Um concerto de música eletrónica é muito mais do que um DJ, ou um par de DJs, em cima de um palco a tocar um set enquanto os fãs à sua frente saltam sem parar. Há todo um ambiente que tem de ser gerado para criar um espetáculo que ficará na mente das pessoas durante o máximo de tempo possível. Para isso, há quem recorra a foto de artifício, a canhões de fumo ou a conffettis, mas o vídeo é sempre o elemento mais importante. E é para isso que VJ Draft vive.

Mesmo que não saibas, se costumas ser presença assídua em concertos de música eletrónica já terá assistido a uma “atuação” do VJ Draft: na Semana Académica da Covilhã, no MEO Sudoeste, Expofacic, RFM Beach Power, atuações com o Kura, Putzgrilla, Van Breda, enfim, ele esteve em todas.

“Há uma aprendizagem musical e um estudo da linha gráfica adequada para cada artista. Na minha opinião, cabe-nos a nós – VJ’s – fazer esse trabalho prévio. O artista espera que eu adapte os conteúdos, enfatizando a componente visual e potenciando o valor daquele espetáculo”, disse Draft ao Espalha-Factos.

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Mas afinal, o que é um VJ e como é que Draft tem um currículo tão extenso? Bom, VJ é a sigla para Video Jockey, e é a pessoa que trata de criar o espetáculo visual no ecrã gigante (e não só) que por vezes está atrás do DJ.

E não, nada daquilo é algo automático nem previamente preparado, já que o trabalho de Draft passa precisamente por “ter uma prestação flexível” para estar em “concordância com o estilo do artista e com um espetáculo poderoso”. E daí nasceu a alcunha por que é conhecido de norte a sul do país.

A relação com as “verdadeiras estrelas” dos concertos

Ser VJ é um trabalho gratificante, mas ao mesmo tempo tem a sua quota parte de injustiça. Podes achar um concerto brutal, com um espetáculo de luzes e de imagens do outro mundo, mas raramente te preocupas em saber quem foi o responsável por tudo aquilo, tal como os próprios DJs se esquecem por vezes de dar o devido crédito.

“Todos nós gostamos de ver o nosso trabalho reconhecido, no entanto, tenho noção de que se o público ficar satisfeito com o espetáculo do DJ, o momento foi vivido intensamente e em pleno“, comentou Draft, “não creio que esse agradecimento tenha de ser feito ao meu trabalho, especificamente”. Para o VJ, o verdadeiro agradecimento vem com a tarefa bem sucedida na altura de transmitir “uma mensagem visual forte” e saber que ela chegou ao público de forma impactante.

“Tenho noção de que se o público ficar satisfeito com o espectáculo do DJ, o momento foi vivido intensamente e em pleno

Não importa quantos concertos, quando espetáculos ou quantas vezes está à frente de um grande palco, “é sempre emocionante ver milhares de pessoas a gritar por um artista”, e essa foi uma das grandes razões que levou Draft a seguir esta carreira, tendo já trabalhado com nomes como Kura ou até mesmo Martin Solveig.

Nomes mais ou menos internacionais, “a humildade e a noção de respeito pelo trabalho” são duas caraterísticas fundamentais para trabalhar com o video jockey. Todos cumprem? “A maioria da minha experiência pauta-se por profissionais completos com quem tive o prazer de trabalhar e isso é sempre positivo”, disse.

A EDM e a “teoria da pen drive”

“Os sets dos DJs são adequados dentro do estilo que se pretende e sim, muitas vezes são preparados antecipadamente…como todos os artistas fazem”. VJ Draft é claro quanto à ideia de que os DJs  pouco mais fazem em palco do que carregar no play, ideia que passa pela mente de muitas pessoas e que acaba por levar de arrasto tanto quem o faz como quem se esforça para proporcionar ao público o melhor “live act” possível.

Foto: vjdraft.com

Foto: vjdraft.com

De acordo com o DJ, “os actores estudam os textos, os futebolistas treinam as jogadas” e por aí fora. Até bandas levam uma tracklist definida, ou seja, todos se preparam antes de um grande espetáculo.

“Ainda bem que é assim! Revelam respeito pelo público e pelo trabalho. A arte não é ciência exacta, é por si imprevisível e mutável, um espectáculo também”, rematou Draft

O que está para vir

Tal como qualquer outro artista, um VJ também tem o desejo e poder atuar em grandes palcos, de lidar com grandes artistas e de estar em contacto com os milhares, milhões de pessoas que pagam bilhete para ir aos concertos. Para Draft, o estado atual da sua carreira passa atualmente por “conquistar diariamente” o seu lugar e aumenta ainda mais a experiência que já ganhou.

“Gosto de estar em contacto com outros VJs e de trocar experiências – é sempre enriquecedor para cada um. Quero continuar a fazer o meu trabalho em Portugal e pisar alguns grandes palcos internacionais”, admitiu o profissional ao Espalha-Factos. Contudo, há o desejo número um: “fazer uma tour mundial com um artista”. Digamos que essa proposta já esteve mais longe.