O mês de fevereiro está a chegar ao fim e com ele mais uma edição da rubrica Apsarases. Hoje não queremos apresentar-te um vídeo com um bailarino, nem com um espetáculo, mas com um estilo de dança. Melhor ainda, vários estilos, numa viagem pelos loucos anos 20. Para tal, destacamos um vídeo da escola Swing Station e um outro do projeto  I Charleston the World.

O início da Swing Station em Portugal

A Swing Station  é a primeira escola de danças vintage, em Portugal. Fundada em 2007, no “coração” de Lisboa, pela professora Abeth Farag, aposta na diversidade de oferta e na máxima “aprende enquanto te divertes”.

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As danças da Swing Station

Neste vídeo, a escola juntou vários estilos vintage que merecem uma explicação. Blues dancing designa aquilo que anteriormente era conhecido por Slow Dancing. A sua origem remete para o final do século XIX nos EUA. Uma dança que acompanha o ritmo lento da música, dançada a pares, tendo o jazz como banda sonora. Movimentos lentos e largos, acompanhados por várias voltas e pela capacidade interpretativa dos bailarinos são as bases essenciais para criar a atmosfera intimista do blues.

O Tap (ou sapateado americano) é resultado da fusão entre tradições de step-dances britânicas – Irish jig, e de África – West African gioube. A partir de 1900, impôs-se como uma arte de palco e como uma das mais complexas danças jazz, expressando os ritmos e poliritmos da música, atingido velocidades nunca antes experimentadas na dança. O tronco solto e o movimento dos braços aproximam-na do swing, mas é através da dinâmica dos pés e da riqueza rítmica que se destaca.

os sapatos de sapateado

Os sapatos de sapateado

O Charleston pode ser carinhosamente intitulado “pai” de todas as danças vintage que lhe sucederam. Nasceu na década de 1920, pouco depois do fim da Primeira Guerra Mundial, numa cidade da Carolina do Sul, cujo nome acabou por nomear também a dança. Inicialmente era dançado pela comunidade negra do sul dos EUA, mas rapidamente atraiu a classe média alta da sociedade.

Dançado em pistas de clubes, como o famoso Cotton Club, a música estava entregue a uma orquestra formada, maioritariamente, por negros. Esta dança fazia sucesso entre as mulheres jovens que desafiavam tudo que era considerado convencional para a época, que bebiam e fumavam em público, agindo de uma forma confiante.

as jovens da época

As jovens da época

Facilmente identificável em cenas de dança dos filmes da época, este género caracteriza-se pelos movimentos rápidos dos braços e dos pés. As mulheres usavam vestidos curtos, de cintura baixa, com franjas e roda que acompanhavam o movimento das ancas. O look estava completo com a maquilhagem pesada, longos colares e adornos com penas na cabeça.

O Charleston na Invicta

Engane-se quem pensa que o Charleston ficou nos anos 20. As danças vintage estão na moda e desde 2012 o projeto I Charleston the World convida os amantes do género a dançarem pelas cidades e a partilharem o seu vídeo. É neste contexto que surge o I Charleston Porto, apresentado em outubro de 2015, numa parceria entre a escola Swing Station e a HOP Dance Studio.

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Nem todos estes elementos estão representados neste segundo vídeo, mas o ritmo frenético, os joelhos que se afastam e juntam ao sabor da música, os braços que se agitam, e as mãos que se cruzam neste estilo expressivo, espelham bem a essência boémia e irreverente dos anos 20. Neste Charleston do século XXI, vemos que é possível dançar em grupo, em círculos, a par ou mesmo individualmente, onde cada dançarino utiliza a criatividade e a interpretação da música para criar a sua dança.

Como surgiu o Lindy Hop?

No decorrer da década de 1920 o Charleston, o sapateado e o jazz tropeçaram uns nos outros, entrelaçaram-se e deram origem ao Lindy Hop. Esta famosa crazy dance nasceu no Harlem, o mais conhecido bairro negro de Nova York, mais precisamente no Savoy Ballroom, e espalhou-se pelos EUA. Durante o segundo pós-guerra o swing, a banda sonora deste estilo, foi deixado para segundo plano, sendo ressuscitada apenas nos anos 80, altura em que também chegou à Europa.

lindy hopA diversidade de danças vintage

O showreel da Swing Station testemunha a riqueza coreográfica deste género bem como os arriscados aéreos que, a partir dos anos 50, inspiraram os mais diferentes estilos de rock and roll e swing dances, como o jive.

As Big Bands consagraram o swing como um dos ritmos mais fortes e dançantes do século passado, prova disto é a variedade de estilos que a partir dele nasceram. Apesar da maioria dos tipos de swing terem tido origem em comunidades afro-americanas, algumas, como o Swing Balboa, desenvolveram-se em comunidades brancas.

A Swing Station destaca a elegância desta dança, e nós concordamos. Mais tímido que o Charleston e menos aventureiro que o Lindy Hop, vive do footwork e da coordenação entre os dois bailarinos. No Swing Balboa há espaço para elementos dinâmicos, como as voltas, em que o par dança mais afastado, mas também para momentos “peito a peito” em que a conexão entre os dois é imprescindível.

Nesta imersão pelo imaginário das danças vintage há de tudo: ritmos mais lentos, outros mais rápidos, ou até frenéticos. Danças em linha, a par ou em círculo. Coreografias mais complexas e outras mais simples. Há glamour que transporta qualquer um para a época de ouro da América. O importante é deixares-te contagiar, perderes a vergonha e deixares que esse dedinho do pé irrequieto que bate ao som da música se estenda ao resto do corpo.