Free Kesha
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#FreedomForKesha: a batalha por detrás da hashtag

A cantora acusou, em 2014, o produtor musical Dr. Luke de abuso sexual e psicológico desde o início da sua carreira. No auge de uma batalha judicial, esta sexta-feira ficou marcada pela rejeição do acordo proposto por Kesha, que visava a sua libertação do contrato musical que mantinha com a produtora musical Sony, levando a um alvoroço nas redes sociais.

O caso que está a chocar o mundo assumiu contornos judiciais na Califórnia, a 14 de outubro de 2014, data em que a artista pop Kesha processou Lukasz Gottwald, conhecido como Dr. Luke, por abuso sexual, violência física e psicológica e ainda práticas comerciais desleais.

Simultaneamente e face a estas acusações, o produtor musical da Sony reagiu com um processo contra a cantora, por quebra de contrato e difamação, em Nova Iorque; em junho de 2015, Kesha viu o seu caso ser posto em “lista de espera” por um juíz, que alegou precedência da parte do caso de Nova Iorque (levado a cabo por Dr. Luke).

Esta é uma batalha judicial que põe em risco a carreira da artista: os seus advogados afirmaram, em tribunal, que Kesha não pode trabalhar por temer demasiado pela sua segurança e que não sendo libertada do contrato com a Sony, e consequentemente Dr. Luke, ficará impedida de escrever, gravar, publicar e atuar com outra qualquer pessoa – o que pode significar um ponto final na sua carreira.

No entanto, o caso assume contornos mais complicados: enquanto que os advogados do produtor e da Sony alegam o cumprimento do contrato e as obrigações nele estipuladas, a Sony afirmou em tribunal que a artista poderá trabalhar com outro produtor. A montanha-russa continua e, por outro lado, Mark Geragos, advogado de Kesha, duvida do argumento da editora e acredita que não pode ser levado a sério, uma vez que a Sony está interessada em proteger Dr. Luke e não o trabalho da artista: “Vão escolhê-lo a ele em vez dela.”

Kesha na audiência da passada sexta-feira. Foto: Jefferson Siegel
Kesha na audiência da passada sexta-feira.
Foto: Jefferson Siegel

Na audiência da passada sexta-feira, a juíza do Supremo Tribunal de Manhattan, Shirley Kornreich, declarou que a libertação de Kesha do contrato implicaria danos irreparáveis à Sony, uma vez que a cantora não cumpriria a obrigação de lançar mais seis álbuns com Dr. Luke para a editora; sobre as acusações de abuso sexual e violência psicológica, a decisão foi adiada pela juíza, que considerou não existirem provas suficientes, como data e local dos episódios. Assim, a decisão foi tudo menos favorável para Kesha, que terá chorado audivelmente enquanto era lida a sentença.

No exterior do tribunal, dezenas de fãs mostravam o seu apoio à cantora, segurando cartazes com a hashtag #FreedomForKesha, que parece ter inundado e provocado revolta em redes sociais além fronteiras. O caso está a chocar o mundo – principalmente feministas, que acreditam ser uma clara manifestação de rape culture, teoria na qual o assédio e abuso sexual é “permitido”, ou pelo menos normalizado a favor do agressor.

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