Passeio das Virtudes

Crítica: “Passeio das Virtudes”, de Salto

Passeio das Virtudes é o segundo longa-duração dos Salto. Editado no passado dia 30, sucede ao aclamado álbum homónimo da banda portuense.

Quatro anos depois de serem bem recebidos pela crítica com o seu primeiro trabalho, Passeio das Virtudes marca o regresso dos Salto aos álbuns de estúdio. O novo trabalho é marcado pela maturação musical do ex-duo, transformado recentemente em quatro membros. O registo demarca-se como sendo mais eletrónico, numa valsa constante em que guitarras elétricas e sintetizadores são o metrónomo da dança.

O álbum abre com Queimo as Mãos Pelo Futuro, uma música com uma sonoridade que relembra Solitude is Bliss, dos Tame Impala. Não obstante, as canções desta banda serão sempre pautadas pelas letras na língua lusa e pela mestria em usá-la em canções pop.

Mar Inteiro, o primeiro single do álbum e homónima da tour nacional, já era uma constante dos concertos da banda e afirmou-se cedo como a embaixadora de um segundo álbum. A aposta foi certeira. Demonstra maturidade, assim como o álbum no conjunto.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=76JpysFZ2VM]

Passeio das Virtudes, tema que os Salto também já tocavam em alguns concertos, segue na linha da Mar Inteiro. Ao contrário do resto do álbum, são dois temas que estão menos imersos em sintetizadores, detunesphasers.

Lagostas, segundo single do disco, tem um sentimento misto. Foi um bom single de apresentação, mas no meio do álbum acaba por não se enquadrar. Uma espécie de True Affection no meio de um I Love You, Honeybear, que confirma que, não sendo um mau tema, não se enquadra no álbum. No entanto, é importante realçar o riff final – que, aliás, começa a meio do tema –  pela capacidade de transportar a música, e o próprio álbum, ao novo patamar em que os Salto se situam.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=jfRZ0L8vCPA]

CésarO Sonho da Cidade Branca são dois temas que atuam como uma espécie de interlúdio dual. Aqui denota-se acentuadamente o uso de sintetizadores como uma das fontes de alimentação principais deste álbum.

Em Paz Com Falhas tem feições de Mac deMarco. Não só pelo sintetizador desengonçado, pelo qual o cantor canadiano é famoso, mas pelo feeling geral da música. Ora, isso não é mau. Aliás, conseguir transportar de forma bem sucedida essa aura para o panorama musical português demonstra que esta banda além de madura, se afirma como um tesouro nacional.

Cidade Branca interliga-se genialmente com o tema anterior e é o tema mais rock de todo o álbum.

Uma de Cada Vez é um dos melhores temas do álbum. Consegue agregar todo a essência dos Salto. Relembra-nos o primeiro trabalho da banda mas consegue respirar as novas influências musicais que estão presentes no novo.

Selva, uma música um pouco apagada, dá lugar a Selva Néon, um bom interlúdio com raízes R‘n’B.

A acabar de forma brilhante, Estrada Gasta leva-nos a viajar a uma Miami dos anos 80 num passeio em Cadillac rosa. Um ótimo final para um bom álbum.

Passeio das Virtudes é um álbum competente e maduro. Um álbum com uma forte aposta na produção, que o torna bem concebido.

O álbum na íntegra pode ser escutado aqui:

Nota final: 8/10

 

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