugal, a Federação Nacional de Júnior Empresas. Tiago Paula, presidente da organização do ISCTE, diz que o trabalho não é fácil, mas que os bons resultados acabam por chegar. “Muitas vezes, queremos bater com a cabeça nas paredes e pensar que não vai resultar, mas depois as coisas boas chegam. Temos uma grande responsabilidade. Estamos a falar de projetos reais e de clientes a sério”.

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Davis Gouveia e Tiago Paula

Davis Gouveia, antigo membro da JUNITEC, (Júnior Empresas do Instituto Superior Técnico), a primeira do país, alerta para o facto de que “muitas vezes, as pessoas não começam a entrar em projetos antes de saírem da faculdade, porque pensam que não têm capacidades para o fazer”. O atual diretor da Uniarea, um site de informação sobre o ensino superior, diz que não há melhor altura para errar do que quando se está na faculdade. “É melhor falhar agora do que quando estivermos no mercado de trabalho”.

Depois de uma selfie com os telemóveis no ar em modo lanterna de todos aqueles que estavam no auditório (cheio) da Escola Superior de Comunicação Social, uma grande notícia chegava: piza para todos. E lá fomos, iluminados pela Bright.