Studio Killers

Studio Killers, uma ode às bandas ficcionais

Falar de criatividade na música é quase tão obrigatório como ver o Papa numa viagem a Roma. A comparação é estranha mas, leva-nos a perceber o quão fulcral é para o mediatismo e inovação musical a existência de projetos que sejam mais do que meros criadores de canções engraçadas, onde se incluem projetos como Gorillaz e Studio Killers.

Nos últimos dias temos ouvido falar de casos de plágios e supressão criativa mencionar “criatividade” e “inovação” é complicado mas, restam-nos bons exemplos da importância da originalidade como é o caso de projetos como os Gorillaz, composto pelas personagens fictícias: 2-D, Murdoc Niccals, Noodle e Russel Hobbs, cujo único membro real e fixo é Damon Albarn (conhecido também pelos seus trabalhos a solo e com os míticos Blur).

Este projeto de Albarn é o maior representante deste “género fictício” que, na verdade, é uma mistura de géneros – desde hip-hop ao pop, sem esquecer a eletrónica. Após uma longa pausa, os Gorillaz estão (desculpem-me a ousadia…) finalmente de volta com um novo álbum a ser lançado este ano.

A inovação de Gorillaz subsiste por si só – suportado pelas histórias paralelas de cada personagem e rumores que nos ajudam a compreender a rebeldia com que mudaram o mundo da música, tornando-se num verdadeiro exemplo para gerações futuras.

Mas a existência de muitas bandas inspira-se pela inovação de outras; é aqui que entram bandas como os Studio Killers que surgem em 2011 no norte da Europa, formado por Cherry (cuja voz diz-se ser do músico finlandês, Teemu Brunila), Goldie Foxx, DJ Dyna Mink e até um manager estranho/curioso, Bipolar Bear. Para além da voz de Cherry ser interpretada por Teemu Brunila, pouco mais se sabe acerca dos membros “verdadeiros” deste projeto.

Com um álbum homónimo, lançado em 2014, o som de Studio Killers aproveita-se da facilidade rítmica da música eletrónica para abordar temas controversos.

Dissecando alguns deles, temos o exemplo de Ode to the Bouncer, que fala das dificuldades de Cherry (a vocalista) em entrar em clubes noturnos, onde se percebe que frases como “All in all you’re just another prick at the door” se inspiram num dos grandes êxitos de Pink Floyd.

Outro exemplo é All Men are Pigs que vive de fortes referências feministas a Simone de Beauvoir e que condena, em simultâneo, o comportamento sexista dos homens sobre as mulheres culminando no surpreendente verso, “All men are pigs. All men but me”, que levanta a ideia de que se trata de um projeto liderado por homens. Acho absolutamente brilhante que homens critiquem o comportamento de outros, independentemente do seu género.

Já a canção Jenny inspira-se numa paixão de Cherry – onde fala de uma rapariga que se apaixona pela sua melhor amiga, a Jenny, embora esta tivesse namorado. Em 2013, o tema de relações homossexuais estava em grande foco na Finlândia. O grupo quis explorar esse episódio de Cherry e expressar o seu apoio neste tipo de temáticas que, ainda hoje, estão em discussão.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=hyj4JFSErrw]A lista podia continuar pois, todo o projeto vive de pequenas referências ao nosso quotidiano e a momentos culturalmente importantes que nos fazem refletir sobre temas que continuam a existir à nossa volta e que, muitas vezes, optamos por ignorar.

Mas, são artistas como os Studio Killers que me fazem acreditar na viabilidade e consistência da música pop e na importância da música para refletirmos sobre momentos sociais e culturais importantes.

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