Depois de três anos de espera, ANTI, o novo álbum de Rihanna está aqui. Teasers, singles que acabaram por não fazer parte do álbum, colaboração com Drake e cover de Tame Impala para alcançar na primeira semana… mil álbuns vendidos.

Estes números adiantados pelo New York Times vêm do top Billboard dos Estados Unidos da América e a explicação pode estar na campanha feita pela Tidal. Neste serviço de streaming detido por Jay-Z (também ele dono da Roc Nation, editora do álbum), e em conjunto com a Samsung, Rihanna ofereceu um milhão de cópias aos fãs, com mais meio milhão de downloads vendidos posteriormente.

Estes números, no entanto, pouco influenciaram as contas para os tops oficiais, que não contabilizam as cópias oferecidas e as restantes foram vendidas já fora dos prazos desta semana. Tudo isto fez com que ANTI se estreasse nos tops na 27.ª posição, a pior prestação de sempre para Rihanna. Apesar disso, outros organismos como a Recording Industry Association of America não tiveram dúvidas em certificá-lo quase instantaneamente como disco de platina.

Mas afinal, ANTI é ou não um êxito? Apesar destes pormenores técnicos, parece que o mais recente trabalho de Rihanna ficou mesmo aquém das espectativas. Tal como o João Patrício escreveu para a análise do Espalha-Factos, ANTI é “um álbum que prometeu muito e deu tão pouco.”

As estratégias utilizadas pelas editoras com o intuito de entusiasmar fãs para novos lançamentos têm-se intensificado, mas nem sempre isso é acompanhado com um aumento na qualidade da música produzida. Singles lançados antes dos álbuns, teasers de imagens misteriosas em redes sociais, campanhas publicitárias, declarações de artistas amigos… Tudo isto faz com que na estreia do álbum fiquemos desiludidos pelo hype que foi criado não ser correspondido, ao invés de apreciar inteiramente o que pode ser um bom trabalho.

Nos últimos tempos encontram-se ocasionalmente artistas que optam pela estratégia contrária: lançar um álbum de surpresa. Nomes como David Bowie, Beyoncé ou Radiohead colocaram no mundo os seus mais recentes trabalhos com pouca ou nenhuma promoção, algo que não prejudicou o seu sucesso comercial. Não será altura de as editoras se concentrarem mais na produção e menos na promoção dos seus álbuns?