Masala, Jibóia

A pangeia cultural de “Masala”, de Jibóia

Com o selo da Lovers & Lollypops, Jibóia estreia-se nos longa-duração com Masala. Numa infusão oriental, o disco penetra numa névoa de ritmos e sonoridades do Médio Oriente.

Todas as músicas são uma cidade. Todas as cidades são Masala. Não importa onde se esteja. O som oriental é transportado para uma guitarra ocidental. De um momento para o outro estamos a ir numa corrente contra-cultura que nos prega a não fazer distinção entre mundos. O Paquistão aparece-nos como um país vizinho. Somos levados a crer que a pangeia ainda está em vigor.

As guitarras imitam flautas que hipnotizam os ritmos da bateria. Damos por nós também hipnotizados a cada faixa que atravessamos. De cidade em cidade vamos experimentando os sabores, os cheiros, sentindo no ar o bafo quente e húmido que nos transporta num piscar de Lisboa a Marraquexe.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=qaD6ZE8ePjQ]

Masala apresenta-se com tal atitude que não é possível tirar-lhe os olhos de cima. Geralmente, – e se cair no erro de fazer generalizações exageradas, assumo total responsabilidade – quando se pensa em música oriental deste tipo, conseguimos desenhar mentalmente uma melodia e pensar que não haverá muitas mais formas de se transformar isso. Jibóia prova-nos o contrário. Neste disco são oito faixas que o comprovam. Todas as músicas têm a sua própria sonoridade e adquirem uma textura muito própria, quase tão diferente umas das outras como as cidades que lhes dão nome.

Mas é mais do que isso, talvez. Prova que temos em nós tanto de ocidental como de oriental. Uma espécie de transculturalidade que só é atingível através do transe na música reptiliana a sangue frio de Jibóia.

Masala pode ser ouvido aqui:

Nota final: 7,5/10

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