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Foto: Marco Santos

Alexandre Mateus, o jovem bailarino português no Prix de Lausanne 2016

A final do Prix de Lausanne 2016 inicia-se hoje. É uma das maiores montras para jovens bailarinos demonstrarem o seu valor e estende-se até dia 7 de fevereiro na cidade de Lausana, na Suíça. Quisemos conhecer melhor Alexandre Mateus, jovem bailarino português que irá participar no evento. 

Quando tudo começou

Antes de se chegar a um palco como o do Prix de Lausanne há um percurso que se tem de fazer. Alexandre começou a sua caminhada na dança bem cedo, com quatro anos, na CDA – Companhia de Dança do Algarve, em Faro. Aos sete anos estava a ter aulas com Natalia Abramova e Evgeniy Belyaev, que afirma terem contribuído muito para o seu progresso.

Mas se é o que é hoje, agradece-o à professora Carolina Cantinho. Foi aos 11 anos que a encontrou e tem sido determinante na sua evolução. Além das aulas normais, também nos revelou que o seu crescimento na dança se tem consolidado com outros bailarinos e professores de escolas estrangeiras nos cursos de verão proporcionados pela CDA.

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Carolina Cantinho (aqui num espetáculo) tem sido uma das professoras de referência de Alexandre. Foto: Marco Santos
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A chegada ao Prix de Lausanne

Agora com 15 anos viaja até Lausana para a final de um dos concursos mais exigentes para bailarinos em fase de formação. Entre 292 candidaturas de 36 países, Alexandre foi um dos 30 rapazes selecionados. Para isso, teve de responder a um questionário médico e enviar um vídeo com uma aula de ballet e uma variação contemporânea.

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Desta forma conseguiu alcançar o seu lugar na categoria dos 15 aos 16 anos, onde vai ser avaliado por nove jurados com nomes bem sonantes: Julio Bocca (Diretor do Ballet Nacional Sodre),  Marcelo Gomes (Bailarino Principal do American Ballet Theater) , Elizabeth Platel (Directora da Paris Opera Ballet School), Viviana Durante (ex-Primeira Bailarina do Royal Ballet), Jan Broeckx (Diretor do Ballett-Akademie an der Hochschule für Musik und Theater München), Lucinda Dunn (ex-Primeira Bailarina do Australian Ballet), Luca Masala (Diretor da Princess Grace Academy), Nikolai Tsiskaridze (Diretor da Vaganova Ballet Academy) e Ruheng Zhao (Diretor Artístico do National Center for the Performing Arts).

Para as aulas que vai ter e para as variações que vai interpretar em plena competição, Alexandre teve de intensificar os seus ensaios. Além das três horas, três vezes por semana, o jovem bailarino teve mais uma hora diária de ensaios e mais duas aulas adicionais de ballet. Quanto às variações, que terá de apresentar, das hipóteses que estavam disponíveis, escolheu a variação clássica de James, do bailado La Sylphide, e a variação contemporânea Grinding the Teeth, de Goyo Montero.

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Alexandre vai interpretar Grinding the Teeth, de Goyo Montero, Diretor e coreógrafo do Ballet Staatstheater Nürnberg, na Alemanha e que treinará o grupo de rapazes nesta coreografia. A música é de Owen Belton.

Como em todos os concursos, há desafios a enfrentar e objetivos em mente. “O meu maior desafio, até agora, está em melhorar a minha técnica para as aulas que irei ter no concurso”, revela. Quanto ao que quer alcançar no concurso, também é claro: “O meu grande objetivo é chegar à final, mas, mais que isso, ambiciono conseguir uma bolsa de estudo para uma das grandes escolas que o concurso possibilita ganhar.”

E além de Lausanne?

Alexandre já não é novato em concursos, já tem na sua formação a idade ao Concurso Dançarte, em Faro, ao CIB, no Porto, e à Dance World Cup, em Jersey, Paris e Bucareste. Mas ninguém pense que esta vida nos palcos é impedimento para se distrair da escola ou para não ter as suas folgas. “Uso as minhas pausas para estudar, às vezes, na própria escola de dança. E, como não preciso de estudar muito, consigo algum tempo livre”, afirma-nos.

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Alexandre no Concurso Dançarte 2015  com uma variação clássica do bailado “O Quebra-Nozes” no palco do Teatro das Figuras, em Faro. Com esta variação alcançou o Prémio de Melhor Solista. Foto: Marco Santos
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Quanto aos ídolos nesta área, nomeia dois grandes bailarinos atuais: Sergei Polunin e Ivan Vasiliev. E quando se fala em motivações, Alexandre fala-nos de algo bem especial: “O que mais me motiva para a dança é o meu grupo de colegas, por ser muito unido.”

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Relativamente ao futuro, vê-o, claramente, a passar pela dança.“Gostava imenso de conseguir tornar-me um bailarino principal e de pertencer a uma grande companhia”, revelou-nos sem qualquer hesitação. O Prix de Lausanne será de certeza um marco neste seu percurso até à profissionalização.

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Alexandre na coreografia contemporânea “Vertigem”, de Carolina Cantinho, no Concurso Dançarte 2015, no palco do Teatro das Figuras, em Faro. Esta foi uma das coreografias que o levou a vencer o Prémio de Melhor Solista do concurso. Foto: Marco Santos

As provas do jovem bailarino iniciam-se no dia 1 de fevereiro e caso queiras assistir o Prix de Lausanne será transmitido via live streaming no site oficial do concurso.

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