O novo episódio de American Crime Story foi exibido dia 23 e promete mais desenvolvimentos na intriga. Aqui fica a review do Espalha-Factos ao quarto episódio, intitulado 100% Not Guilty.

Se o episódio anterior deixado alta a fasquia no que toca a batalhas de tribunal, este também não deixará decerto os fãs decepcionados. A “equipa de sonho” contratada por OJ Simpson (Cuba Gooding Jr.) para preparar a sua defesa decide colocar obstáculos a cada movimento da acusação. Assim, ainda o episódio quase não arrancou e já Johnnie Cochran  (Courtney B. Vance) está a contestar um simples pedido da acusação para obterem uma amostra de cabelo de OJ.

American Crime Story

” I’m absolutely 100% not guilty “

É precisamente Cochran quem brilha incontestavelmente do início ao fim deste episódio. É o carismático advogado que incentiva OJ a voltar a lutar com vontade depois de uma inspiradora conversa na qual o próprio admite ser um gigante admirador do atleta.

Robert Shapiro (John Travolta) , o – suposto – advogado principal, começa rapidamente a perder totalmente o controlo da sua equipa. É um desenrolar natural, tendo em conta que parece mais interessado em cimentar a sua fama enquanto grande advogado e trabalhar em declarações à imprensa. No final do episódio, F. Lee Bailey (Nathan Lane) e Cochran ensaiam uma espécie de golpe de estado em que Shapiro é colocado de parte e Johnnie assume as rédeas enquanto advogado principal.

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” Maybe try smiling a bit more “

Marcia (Sarah Paulson) continua, infelizmente, a afundar-se. Está presa a um caso que se afigura mais e mais complicado e que se afasta a uma velocidade estonteante da vitória fácil que parecia inicialmente. Não só o seu superior admite relutantemente que nenhum júri condenará à morte o atleta mais famoso do país, como uma pesquisa de jurados revela que a imagem de Marcia perante o público é de uma mulher fria que não suscita simpatia alguma.

Cochran, de forma não surpreendente, gera reações de enorme empatia com toda a comunidade, em especial a afro-americana. Por este motivo, Marcia decide juntar oficialmente Christopher Darden (Sterling K. Brown) à sua equipa, para mostrar à comunidade afro-americana que também um advogado negro pode considerar OJ culpado.

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Sterling K. Brown como o advogado Christopher Darden

Apesar de tudo isto, uma das melhores cenas do episódio surge pela sua imprevisibilidade. Quando, numa audiência em tribunal, observamos duas pessoas desconhecidas com um ar completamente desconsolado, quase nem ficamos curiosos. É só mais tarde, quando chegam ao escritório de Marcia e os identificamos como a família de Ronald Goldman (o homem assassinado juntamente com Nicole Simpson) que o clique se faz.

É verdade, existiram dois homicídios. E se nos costumamos esquecer de Ron, a sua família certamente não o faz e acredito que também não o tornaremos a fazer depois de uma cena carregada de emoção como esta. O pai do falecido, Fred (Joseph Siravo), afirma-se amargurado e enojado com o circo que se fez à volta do filho, e que transmitiu uma imagem totalmente falsa do mesmo. Por fim, uma Marcia visivelmente emocionada promete-lhe justiça.

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Família de Ronald Goldman

A par de tudo isto, uma amiga de Nicole decide revelar todos os podres sobre a sua amizade a uma editora, o que resulta na rápida publicação de um colorido livro que ascende ao topo das tabelas. Faye Resnick (Connie Britton) afeta o julgamento por transmitir uma imagem de Nicole que envolve todos os pecados imagináveis de sexo a drogas.

O mote de American Crime Story continua forte, mas é inegável que neste episódio só existiu um vencedor: Johnnie Cochran. O brilhante advogado manipula à sua mercê não só a opinião pública como uma equipa de defesa que nem lidera (pelo menos inicialmente). Resta saber como será o desfecho da sua ação legal neste caso. Como sempre, aguardamos na esperança de que a qualidade se mantenha.

American Crime Story estreia dia 1 de março pelas 22h15 em Portugal, no canal FOX.

Nota: 7/10