Orelha Negra

Reportagem: Orelha Negra no Hard Club

Depois do regresso aos palcos nacionais, numa atuação no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém no dia 16, os Orelha Negra foram agora ao Porto.

Se o espetáculo em Lisboa havia esgotado com mais de duas semanas de antecedência, o evento portuense acabou por não ser diferente, ainda que tenha levado mais algum tempo – os bilhetes esgotaram nos três dias anteriores ao concerto.

O público, repleto de interrogações e que aguardava ansiosamente pela banda, foi preenchendo por inteiro a sala principal do antigo Mercado Ferreira Borges e foi precisamente pelas 22h17 e já com as luzes baixas que Sam the Kid, Fred, Francisco Rebelo, João Gomes e o DJ Cruzfader entraram em palco.

Cumprimentando por inúmeras ocasiões a plateia, os Orelha Negra, num alinhamento misterioso, aproveitaram para estrear temas que integrarão o seu terceiro disco de estúdio, que sairá este ano. Pelo meio de harmoniosos instrumentais que desde sempre acompanharam o percurso do projeto, perfeitamente sintonizados com a proficiência da arte do sampling de Sam the Kid, o jogo de luzes multicolor ia acompanhando irrepreensivelmente cada loop e cada batida.

Isto é Orelha Negra 2016

Se “Isto é Orelha Negra 2016”, como se pôde ouvir repetidamente, a amostra apresentada do sucessor de Orelha Negra (II) serviu para convencer o público, aguçar a curiosidade e cimentar a sua posição como um sério candidato a melhor álbum nacional do ano.

Esgotados todos os temas novos, que em nada se distanciaram da identidade sonora da banda, os Orelha Negra passaram à revisitação de alguns clássicos do hip hop norte-americano. Fazendo uma referência clara ao incontornável discurso de Martin Luther King, “It was all a dream , I used to read Word Up! magazine”, a opening line de Juicy, de Notorious B.I.G, precedeu alguns hits mais recentes como Bitch Don’t Kill My Vibe de Kendrick Lamar, Shook Ones Pt. II, de Mobb Deep, e a orelhuda Hotline Bling, de Drake.

No encore houve ainda tempo para 961919169, tema do primeiro registo em estúdio da banda e que foi recebido euforicamente pelo público, seguindo-se o enérgico single Throwback, e M.I.R.I.A.M, que, recolhendo infindáveis aplausos, encerrou em beleza o espetáculo.

Arrepios e suor à parte, os rostos sorridentes visíveis em cada um dos membros dos Orelha Negra espelharam uma plateia que, rendida, voltou para o conforto dos seus lares garantidamente feliz.

Fotografias de Luís Pereira.

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