Crítica: “Hymns”, de Bloc Party

Hymns é o quinto registo em estúdio dos britânicos Bloc Party, editado no passado dia 29 de janeiro pela BMG e produzido por Tim Bran e Roy Kerr.

Quatro anos após o lançamento Four, álbum produzido por Alex Newport, e um hiato indefinido declarado publicamente pelo guitarrista Russell Lissack em 2013, Hymns marca o regresso da banda que ganhou uma nova formação depois das saídas de Gordon Moakes e de Matt Tong – para além do frontman Kele Okereke e de Lissack, o baixista Justin Harris e a baterista Louise Bartle compõem agora a atual formação da banda londrina.

A desconcertante e indefinida The Love Within, apresentada em outubro como o primeiro single do disco, abre Hymns com irritantes e excessivamente prolongados riffs, acompanhados por uma voz ligeiramente estridente de Kele que se encontra vincadamente patente na primeira linha do refrão (“The love within is moving upwards / Sweeter than any drug / The melody is taking over / Guide my hand through this hurt”) e se assemelha a algum trabalho a solo outrora produzido por este.

Contrariando um início vivaz, Only He Can Heal Me ilustra alguma vulnerabilidade, insegurança e desespero (“There are times I get to feeling /That this world has stole my grace / When every day feels like a hustle / Every day I’m saving face”), recorrendo a um ritmo brando e a um coro bem caraterístico da música hebraica. Segue-se a igualmente agradável So Real, que em nada se afasta dos contornos assumidos pelo tema anterior e dita uma tendência que se arrasta pela quase totalidade do disco.

http://youtu.be/2430qf2A7i8

The Good News, o segundo single de Hymns, exibe uns Bloc Party fortemente introspetivos, voltados para os blues com uma linha de baixo duradoura e influenciados por uma sonoridade gospel que acompanhou o processo criativo do álbum (“Oh Lord, I’m trying to keep my mind / On the good news that’s in my heart”). Ainda assim, soa como qualquer tema de rock genérico saído de um El Camino ou de um AM.

A pop e o r&b de Fortress, preenchida por teclados subtis, inflexões vocais e manifestamente coberto de sentimentalismo, parece dar continuidade ao trabalho a solo de Okereke. Numa tentativa de reavivar uma atmosfera presente em Blue Light, com batidas pujantes, Different Drugs exibe-se com um indie rock sombrio e pobre, no qual Kele, repleto de interrogações, procura incessantemente por uma droga capaz de curar um relacionamento que mantem com outra pessoa.

Seguidamente, a chama pouco intensa de Into the Earth e as particularidades amorosas e clichês de My True Name realçam a falta de entrosamento atualmente vivido pelos Bloc Party. Virtue, o terceiro e o melhor single do álbum, apresenta um rock energético e dançável, terminando repetidamente com um “I’ve fallen / I’ve fallen again” que lembra Mr. Brightside, dos The Killers.

Já na reta final de Hymns, o modo imperativo e a lentidão de Exes, bem como o sofrimento invocado em Living Lux não são capazes de acordar o ouvinte.

Estando bem longe de um Silent Alarm e até mesmo de um A Weekend in the City, Hymns é o retrato perfeito de uma banda desinspirada e desorientada, em deambulação constante.

Nota Final: 4/10

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